2011-08-23

Líbia - Sectarismo e divisões ameaçam transição

23/08/2011

às 5:41

Líbia - Sectarismo e divisões ameaçam transição

Da Reuters:
Agora que o regime de quatro décadas de Muamar Kadafi parece estar terminando, os grupos díspares de rebeldes que buscam a queda do ditador poderão enfrentar um perigo mais grave: uns aos outros. Sem a causa da deposição de Kadafi para uni-los, combatentes de todas origens precisam produzir líderes para governar um país imerso em sectarismos, rivalidades tribais e divisões étnicas.

Sem instituições de Estado que facilitariam uma transição, os rebeldes têm muito entusiasmo, mas não contam com uma cadeia apropriada de comando. Com isso, alguns combatentes parecem desiludidos. “Pode haver alguns problemas muito grandes. Todos vão querer dirigir o espetáculo. É aí que ficaremos encrencados”, diz o militante Husam Najjar. “Todos precisam ser desarmados.”

Não haverá uma figura unificadora capaz de liderar a Líbia e impedir que os rebeldes se voltem uns contra os outros? Por enquanto, a resposta parece ser um sonoro não. “Nenhum líder rebelde é respeitado por todos os outros. Esse é o problema”, afirma Kamran Bokhari, diretor para o Oriente Médio da consultoria Stratfor.

Líderes. O político rebelde de maior destaque é Mustafa Abdel Jalil, presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT). Mas o grupo rebelde é heterogêneo e inclui de ex-ministros de Kadafi a nacionalistas árabes, islâmicos, secularistas, socialistas e empresários. Ex-ministro da Justiça, Abdel Jalil é conhecido por ser um habilidoso construtor de consenso.

Ainda no governo de Kadafi, foi elogiado pela Human Rights Watch por seu trabalho na reforma do código penal líbio. Ele renunciou ao cargo em fevereiro quando a violência foi usada contra manifestantes. Como outros antigos funcionários do governo próximos a Kadafi, ele sempre será visto com suspeita por alguns rebeldes que querem rostos completamente novos sem qualquer vínculo com o regime que está governando o país.

O primeiro-ministro do governo rebelde, Mahmoud Jibril, outro ex-aliado de Kadafi, conta com amplos contatos estrangeiros e tem sido o enviado itinerante dos rebeldes. Mas suas viagens têm frustrado alguns colegas dentro e fora da Líbia.

Outro rebelde de destaque que poderá ter um futuro papel como líder é Ali Tarhouni. Acadêmico e membro da oposição vivendo no exílio, nos Estados Unidos, ele retornou à Líbia para encarregar-se de assuntos econômicos, financeiros e petrolíferos no governo rebelde.

Lições do Iraque. As tensões entre oponentes de longa data de Kadafi e seus apoiadores que desertaram recentemente para o lado dos rebeldes podem minar os esforços para a escolha de um comando efetivo. Se prevalecer a linha dura, a Líbia poderá cometer o mesmo erro que analistas dizem ter sido cometido no Iraque após a invasão americana em 2003, que derrubou Saddam Hussein.

Por Reinaldo Azevedo

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