2011-02-04

O Evangelho da Câmara

 

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O Evangelho da Câmara

Guilherme Fiuza

 

Foi bonita a cena. O deputado Marco Maia com o braço direito erguido para frente, acompanhado por dezenas de colegas no mesmo gesto.

Não era uma saudação nazista.

Era um culto evangélico. Dentro da Câmara dos Deputados. Com a participação do presidente da instituição, recém-eleito.

Marco Maia, petista gaúcho, é metalúrgico. E amigo dos evangélicos. Ou seja: é da elite. A nova elite brasileira que se orgulha de seus credos. E faz do Estado a sua igreja.

Benedita da Silva também estava lá. Andava meio sumida desde sua viagem à Argentina para um ato evangélico, bancado pelo Ministério da Assistência Social. O contribuinte prefere vê-la rezando na Câmara. Sai mais barato.

Foi bom o novo presidente Marco Maia, temente a Dilma Rousseff, avalizar o culto evangélico na Câmara dos Deputados. O governo já mostrou que não vai mandar projetos importantes para o Congresso, então é hora mesmo de arranjar atividades para ocupar aquele espaço ocioso.

Depois dos cultos evangélicos, o eleitor espera que os deputados abram as salas da Câmara para outras religiões, sessões de meditação transcendental, macumba e, por que não, um churrasquinho, que ninguém é de ferro.

A ascensão de Marco Maia vem calar os críticos de Dilma Rousseff. Aos que diziam que ela não faz nada de relevante desde sua eleição, aí está: conseguiu levar um Zé Ninguém ao primeiro plano da política brasileira. Trabalho pesado.

A Mãe do PAC é agora a Mãe do Marco, e o menino saiu a cara dela: já na estréia, propôs a construção de um prédio novinho para acomodar melhor a companheirada pendurada nos gabinetes. Um filho pródigo da aparelhagem.

O Brasil não tem mais nada a temer. Com tanta reza e mandinga em Brasília, o governo federal poderá enfim oficializar sua vagabundagem. Jesus resolve.

Se não resolver, é só chamar de volta o seu sucessor em São Bernardo do Campo.

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