2011-02-26

Entrevista de Olavo de Carvalho a Jeffrey Nyquist

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Entrevista de Olavo de Carvalho a Jeffrey Nyquist

(Foto)

Jeffrey Nyquist: Financial Sense, 18 de fevereiro de 2011

Original: A Philosopher’s Warning

Tradução e link*: Dextra

Esta semana eu tive o prazer de entrevistar o filósofo brasileiro e presidente do Inter-American Institute, Olavo de Carvalho. Durante a conversa, eu sugeri que há algo de errado com nosso pensamento, hoje; que não adoramos a Deus do mesmo modo, nem obedecemos as regras do mesmo modo, nem observamos as boas maneiras como no passado. "Para alguém como eu", começou ele, "que visitou este país nos anos 80 e voltei para viver aqui em 2005, as mudanças que a mentalidade americana sofreu em décadas recentes é realmente chocante."

Carvalho recomendou que eu lêsse o livro de Tamar Frankel Trust and Honesty: America's Business Culture at the Crossroad [Confiança e Honestidade: A Cultura Americana dos Negócios em uma Encruzilhada], o qual, ele explicou, "descreve o declínio alarmante dos padrões morais no mundo americano dos negócios..." De acordo com o livro de Frankel, a erosão da confiança e da honestidade tem a ver com a aceitação e a justificação crescentes de práticas fraudulentas. "O que mudou", escreve ela, "é a atitude em relação à desonestidade e a quebra da confiança. Hoje, há uma maior aceitação e mais justificação da desonestidade." Como isto aconteceu? Com a remoção de certas barreiras à fraude, a tentação aumentou.

Carvalho têm suas próprias opiniões a respeito das causas da deterioração moral e intelectual dos Estados Unidos. "Um dos fatores que causou esta mudança, com suas consequências altamente corrosivas para a vida diária dos americanos, foi o "neo-liberalismo" em voga, que via o mundo dos negócios como um poder auto-regulado, capaz de se sobrepor à moralidade, à religião e à cultura e de ditar padrões de conduta com base no poder supostamente milagroso das leis do mercado. O que fez a grandeza da América não foi só a economia de livre mercado, mas uma síntese disto com a moral cristã e com uma cultura que incluia o amor ao país e à família. Separada destas forças regulatórias, a economia capitalista se torna um motor de auto- destruição, que é exatamente o que está acontecendo hoje.”

Sem dúvida, há muita verdade na afirmação de que a sociedade americana tradicional desabou, sendo substituída pela "sociedade aberta", assim batizada por George Soros e Karl Popper. De acordo com Carvalho, a sociedade aberta se define como "não reconhecendo quaisquer valores transcendentes e deixando tudo à mercê das conveniências econômicas -- conveniências que são algo que se alega para se justificar a própria demolição dos mercados livres e sua substituição pelo estado de bem-estar social, baseado em taxação e déficits." Em outras palavras, Carvalho está dizendo que o livre mercado não torna os homens bons. Ele não os adestra para serem morais. Ele não se dá ao trabalho de se defender do socialismo. Estes elementos na sociedade que anteriormente instilavam valores morais não são mais tão eficazes, se é que têm alguma eficácia.

Carvalho é de opinião que o conceito da “sociedade aberta ” é usado pelos inimigos da nação para destruirem "tudo o que é bom e grande neste país." Ele então menciona o pensador geo-político russo Alexander Dugin, e 'o novo esquema russo-chinês...'. Usando uma propaganda sutil, observa Carvalho, a "sociedade aberta" se torna um pretexto para difundir o ódio generalizado global contra os Estados Unidos, pois a "sociedade aberta" produz uma degradação moral que é em seguida atribuída ao modo americano de vida, o que supostamente demonstra a perversidade e decadência particulares do povo americano. Isto leva diretamente a uma discussão sobre os males do imperialismo cultural americano -- o grito de guerra dos estrategistas russos e chineses, cujo objetivo é a eliminação dos Estados Unidos como potência mundial. A eficácia desta estratégia não deve ser subestimada. Como explica Carvalho, "A influência russo-chinesa tem crescido cada vez mais na América Latina. O governo dos Estados Unidos não percebeu isto porque ainda vê a Rússia e a China como aliados, apesar do fato de que eles são os dois maiores fornecedores de armas para o terrorismo ao redor do mundo. É preciso lembrar que a política externa de Putin é hoje guiada pela estratégia assim chamada "eurasiana", inventada pelo filósofo russo Alexander Dugin, que propõe que a Rússia, a China e o Islam se aliem com todas as forças anti-americanas na Europa Ocidental, na África e na América Latina, com o propósito de fazerem um cerco final aos Estados Unidos. Esta estratégia já tem forte apoio militar na Shanghai Cooperation Organization, um tipo de versão oriental da OTAN que reúne a Rússia, a China, o Kazaquistão, o Quirguistão, o Tajiquistão e o Uzbequistão.”

Perguntei a Carvalho sobre informações recentes de um acordo entre o Irã islâmico e a Venezuela comunista para construírem uma base estratégica de mísseis apontados para os Estados Unidos. Perguntei se os marxistas da América do Sul estavam aliados à al Qaeda e Teerã. “Sim, estão," respondeu ele. “Eles também estão aliados ao ETA, que é uma organização terrorista basca. Há muitos agentes destas organizações no séquito de Hugo Chavez. Este fato não é desconhecido de muitos governos latino-americanos, mas a maioria deles está comprometida a ficar em silêncio sobre isto por causa dos acordos que assinaram como membros do Fórum de São Paulo, a ponta de lança do movimento comunista na América Latina.”

