2011-09-09

Mensalão - E o Zé Dirceu também não sabia de nada…

 

ZeDirceuLulaDilma

 

09/09/2011

às 17:40

Mensalão - E o Zé Dirceu também não sabia de nada…

Vamos ver. A defesa de José Dirceu diz que ele é inocente; é o que dizem todas as defesas sobre seus clientes, excetuando-se aqueles casos em que a admissão de culpa pode levar a uma eventual redução da pena. Estranho seria se Dirceu, aquele que já chegou a declarar que estava “cada vez mais convencido” (sic) da sua inocência, se dissesse culpado… Que fique para o julgamento. Fabuloso mesmo é o argumento central: além, claro!, de sustentar que não há provas que o incriminem, afirma-se que Dirceu não controlava o PT. Aí, parece-me, é abusar um tantinho da inteligência alheia, não? Leiam trecho de reportagem do G1. Volto em seguida.

Por Débora Santos:
Apontado pelo Ministério Público Federal como “chefe da quadrilha”, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu negou que tivesse controle sobre o PT na época do mensalão, o suposto esquema de compra de apoio político de parlamentares durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva Lula. Um dos 36 réus na ação penal que apura o caso, o ex-ministro entregou nesta quinta-feira (8) ao Supremo Tribunal Federal (STF) suas alegações finais no processo.

Na última defesa antes do julgamento, os advogados do ex-ministro negaram envolvimento do ex-ministro nos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. No documento, a defesa nega que Dirceu tivesse conhecimento do que acontecia nas contas do PT, controladas na época pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares, e afirma que não há provas para “sustentar que José Dirceu integrava ou chefiava uma quadrilha”.

“A prova judicial assegurou que José Dirceu se dedicava exclusivamente ao governo, não comandava os atos dos dirigentes do PT, não tinha controle nem ciência das atividades de Delúbio Soares”, afirmou a defesa.

Voltei
Pois é… Como se diz lá em Dois Córregos, o peixe morre é pela boca. No caso do coitadinho, é a fome de comida; no do Zé, é a de grandeza. Numa das muitas entrevistas concedidas à Rede Record para se defender das “maldades” noticiadas pela VEJA, afirmou o atual consultor de empresas privadas:
“Todo mundo sabe que eu sou governista, né?, de quatro costado (sic). Eu coordernei (sic) a campanha do presidente Lula, fui presidente do PT durante sete anos, eu percorri o Brasil em 2009 apoiano (sic) o nome da nossa pré-candidata Dilma Rousseff (…). Sou membro do Diretório Nacional do PT, não participo do governo, não sou nem membro da Executiva. E tenho a minha vida como advogado, como consultor. E luto para que o Supremo Tribunal me julgue, né? Porque eu fui acusado gravemente no Supremo Tribunal Federal, no caso do mensalão, de chefe de quadrilha, não é pouca coisa!, e de corrupto (…). Eu tenho atividade política, sempre tive, eu sou blogueiro, sou militante do PT, viajo pelo Brasil, faço debate, faço conferência, me reúno com governadores, prefeitos, em Brasília também (…)

Notem bem, caras e caros: na fala acima, Dirceu tenta explicar por que é um ministro que vai onde ele está não o contrário; porque é o presidente de uma estatal que vai onde ele está, não o contrário. É crível que aquele que havia sido presidente do PT por sete anos, que coordenou a campanha de Lula — parte da lambança do chamado “mensalão” se deu no período eleitoral —, que foi o todo-poderoso da República até a queda, em 2005, ignorasse o método a que recorria o partido? A prática não se dava nas, digamos, franjas éticas da legenda, mas no seu coração.

Que força tinha o Zé no partido quando era o todo-poderoso se hoje, sem cargo nenhum, nem na legenda, atua como chefe de autoridades da República? Não estou entrando no mérito criminal da defesa e da acusação. Aponto é uma ridicularia política. José Genoino era o presidente do PT no período da lambança, mas qualquer um cairia na gargalhada se afirmasse que ele mandava mais do que Dirceu. Aliás, a importância que ambos tem hoje no partido, depois de tudo, parece suficiente para evidenciar quem era quem.

Por Reinaldo Azevedo

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