2012-09-10

Quem é Aleksandr Dugin?

Quem é Aleksandr Dugin?

Escrito por Montreal Review e blog O Marxismo Cultural | 10 Setembro 2012
Artigos - Globalismo

dugin"O que foi, isso é o que há-de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer: de modo que nada há novo debaixo do sol."
Eclesiastes 2, 9.

Na edição de inverno da revista "Azure Magazine" (2009, No. 35), Yigal Liverant faz uma análise penetrante da Rússia contemporânea ao mesmo tempo que traça a vida intelectual e a ascensão política Aleksandr Dugin - influente populista russo, autor de 16 livros de filosofia e política, proponente do autoritarismo, imperialismo russo, suspeição em torno da democracia liberal, e guerra ao Ocidente.
A escolha de Liverant por Dugin como a imagem coletiva das tendências intelectuais e políticas da Rússia não foi acidental. Como afirma Liverant, Dugin e a sua filosofia não são "um episódio insignificante da história intelectual russa; pelo contrário, ela reflete a tendência dominante da cultura e política russa atual. Se nós queremos entender o zeitgeist que prevalece na Rússia de hoje, é essencial nós nos familiarizarmos com este pensador que expressa os sentimentos mais íntimos de muitos dos seus conterrâneos e dos líderes do país."

Liverant explica o aparecimento de Dugin na vida política e pública da Rússia como resultado do colapso da União Soviética. A euforia que se seguiu após a queda do comunismo, diz Liverant, foi rapidamente superada pelo decepção, insegurança e desespero. Para muitos russos, o alcance global e o poder da URSS eram uma fonte de orgulho que, durante uma década, transformou-se em desespero e humilhação. A Rússia dos anos 1990 nada mais foi que uma sombra do "Império do Mal" que havia sido.
Durante os anos 1990, e início do novo século, o sentimento de tragédia nacional e decadência mantido pelos russos foi adicionalmente agravado pelas ações militares dos americanos sobre os seus aliados - Sérvia e Iraque - que demonstraram uma profunda falta de respeito pelo Kremlin.
A humilhação, diz Liverant, resultou num nacionalismo feroz, direccionado não só às antigas repúblicas da extinta URSS - Ucrânia e Estados Bálticos - mas também às minorias étnicas, aos judeus e ao Ocidente.
nazbolgirl"Sobrepujados pela confusão, frustração e nostalgia pela sua antiga glória, a Rússia era um terreno fértil para a xenofobia e descontentamento nacionalista" escreve Liverant. Este ambiente causou o aparecimento de movimentos radicais e de ativistas, sendo o mais talentoso e mais brilhante deles, segundo Liverant, Aleksandr Dugin.
Místico, fascista, nacionalista russo e imperialista, seguidor do filósofo francês René Guénon, Trubetskoy e Gumilev, Dugin encontrou terreno fértil para as suas ideias e aspirações políticas sob o regime de Vladimir Putin.
Combinando a teoria da "ethnoses" de Gumilev, segundo a qual a Rússia é um super-ethnos, criado a partir da síntese de eslavos, mongóis, tártaros, fino-húngaros, e outros pequenos grupos étnicos, com outras teorias geopolíticas, Dugin vê a Rússia como um poder euroasiático em ascensão. Os seus sonhos em torno do seu místico "nacional-bolchevismo” (nome que ele deu à sua ideologia) receberam popularidade que coincidiram com o renovado sentido de progresso na Rússia, atingido durante a liderança autoritária de Putin.
dugin-evrazia"Aleksandr Dugin tem todos os motivos para se sentir profundamente satisfeito", termina assim o ensaio de Yigal Liverant. Perante os seus olhos, a ideologia que ele desenvolveu sob o nome de "tradicionalismo", "nacional-bolchevismo" e "euroasianismo", está a tornar-se a linha oficial do governo russo. Ele [Yigal] está perfeitamente certo em afirmar que "Putin está a tornar-se cada vez mais como Dugin."
Este outrora obscuro intelectual é, agora, o filófoso-chefe do "centro radical." E embora a glorioso nação russa esteja a marchar segundo a sua música, nós seremos prudentes em recordar as palavras de Isaiah Berlin - pensador que se encontra virtualmente no lado oposto a Dugin em practicamente todos os pontos - que nos avisou afirmando que "ideias que foram nutridas na quietude dos estudos dum professor podem destruir uma civilização."

Da The Montreal Review – Leia o artigo de Yigal Ligerant na Azure Online.


Comentário do blog O Marxismo Cultural
:

eurasianistsNacionalismo, socialismo, ódio às minorias, autoritarismo, crença na superioridade racial, intenções imperialistas e busca duma glória perdida.

Onde é que vimos este filme antes?