Eu então pedi a Carvalho para dar os nomes dos países trabalhando com os terroristas em todo o mundo pela destruição dos Estados Unidos. Ele respondeu assim: "Irã, Síria, Coréia do Norte, Cuba, Rússia e especialmente a China são os principais. Na América Latina, a Venezuela é o exemplo mais óbvio, mas a Venezuela não seria nada sem o apóio que recebe de todos os governos do Fórum de São Paulo, cujo líder é o Brasil.”

De acordo com Carvalho, a Esquerda continua a consolidar sua posição na América Latina. "Ela tem seguido uma estratégia que foi explicitamente apresentada em um congresso comunista chinês há poucos anos: tomar o poder por meio de eleições legais e então erodir o sistema democrático a partir de dentro, para impedir a oposição de jamais voltar ao poder em eleições futuras," explica ele. "Ou seja: eles vencem uma primeira disputa e em seguida passam a mudar as regras do jogo. No Brasil, esta estratégia tem levado a resultados espetaculares. Primeiro, a idéia era limitar o campo político a apenas dois disputantes: a Esquerda radical e a Esquerda moderada. Todas as outras forças políticas foram desmanteladas por meio de auditorias fiscais seletivas e acusações de corrupção que sequer precisavam ser provadas, já que elas destruiam reputações para sempre, assim que eram trombeteadas pela mídia.”

Poderia o aliado tradicional dos Estados Unidos na América do Sul estar sob o controle de um movimento totalitário? Como poderíamos não ter percebido um acontecimento tão espantoso? "Os formadores de opinião americanos têm uma visão errada do Brasil", diz Carvalho, "porque o governo brasileiro sempre agiu com duas caras e de modo camuflado. Por um lado eles cortejam os investidores americanos para fortalecerem a economia brasileira, mas por outro eles tiram proveito do sucesso econômico a fim de consolidarem o poder esquerdista em casa, tornarem impossível qualquer oposição política que não seja da esquerda moderada, e darem apoio efetivo à ascenção da Esquerda nos países vizinhos, enquanto protejem organizações abertamente terroristas como as FARC e o MIR chileno, que assim acabou controlando o crime organizado local e ganhando o monopólio do mercado das drogas no Brasil. Na Venezuela, Hugo Chavez também desmantelou a oposição, mas usando métodos mais crassos."

Já que o Brasil abriga o cerne do movimento comunista na América Latina, como tem progredido a campanha anti-americana?  De acordo com Carvalho, a Esquerda nem sempre consegue avançar. "Ela segue um rítmo alternante", explica ele, "dependendo de se o importante no momento é adular os investidores estrangeiros ou unificar e fortalecer a Esquerda latino-americana.”

“Há mais de dez anos", observa Carvalho, "eu tenho alertado que o Partido dos Trabalhadores (no Brasil) não é uma organização como as outras; ou seja, disposta a se alternar no poder com a oposição. O Partido dos Trabalhadores é uma organização revolucionária, comprometida com o amoldamento do estado e da sociedade inteira à sua imagem e semelhança, usando, para este fim, os meios mais vis e corruptos. Como ninguém nunca acreditou em nada disto,  todos se desarmaram gentilmente em face a este partido em ascenção e agora que ele controla tudo, ninguém pode fazer nada contra ele. O Brasil é governado por um só partido com muitos nomes. Não vejo perspectivas de se mudar esta situação no curto ou médio prazo*."

Perguntei a Carvalho sobre o Chile, que se desviou da Esquerda nas últimas eleições. De todos os países na América do Sul, qual é o segredo do aparente conservadorismo do Chile? "A elite chilena é infinitamente mais educada e moralmente melhor preparada do que a elite brasileira," responde ele. "Quando as coisas começam a caminhar para o abismo, os chilenos conseguem entender o que está acontecendo e mudar de curso antes que o desastre ocorra. Você não consegue imaginar a preguiça intelectual dos empresários, políticos e militares brasileiros. Mesmo quando a situação se torna alarmante, eles se aferram a suas crenças confortáveis e costumeiras e se recusam a se informarem sobre o que está de fato acontecendo. As classes ricas no Brasil são presunçosas e indefesas. Elas não sabem como resistir ao jogo sutil das lisonjas e ameaças jogado pelo governo esquerdista que as controla. Não só no Chile, mas também na Argentina, as elites estão muito melhor preparadas para enfrentar tal situação."

E qual é a coisa mais importante que os americanos devem saber sobre a presente situação política na América do Sul? "A coisa mais importante", diz Olavo, "é a profunda e sólida unidade dos movimenos esquerdistas locais através das fronteiras nacionais, a unidade da estratégia revolucionária subjacente às diferenças aparentes e enganadoras de caráter nacional. Não há isto de 'duas Esquerdas' na América Latina. Há apenas uma Esquerda, que tem tanta solidariedade consigo mesma que nunca perde controle das duas caras que emprega para tapear os observadores americanos."

Ouvindo Carvalho caracterizar a elite empresarial e política brasileira como intelectualmente preguiçosa, não pude deixar de pensar na elite americana. Também eles se recusam a mudar de curso em face do desastre que se aproxima. Mesmo a situação se tornando alarmante, eles gastam mais e mais dinheiro. Eles cortejam os inimigos e traem os aliados. É verdade, também, que eles "não sabem resistir ao jogo sutil das lisonjas e ameaças" jogado pelo poder esquerdista.

 

 

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