2011-08-27

Al- Qaeda e Irmandade Muçulmana…aí vem o terror II

 

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27/08/2011
às 6:07

Os leitores deste blog não estão surpresos, certo? Opositores líbios têm elos com Al-Qaeda, diz jornal


...Por Jamil Chade, no Estadão:
Jornais europeus e árabes noticiaram ontem que muitos comandantes rebeldes da Líbia têm relações com a Al-Qaeda. As informações, com base em supostos dados de inteligência de países da União Europeia, criou um mal-estar entre os governos que ajudaram, direta ou indiretamente, a derrubar o ditador Muamar Kadafi.
Segundo as revelações, Abdelhakim Belhaj, um dos chefes militares dos rebeldes e hoje governador de facto de Trípoli, foi um jihadista. Ele até já teria sido preso pelo serviço secreto americano, há pouco mais de sete anos, por suas atividades terroristas.
Belhaj, que é conhecido pela CIA como Abou Abdallah al-Sadek, liderava, antes dos ataques de 11 de Setembro, o Grupo Islamista Combatente Líbio (GICL), que tinha dois campos de treinamento no Afeganistão do Taleban.
Segundo o jornal francês Libération, a inteligência da França atesta que o rebelde foi detido pela CIA, em 2003, “na Ásia” e enviado para uma das prisões secretas mantidas pelo governo americano na guerra ao terror.
Anos depois, quando Kadafi oficialmente renunciou ao terrorismo, a CIA entregou Belhaj ao regime líbio, que o teria mantido preso. Durante esse período, a ditadura na Líbia confirmou que ele e outros jihadistas teriam desistido da guerra santa. Em 2010, Saif al-Islam, filho do coronel, teria mandado libertar Belhaj.
Ao jornal francês La Croix, o pesquisador Kader Abderrahim questiona se essa renuncia à jihad de fato ocorreu. “Foram encontrados líbios do GICL em todas as células da Al-Qaeda”, disse Abderrahim. Ele lembrou ainda que o grupo esteve ativo no Iraque durante a invasão americana.
O alerta sobre comandantes líbios ligados à Al-Qaeda também foi feito pelo rei saudita, Abdullah bin Abdelaziz al-Saud, em um recente encontro com o presidente do Senegal, Abdoulayé Wade. “Precisamos ter muito cuidado com o Conselho Nacional de Transição da Líbia”, teria dito o rei, segundo a imprensa europeia. “Ele está infiltrado pela Al-Qaeda.”
Por Reinaldo Azevedo


27/08/2011
às 6:05
Nasce um novo humanismo na Líbia; por isso tantos estão eufóricos. Leiam isto.Nasce um novo humanismo na Líbia; por isso tantos estão eufóricos. Leiam isto.


Por Deborah Berlink, no Globo:
Corpos em decomposição de partidários de Kadafi são descobertos em hospital tomado por rebeldes


Moradores de Trípoli descobriram na sexta-feira, sob uma temperatura de 36 graus, um cenário dantesco no hospital de Abu Salim, um dos bairros mais pobres de Trípoli: cerca de 50 corpos em decomposição, jogados em macas no interior do prédio ou num gramado. O GLOBO esteve no hospital e contou pelo menos 20 cadáveres, alguns jogados junto com o lixo, a poucos metros da entrada principal, mas estima-se que sejam 200. Abu Salim foi até ontem palco de uma feroz batalha entre fiéis de Kadafi e os rebeldes, que agora conquistaram a área.


Quem são os homens mortos? Onde e quando foram mortos? Esse é todo o mistério: o hospital estava aparentemente abandonado, e tudo o que os homens que jogavam e embalavam os corpos inchados e em decomposição diziam era que os mortos eram líbios fiéis a Kadafi ou, na sua maioria, mercenários africanos. “Veja, são todos africanos, e talvez apenas dois ou três sejam líbios”, dizia Arafat Mohamed Jwan, 42 anos.


Arafat nunca tinha visto tantos mortos nestas condições. Ele mora perto do hospital, e quando os rebeldes anunciaram que a batalha estava vencida, ele seguiu para o centro médico. Ontem, ele ajudava a embalar os cadáveres. O cheiro no hospital era indescritível. Um jornalista canadense começou a vomitar, logo que entrou. Na porta, pessoas distribuíam máscaras cirúrgicas para jornalistas ou para quem quisesse ver a cena macabra.
Sem médicos nem enfermeiras


Uma leva de corpos estava numa sala cheia de sangue no chão. Logo na entrada da sala, sob uma maca, deparava-se com um cadáver inchado - certamente, há vários dias em decomposição. Ao fundo, várias outras macas, todas com mortos. Não havia um médico ou enfermeira no hospital. Nenhuma autoridade ou funcionário de administração. O lugar era terra de ninguém. Entrava quem quisesse.


