2011-05-19

Dívida Interna: perigo à vista

 

 

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Dívida Interna: perigo à vista

Autor: Waldir Serafim

A dívida interna do Brasil, que montava R$ 892,4 bilhões quando Lula assumiu o governo em 2003, atingiu em 2009 o montante de R$ 1,40 trilhão de reais e, segundo limites definidos pelo próprio governo, poderá fechar 2010 em R$ 1,73 trilhão de reais, quase o dobro. Crescimento de 94% em oito anos de governo.

Para 2010, segundo Plano Nacional de Financiamento do Tesouro Nacional, a necessidade bruta de financiamento para a dívida interna será de R$ 359,7 bilhões (12% do PIB), sendo R$ 280,0 bilhões para amortização do principal vencível em 2010 e R$ 79,7 bilhões somente para pagamento dos juros (economistas independentes estimam que a conta de juros passará de R$ 160,0 bilhões em 2010). Ou seja, mais uma vez, o governo, além de não amortizar um centavo da dívida principal, também não vai pagar os juros. Vai ter que rolar o principal e juros. E a dívida vai aumentar.


A dívida interna tem três origens: as despesas do governo no atendimento de suas funções típicas, quais sejam, os gastos com saúde, educação, segurança, investimentos diversos em infraestrutura, etc.. Quando esses gastos são maiores que a arrecadação tributária, o que é recorrente no Brasil, cria-se um déficit operacional que, como acontece em qualquer empresa ou família, terá que ser coberto por empréstimos, os quais o governo toma junto aos bancos, já que está proibido, constitucionalmente, de emitir dinheiro para cobrir déficits fiscais, como era feito no passado. A segunda origem são os gastos com os juros da dívida. Sendo esses muito elevados no Brasil, paga-se um montante muito alto com juros e os que não são pagos é capitalizado, aumentando ainda mais o montante da dívida. A terceira causa decorre da política monetária e cambial do governo: para atrair capitais externos ou mesmo para vender os títulos da dívida pública, o governo paga altas taxas de juros, bem maior do que a paga no exterior, e com isso o giro da dívida também fica muito alto.


A gestão das finanças de um governo assemelha-se, em grande parte, a de uma família. Quando faz um empréstimo para comprar uma casa para sua moradia, desde que as prestações mensais caibam no seu orçamento familiar, é visto como uma atitude sensata. Além de usufruir do conforto e segurança de uma casa própria, o que é um sonho de toda família, depois de quitado o empréstimo restará o imóvel. No entanto, se uma família perdulária usa dinheiro do cheque especial para fazer uma festa, por exemplo, está, como se diz na linguagem popular, almoçando o jantar. Passado o momento de euforia, além de boas lembranças, só vai ficar dívidas, e muito pesadelo, nada mais.


No caso, o Brasil está mais assemelhado ao da família perdulária: gastamos demais, irresponsavelmente, e entramos no cheque especial. Estamos pagando caro por isso. Como o governo não está conseguindo pagar a dívida no seu vencimento, e nem mesmo os juros, ao recorrer aos bancos para refinanciar seus papagaios, está tendo de pagar um “spread” (diferença entre a taxa básica de juros, Celic, e os juros efetivamente pagos) cada vez mais alto (em 2008 no auge da crise, o governo chegou a pagar um “spread” de 3,5% além da Celic). E isso, além de aumentar os encargos da dívida, é um entrave para a queda dos juros, por parte do Banco Central.


O governo tornou-se refém dos bancos: precisa de dinheiro para rolar sua dívida e está sendo coagido a pagar juros cada vez mais altos (veja os lucros dos bancos registrados em seus balanços). Em 2009, em razão das altas taxas de juros pagas, o montante da dívida cresceu 7,16% em relação ao ano anterior, mesmo o PIB não registrando qualquer crescimento.


O problema da dívida interna não é somente o seu montante, que já está escapando do controle, mas sim qual o destino que estamos dando a esses recursos. Como no caso da família que pegou empréstimo para comprar uma casa própria, se o governo pega dinheiro emprestado para aplicar em uma obra importante: estrada, usina hidroelétrica, etc. é defensável. É perfeitamente justificável que se transfira para as gerações futuras parte do compromisso assumido para a construção de obras que trarão benefício também no futuro.


Mas não é isso que está acontecendo no Brasil. O governo está gastando muito e mal. Tal qual a família perdulária, estamos fazendo festas não obras. Estamos deixando para nossos filhos e netos apenas dívidas, sem nenhum benefício a usufruir. Deixo para o prezado leitor, se quiser, elencar as obras que serão deixadas por esse governo.


Não tenho bola de cristal para adivinhar quem vai ser o próximo presidente da República: se vai ser ele ou ela, mas posso, com segurança, afirmar, que seja quem for o eleito vai ter que pisar no freio, logo no início do governo. Vai ter que arrumar a casa.


Waldir Serafim é economista em Mato Grosso

Um comentário:

José de Araujo Madeiro disse...

Tia Cê,

Um comentário para matéria ¨A diferença entre um povo de pedigree e um povo vira latas¨ do Blog do Ferra Mula:

É a Ditadura do PT.

Uma Ditadura de Bandidos, com um trabalho sujo e surrealista de outra bandalha podre que vem agindo no Congresso Nacional, entre bastidores, conforme orientação do Senhor José Sarney, para nos impigir uma derrota pelo crime que não praticamos. Apenas trabalhamos, pagamos impostos, estudamos e votamos. Eis, então, o nosso crime.

Essencialmente para comprometer o futuro de gerações que ainda não nasceram. E que perfídia mais cruel, não sòmente contra nós próprios, sobretudo para o nosso povo e para gerações do porvir.


Com outra bandalha que atua na Justiça. Também de certos empresários e de alguns jornalistas que só veem dinheiro fácil. Ninguém está preocupado com o Brasil. Apenas as vantagens e libertinagens imediatas.

Até mesmo o povão do momento, vidrado nas telenovelas, nas fantasias dos discursos ilusionistas dos socialistas, enchendo as barrigas com as migalhas distribuídas pelo Estado PTralha.



Lula aparelhou e dominou todos poderes e instituições brasileiras. Está tramando contra o futuro da nação, aplicando técnicas da acomodação e da degradação. Que vem ¨f......¨ à classe média que paga impostos e que vem recebendo salários progressivamente aviltantes, num processo de nivelamento por baixo.

Quando, sem escolaridade adequada e imprescindível em todos países para se desenvolverem, o Brasil vem sendo transformado numa nação de quinta categoria e que, certamente, terá sua economia sufocada pela China à guisa de enfrentar ideologicamente os States.



Num projeto mais ousado do que o do Hugo Chaves, sob comando do Lula, para nos submeter com sua Ditadura PTralha e Corrupta, tornando-se impune na história. E feito como o maior líder da América em todos tempos, capaz até de promover sua revolução sem sangue, conforme os preceitos de Antonio Gramsci.



Mas, estamos de consciência tranquila. Há cinco anos que trabalhamos nosso blog, quando começamos a ler matérias do Foro de São Paulo. Desde do nosso Blog Brasil Antiditadura e depois O Brasil Republicano.

Consiste num trabalho estafante e e angustiante, todavia compensador. Por tratar-se de um Legado que podemos deixar para nossos filhos e netos. Para que eles não sejam ludribiados pela bandalha que atualmente nos governa. Para que possam saber que nós não nos abrigamos na covardia da omissão.

Att. Madeiro