“Nós somos socialistas e inimigos do sistema econômico capitalista atual, feito para a exploração dos economicamente frágeis – com seus salários injustos, com a sua indecorosa avaliação do ser humano de acordo com a riqueza e a propriedade, em vez da responsabilidade e desempenho. Estamos determinados a destruir este sistema a todo custo.”
(Discurso de Adolf Hitler em 1º de maio de 1927, citado por Toland, 1976, página 306.)

Pois é.

Apesar da imensidão de evidências que demonstram que o nacional-socialismo e o atual nacional-bolchevismo são ideologias esquerdistas, existe ainda um considerável número de pessoas que fica chocada quando apresentamos evidências históricas que demonstram o que já foi dito pelo Padre Paulo Ricardo: o fascismo é o filho bastardo do comunismo.

duginO próprio fato do ex-líder da KGB - Vladimir Putin - estar a promover o nacional-bolchevismo, da mesma forma que o auto-identificado socialista Hitler promoveu o nacional-socialismo, deveria ser evidência suficiente para nos apercebermos que, longe de serem movimentos distantes do esquerdismo, os mesmos são consequência do mesmo. A alternativa é colocar a hipótese do ex-agente da KGB (N. do E.: aqui o blogueiro se equivoca. Segundo declarou o próprio Putin, não existe um “ex-KGB”.)pura e simplesmente ter abandonado o seu esquerdismo, o que não faz sentido nenhum.

Aquilo que os esquerdistas querem é o poder e para obtê-lo estão dispostos a defender duas posições totalmente contraditórias em dois países vizinhos (ou até no mesmo país). A Internacional Socialista e a "guerra de classes" não apelavam ao povo alemão, e como tal o esquerdista Hitler usou ao nacionalismo e a raça. Semelhantemente, Putin apercebeu-se que o nacionalismo é-lhe mais útil como manobra de união nacional.

Não deixa também de ser curioso o fato da ascensão de Hitler ao poder ter algumas semelhanças com a ascensão de Putin ao poder. Do mesmo modo que a geração alemã pós-Primeira Guerra ter sofrido a humilhação do "acordo" de paz que foi celebrado após o fim do conflito, a Rússia pós-URSS era uma nação humilhada, enfraquecida e uma sombra de si. Longe de ser o Grande Urso, temido por todo o mundo, os seus grandes inimigos - os americanos - avançaram virtualmente sem oposição com a sua agenda política nas áreas que outrora eram de influência exclusiva dos russos.

dugin1A área cultural revela também a forma como a elite russa estrategicamente rejeita as ideologias ocidentais atuais. As recentes legislações de São Petersburgo - e de outras partes da Rússia que visam limitar a propaganda homossexualista - não se prendem assim tanto com a "santidade" dos russos (este é um país onde 60% de todas as gestações terminam com um aborto, lembre-se) mas sim com o fato da cultura homossexual estar identificada com a elite do Ocidente atual. O mesmo se passa com o feminismo.

Não é que a elite russa seja contra estas ideologias (afinal, a KGB promoveu-as por todo o mundo, especialmente nos EUA); o que se passa é que, atualmente, a elite russa não precisa delas.

Devido a isso, e como estes movimentos foram criados única e exclusivamente para desestabilização social, os russos proíbem-nas como forma de manter a ordem. Se daqui há 10 ou 20 anos a elite esquerdista russa conseguir retirar dividendos políticos com a promoção da agenda homossexual e da agenda feminista, sem dúvida que eles adotarão o mesmo tipo de legislação pro-homossexual e pró-feminista que está a ser forçada nos países da Europa Ocidental.

*

Da Editoria MSM:

odecvsduginAdquira na biblioteca do Seminário de Filosofia o novo lançamento da Vide Editorial, Os EUA e a Nova Ordem Mundial, debate histórico entre o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, fundador e editor-chefe do Mídia Sem Máscara, com o cientista político russo Aleksandr Dugin.

Descrição:
Quais são os fatores e os atores históricos, políticos, ideológicos e econômicos que definem atualmente a dinâmica e a configuração do poder no mundo e qual a posição dos Estados Unidos da América no que é conhecido como Nova Ordem Mundial?

Essa é a pergunta que o cientista político russo Alexandre Dugin e o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho procuram responder nesse debate, que atingiu momentos acalorados e polêmicos. Partindo de posições radicalmente diversas, cada autor esclarece como vê o atual conflito de interesses no plano internacional, elucidando quem são seus principais atores e quais as forças e objetivos envolvidos. No final, os dois debatedores não chegam a um acordo e o grande vencedor é o leitor, que sai do debate com uma visão mais abrangente da política internacional e da luta pelo poder que está sendo travada para a formação da Nova Ordem Mundial.

Ficha Técnica:
Número de Páginas: 240

Editora: Vide Editorial
Idioma: Português
ISBN: 978-85-62910-11-1
Dimensões do Livro: 14 x 21 cm

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