2011-08-24

Ominous Parallels

Paralelos agourentos

por Walter E. Williams em 24 de agosto de 2011 Opinião - EUA e Geopolítica

 

Roosevelt, Carter e Obama. Ações de Obama o colocam muito mais próximo dos erros históricos do presidente Roosevelt do que dos fracassos de Carter

As pessoas estão começando a comparar o governo de Barack Obama ao fracassado governo de Jimmy Carter, mas uma comparação mais adequada é com o governo de Roosevelt nas décadas de 1930 e 1940. Vamos examiná-lo com a ajuda de uma publicação do Mackinac Center for Public Policy [Centro Mackinac para Políticas Públicas] e da Foundation for Economic Education [Fundação para a Educação Econômica], intitulada "Great Myths of the Great Depression” [Grandes Mitos da Grande Depressão], de autoria do Dr. Lawrence Reed.

Durante o primeiro ano do New Deal do Presidente Franklin Delano Roosevelt, ele requereu um progressivo aumento dos gastos federais para dez bilhões de dólares (US$10 bilhões), enquanto as receitas eram de apenas três bilhões (US$3 bilhões). Entre 1933 e 1936, os gastos governamentais subiram em mais de oitenta e três por cento (83%). A dívida federal cresceu setenta e três por cento (73%). Roosevelt sancionou a legislação que elevou a alíquota máxima de imposto de renda para setenta e nove por cento (79%). Burt Folsom, historiador de economia e professor do Hillsdale College, autor do livro “New Deal or Raw Deal? ” [Novo Acordo ou Mau Acordo?] [1], ressalta que, em 1941, Roosevelt chegou a propor uma alíquota de noventa e nove e meio por cento (99,5%) sobre rendas acima de cem mil dólares. Quando um de seus principais assessores questionou a ideia, Roosevelt replicou: “E por que não?”.

Em 1933, Roosevelt teve outras ideias para a economia, incluindo a National Recovery Act (NRA) [2] [Lei da Recuperação Nacional]. O Dr. Lawrence E Reed diz: “O impacto econômico da NRA foi imediato e poderoso. Nos cinco meses que se passaram até a aprovação da lei, eram evidentes os sinais de recuperação: o nível de emprego e a folha de pagamento das indústrias tinham crescido 23% e 35%, respectivamente. Então entrou em efeito a NRA, limitando a jornada de trabalho, aumentando os salários arbitrariamente e impondo novos custos sobre as empresas. Nos seis meses que se seguiram à efetivação dessa lei, a produção industrial caiu 25%”.

Os negros, em especial, foram duramente atingidos pela NRA. Lideranças das comunidades negras e a imprensa negra da época frequentemente se referiam à NRA como “Negro Run Around” [Negro Trapaceado], “Negroes Rarely Allowed” [Negros Raramente Permitidos], “Negroes Ruined Again” [Negros Arruinados Novamente], “Negroes Robbed Again” [Negros Roubados Novamente], “No Roosevelt Again” [Nada de Roosevelt Novamente] e “Negro Removal Act” [Lei da Demissão de Negros]. Felizmente, os tribunais consideraram a NRA inconstitucional. Como resultado, o desemprego caiu para 14% em 1936 e para uma taxa ainda menor em 1937.

Roosevelt tinha ainda mais planos para a economia, especialmente a National Labor Relations Act [Lei Nacional de Relações Trabalhistas], de 1935, mais conhecida como “Wagner Act”. Essa lei era uma compensação [ou suborno] aos sindicatos de trabalhadores. Com os novos poderes conferidos por essa lei, os sindicatos partiram para um frenesi de organização da militância, que incluía ameaças, boicotes, greves, tomada de fábricas, violência frequente e outros atos que empurraram a produtividade para baixo e o desemprego para cima de forma dramática. Em 1938, o New Deal de Roosevelt logrou produzir a primeira depressão que a nação já vira ocorrer dentro de uma depressão já em curso.

O mercado de ações caiu violentamente mais uma vez, quando as ações cotadas em bolsa perderam aproximadamente 50% de seu valor médio entre agosto de 1937 em março de 1938; o desemprego voltou a subir ao patamar de 20%. Em março de 1938, o colunista Walter Lippmann [expoente da esquerda “progressista” americana e favorável ao big government] escreveu: “Com quase nenhuma exceção importante, todas as medidas nas quais (Roosevelt) esteve interessado nos últimos cinco meses foram no sentido de reduzir ou desencorajar a produção de riqueza”.

A agenda de Roosevelt não deixava de ter seus admiradores internacionais. O principal jornal nazista, o Volkischer Beobachter, elogiou Roosevelt repetidamente por sua “adoção de traços do pensamento Nacional Socialista em suas políticas econômicas e sociais”, baseado na “exigência de que o bem comum deve ser colocado à frente do interesse individual”. O próprio Roosevelt chamava Benito Mussolini de “admirável” e se declarava “profundamente impressionado pelo que ele [Mussolini] tinha realizado”.

Até mesmo o Secretário do Tesouro de FDR, Henry Morgenthau, viu a estupidez e a insensatez do New Deal ao escrever: “Tentamos gastar dinheiro. Estamos gastando mais do que jamais gastamos e não funciona. [...] Nunca cumprimos nossas promessas. [...] Eu digo que depois de oito anos deste governo temos tanto desemprego quanto quando começamos... além de uma dívida enorme!”. O ponto principal é que o New Deal de Franklin D. Roosevelt transformou aquilo que seria uma recessão aguda de três ou quatro anos num estado de coisas que durou dezesseis anos.

A depressão dos anos 1930 foi causada e agravada por ações de governo, tanto quanto a atual desordem financeira em que estamos metidos. Queremos repetir a história dando ouvidos àqueles que criaram a calamidade? Isso equivale a chamar um incendiário para ajudar a debelar um incêndio.

Tradução: Henrique Dmyterko

Título original: Ominous Parallels

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