2011-08-21

Ignora-se que a social-democracia não é outra coisa que o marxismo com votos.

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A crise do socialismo democrático II

Escrito por Armando Ribas | 18 Agosto 2011
Artigos - Movimento Revolucionário

Ignora-se que a social-democracia não é outra coisa que o marxismo com votos. Foi Edward Bernstein que em 1899 escreveu “As pré-condições do Socialismo”, onde reconheceu que a revolução predita por Marx não teria lugar.

Quanto mais ouço falar de Ocidente mais me convenço da confusão presente a respeito e que, como conseqüência, impede de reconhecer o mundo em que vivemos. E tanto, que insistimos em coincidir com Jorge Manrique: “Como em nosso parecer, qualquer tempo passado foi melhor”. Não vou dizer que vivemos em um mundo perfeito, pois a perfeição parece ser incompatível com o ser humano, mas não me cabe a menor dúvida da razão de Karl Popper quando escreveu em seu “The History of Our Time: An Optimist View” (A História do Nosso Tempo: uma Visão Otimista). Lá ele diz: “Assim eu não digo como Leibinitz, que nosso mundo é o melhor de todos os mundos possíveis. Tampouco digo que nosso mundo social é o melhor de todos os mundos sociais possíveis. Minha tese é meramente que nosso mundo social é o melhor que tenha existido - o melhor, ao menos daqueles dos quais temos algum conhecimento histórico”.

Essas palavras foram ditas em 1956, ou seja, há mais de 55 anos. O que diria Popper se tivesse tido a oportunidade de ver o mundo de hoje? E insistindo com Popper em sua discussão com Bertrand Russel, que havia sustentado que “nosso desenvolvimento intelectual superou nosso desenvolvimento moral”. Esta crença parece estar vigente na atualidade, quando se expressa que perdemos os valores, porém Popper lhe responde: “Nós somos bons, talvez um pouco demasiado bons, mas também somos um pouco estúpidos e é essa mistura de bondade e estupidez a que jaz na raiz do nosso problema”. Nesse sentido, não posso menos que lembrar das acertadas palavras de David Hume com relação à origem do governo: “É impossível mudar ou corrigir algo material em nossa natureza; o máximo que podemos fazer é mudar nossas circunstâncias e situação, e fazer da observação das leis da justiça nosso interesse imediato, e sua violação nosso [interesse] mais remoto”.

Dito isto, podemos ver que em algum momento da história mudaram-se as circunstâncias e produziu-se uma mudança nos comportamentos que determinaram a possibilidade de alcançar a situação do mundo em que vivemos. Como bem explica William Bernstein em seu “The Birth of Plenty”, a criação de riqueza surgiu pela primeira vez no mundo há menos de duzentos anos. A pergunta pertinente então é se foi a modificação das circunstâncias que permitiu essa transformação reconhecida pelo próprio Marx como tal, quando no “Manifesto” reconheceu que: “a burguesia em menos de cem anos de domínio havia criado mais riquezas e mais forças produtivas do que todas as gerações anteriores juntas”.

Evidentemente essa transformação vem como conseqüência do reconhecimento dos direitos individuais, a partir da Glorious Revolution de 1688 na Inglaterra e levada a suas últimas conseqüências nos Estados Unidos com a Constituição de 1787 e o Bill of Rights de 1801. Esse sistema ético-político que permitiu a geração de riqueza se havia fundado em três princípios fundamentais. O primeiro, que a natureza humana é modificável, e assim surgiu o conceito de justiça tal como o prevê David Hume. Foi Locke quem postulou que os monarcas também são homens, por conseguinte, era necessário limitar o poder político. E em terceiro lugar, mas não menos importante, Adam Smith estabeleceu: “Assim, todo indivíduo, perseguindo seu próprio interesse promove o da sociedade mais efetivamente do que quando realmente tenta promovê-lo. Eu jamais soube de algo muito bem feito por aqueles que fingem atuar pelo bem público” (a mão invisível). Esses princípios fundamentais foram reconhecidos nos Estados Unidos e postos em prática através da Constituição.

Lamentavelmente, e por mais que insistamos em reconhecer a Civilização Ocidental como o caráter por antonomásia da virtude política e da moral social, os direitos individuais, a vida, a liberdade, a propriedade e o direito à busca da própria felicidade, como bem reconhece Ayn Rand, jamais se reconheceram na Europa continental. Essa realidade se ignora hoje ante a presente crise que afeta os Estados Unidos e a Europa. Eu vou me permitir então, assinalar que a presente crise foi a presença cada vez mais determinante do poder político do socialismo no mundo ocidental. Em outras palavras, a ignorância do Rule of Law e sua conseqüência, o suposto direito das maiorias, foi determinante da crise européia e em alguma medida da americana. Assim, se ignora um princípio fundamental adotado pelos Founding Fathers de que as maiorias não têm o direito de violar os direitos das minorias e, como conseqüência, produziu-se a confusão da democracia com o socialismo como havia previsto Nietzsche.

Ignora-se que a social-democracia não é outra coisa que o marxismo com votos. Foi Edward Bernstein que em 1899 escreveu “As pré-condições do Socialismo”, onde reconheceu que a revolução predita por Marx não teria lugar. Do mesmo modo, propôs que ao socialismo, que considera a etapa superior do liberalismo, chega-se através da democracia. E que, “dado que não haveria uma universal, instantânea e violenta expropriação, senão só um acordo por etapas por meio da organização e da legislação, não interromperia o desenvolvimento da democracia”. Pois bem, como vemos, Marx está presente democraticamente e me remeto aos fatos onde, se o gasto público supera 50% do PIB, a crise aflora.

Esse pressuposto ignora, como bem diz Rush Limbaugh que: “Sob o disfarce da compaixão o socialismo é realmente o poder da dependência. Estão felizes de penalizar os logros”. Vemos que a crise mundial é o produto da demagogia imersa no socialismo. Porém, mesmo sob estes pressupostos da Civilização Ocidental, torna-se impossível compreender a real situação da China quando abandonou o Grande Salto para a Frente e a Revolução Cultural, com a chegada de Deng Xiaoping que mudou fundamentalmente a política chinesa. Não obstante, ante o mundo “ilustrado” parece que a China é um perigo para o Ocidente, e não se dão conta de que os chineses aprenderam as palavras de Hume quando diz: “Eu me aventuraria a afirmar que o incremento da riqueza e do comércio em qualquer nação, em lugar de prejudicar, comumente promove a riqueza e o comércio de todos os seus vizinhos”. A prova desta atitude dita a respeito, é que eles compram os bônus dos Estados Unidos, e não por fazer-lhe o favor, senão na coincidência de sua própria conveniência.

Posso dizer então que nesse aspecto o mundo mudou do que fora. Hoje a crise dos países industrializados é a conseqüência do socialismo, e o abandono dos princípios liberais que determinaram a liberdade e o progresso. Não é o triunfo da Ásia sobre o Ocidente. O socialismo é a demagogia para alcançar e permanecer no poder. O anti-capitalismo latino-americano é igualmente um instrumento da demagogia, pois ninguém pretende hoje ganhar uma guerra aos Estados Unidos. O socialismo democrático, e assim como o que as guerrilhas promovem, têm um só objetivo: o poder político interno. O resultado está à vista em nosso continente. Cuba e Venezuela são o exemplo da capacidade política do socialismo para destruir a riqueza. O exemplo da crise européia é também digno de se ter em conta dentro da democracia da social-democracia.

Tradução: Graça Salgueiro

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