2011-02-05

Os análogos da liberdade

Postado em oriente médio com pré-condição

 

Como é costumaz, a imprensa brasileira se resume em um grandioso mar de ignorância. No Estadão há um indivíduo fazendo uma analogia absurda do que se passa no Egito com o… movimento brasileiro das Diretas Já. Nada poderia ser mais estúpido!

Antes, baseando-se no que dizia o New York Times e a CNN, os correspondentes brasileiros noticiavam que a confusão no Egito era fruto de uma mera reivindicação da população civil por eleições diretas. Nada de Irmandade Muçulmana. Agora, com a maior cara de pau, contradizem-se, noticiando o que todas as pessoas sensatas já sabiam: a Irmandade Muçulmana está e sempre esteve por traz de tudo.

No entanto, sequer se dão ao trabalho de explicar, afinal, do que se trata a tal Irmandade Muçulmana – talvez a forma mais simples de entender o que se passa no Egito.

Muslim Brotherhood - É uma organização que nasceu em 1928, entusiasmou-se com os regimes totalitários – que mais tarde corporificavam-se com Stalin e Hitler – e passou a se inspirar nas interpretações do Corão, tal como a do egípcio Sayyid Qutb, que, a partir da crítica à vida Ocidental, transformou o Islã numa ideologia política. Ainda que muitos sejam ingênuos ao ponto de acreditar que a incursão na política por membros da Irmandade Muçulmana afaste-a dos terroristas, ela mesma ignora a apreciação dos ditos “especialistas” e continuam a fomentar o Hamas, a Al Qaida e todos aqueles que têm uma inclinação a explodir bombas pelo mundo.

Interessante notar que a palavra liberdade justificou todos os regimes totalitários do século XX. Valeu-se dela também Qutb, proclamando que o homem só será livre se restabelecer a soberania divina através da Shari’a (lei islâmica). Desta forma, aproveitando-se do vazio espiritual criado pela tara do laicismo que acometeu o Ocidente, Qutb creu que o Islã poderia se tornar uma terceira via, entre o Capitalismo e o Comunismo. Enfim, nada diferente do que se propõe desde a Revolução Francesa: libertar o indivíduo criando um autoritarismo coletivo, onde a vontade da maioria deve ser soberana; em outras palavras: deve-se criar uma pequena classe privilegiada que irá decidir o que todo um povo poderá ou não fazer.

O Ocidente escolheu o consenso científico como guia supremo da burocracia; os islamitas pretendem que a nomemklatura seja composta por imãs.

Mas se nossos jornalistas fazem tanta questão de uma analogia, a única possível é a forma como Jimmy Carter ajudou a desestabilizar o Irã em 1979, culminando na derrubada do Xá, e abrindo caminho para que o aiatolá Khomeini subisse ao poder e instalasse uma brutal teocracia. Até parece uma reprise, já que Obama apoia a queda de Mubarak. No entanto, isto representará nada mais do que a vitória dos terroristas – e trará sérios problemas a todos aqueles que, no Oriente Médio, conseguem viver em harmonia com a civilização Ocidental.

http://www.diogochiuso.com/2011/02/04/os-analogos-da-liberdade/

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