A retirada dos corpos era feita de forma ordenada. Um a um, os cadáveres em macas eram empurrados por homens, na sua maioria moradores da redondeza, pelos corredores vazios e sujos de sangue, até a entrada principal do hospital. Lá, um líbio estendia metodicamente um enorme plástico no chão, outros jogavam uma espécie de talco branco - aparentemente para frear a decomposição. Um homem jogava ainda spray desodorante, e o corpo era jogado da maca como um saco de lixo, e embalado igual a carne no açougue. Para manter o corpo embrulhado no plástico, amarrava-se cada ponta com barbante. Depois, dois homens erguiam o embrulho e o jogavam na caçamba de uma caminhonete, que aos poucos foi se enchendo de mortos empilhados.


Em meio à cena, havia moradores curiosos - todos homens - mas também alguns como Aboubaker, um rebelde à procura de um irmão médico que participou da batalha pela conquista da fortaleza de Muamar Kadafi, em Trípoli, e desapareceu . Ele já havia perdido um irmão na batalha de Misurata, outro em março passado. “Esse é o terceiro irmão que perco”, lamentava.
Um dos raros funcionários do hospital, Mohammed Sobrey, que contou trabalhar na administração, disse que quando o lugar estava funcionando, com médicos e pacientes, ainda sob o controle dos kadafistas, a ordem era deixar os rebeldes feridos morrerem.”É uma vergonha este Kadafi. Por favor, saia, nos deixe em paz”, dizia, referindo-se ao ditador líbio.


O mistério sobre a identidade dos mortos e as condições das mortes era ainda maior quando se via o grupo de corpos que estava alinhado do lado de fora, num gramado, junto com o lixo. Quem os jogou ali? Foram executados? Eram mesmo negros africanos? “Dizem que são negros africanos porque estão pretos. Mas todo cadáver em decomposição fica preto, especulava um fotógrafo belga. “Posso dizer que não são líbios pela forma como se vestem. Olhe os narizes, os olhos”, apostava o engenheiro Talal Montaser, com uma máscara cirúrgica no nariz, que também ajudava na coleta dos cadáveres.


Talal não parecia chocado de ver a cena macabra. Nem de imaginar a a possibilidade que estas pessoas - mercenários ou não - tenham sido executadas. “Por que não? Kadafi aterrorizou mulheres, crianças, nos arruinou. Por que eles (os pró-kadafistas) estão nos matando? Os rebeldes não fizeram isso (mataram) por nada. Temos que limpar a Líbia destes mercenários. Se não fizermos isso, eles vão nos matar”, justificou.
Por Reinaldo Azevedo



27/08/2011
às 6:03
ONU vai propor envio de missão de paz à Líbia
Por Andrei Netto e Jamil Chade, no Estadão:


O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pedirá que o Conselho de Segurança das Nações Unidas considere o envio de uma missão de paz à Líbia para evitar que o país mergulhe ainda mais em uma onda de vinganças mútuas. A meta é garantir que as condições de segurança permitam a transição política. Os rebeldes pediram oficialmente a Ban que a ONU “lidere” a reconstrução.


O envio da missão teria uma função política também: superar a divisão internacional sobre o futuro do país e dar um sinal aos países dos Brics e da África de que não haverá uma ocupação da Líbia pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A missão não necessariamente teria tropas, podendo assemelhar-se à enviada ao Timor Leste.


Ban decidiu propor a missão depois de uma reunião com a União Africana, com a Liga Árabe e com a União Europeia. “Estamos em uma fase distinta e decisiva”, disse Ban. Para ele, seria “desejável” ter na Líbia ao menos um grupo das tropas da ONU.


França e Grã-Bretanha têm liderado uma aliança que defende o reconhecimento imediato do novo governo rebelde e a convocação de uma reunião de cúpula para o dia 1.º de setembro em Paris para estabelecer um plano de ação para a reconstrução. China, Rússia, Brasil e a União Africana dizem que só decisões tomadas na ONU por todos poderão ser aceitas no que se refere à Líbia.
O Itamaraty ainda não definiu sua presença na reunião. A resistência ao projeto francês para a Líbia tem pelo menos dois motivos: evitar a repetição da invasão do Iraque e garantir que todos os contratos da Líbia estejam abertos para a comunidade internacional - não apenas aos países que pagaram pela guerra.


Em meio a combates, o Conselho Nacional de Transição (CNT) iniciou ontem a transferência de suas atividades de Benghazi para a capital. O Ministério da Segurança Nacional, órgão que centralizava as operações de polícia e dos serviços secretos e a repressão aos dissidentes, será a sede do governo provisório de Trípoli. Aqui
Por Reinaldo Azevedo
Tags: Líbia, ONU

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