2011-02-09

Entrevista com Chesterton - parte 2

Entrevista com Chesterton - parte 2


Seguem mais algumas pérolas e diamantes de G. K. Chesterton, o príncipe do paradoxo. Leitura recomendada a cristãos e não-cristãos. A terceira parte vai demorar mais um pouco, porque uma amiga – possivelmente um de meus sete leitores – pediu “Ortodoxia” emprestado.
ALEGRIA E TRISTEZA
A questão não é que este mundo é triste demais para ser amado ou alegre demais para não o ser; a questão é que, quando se ama alguma coisa, a sua alegria é razão para amá-la, e a sua tristeza é razão para amá-la ainda mais.

MORALIDADE E RELIGIÃO
A moralidade não começou com um homem dizendo a outro: “Eu não vou bater em você se você não bater em mim”; não há vestígio de transação semelhante. Há, sim, vestígio de que ambos disseram: “Nós não devemos bater um no outro no lugar sagrado”. Eles conquistaram a moralidade vivendo a religião. Eles não cultivaram a coragem. Lutaram pelo santuário e descobriram que se haviam tornado corajosos. Eles não cultivaram o asseio. Purificaram-se para o altar e descobriram que estavam asseados.

AMOR E LIBERDADE
O coração deve estar preso à coisa certa; a partir do momento em que temos o coração preso temos liberdade para as mãos.

VERDADE E LÓGICA
O cristianismo não somente deduz verdades lógicas, mas, quando de repente se torna ilógico, ele encontrou, por assim dizer, uma verdade ilógica. (...) Existe algo estranho na verdade.

CRISTIANISMO E VÍCIO
Não parecia tanto que o cristianismo era suficientemente perverso a ponto de incluir qualquer vício, mas sim que qualquer pau era bom para bater nele. Como seria essa coisa assombrosa que as pessoas queriam tanto contradizer, a ponto de fazê-lo sem se importar em contradizer a si mesmas?
ORTODOXIA E SENSATEZ
Nunca houve nada tão perigoso ou tão estimulante quanto a ortodoxia. Ela foi a sensatez, e ser sensato é mais dramático do que ser louco. (...) É fácil ser louco; é fácil ser herege. (...) É sempre simples cair; há um número infinito de ângulos para levar alguém à queda, e apenas um para mantê-lo de pé.

IRMÃ NATUREZA
A essência de todo panteísmo, evolucionismo e religião cósmica está realmente nesta proposição: a natureza é a nossa mãe. Infelizmente, se você considerar a natureza como mãe, vai descobrir que ela é madrasta. O ponto principal do cristianismo era este: que a natureza não é nossa mãe: a natureza é nossa irmã. Podemos sentir orgulho de sua beleza, uma vez que temos o mesmo pai; mas ela não tem autoridade sobre nós; temos de admirá-la, não de imitá-la.

DOENÇA E PECADO
Se você diz que vai curar um devasso como se cura um asmático, minha resposta fácil e óbvia será esta: “Apresente as pessoas que querem ser asmáticas uma vez que muitas querem ser devassas”. Um homem pode ficar deitado e curar-se de uma enfermidade. Mas ele não pode ficar deitado inerte se quiser curar-se de um pecado. Pelo contrário, ele precisa levantar-se e correr por aí feito louco.

ATEUS
Deixemos que os próprios ateus escolham um deus. Eles encontrarão apenas uma divindade que chegou a expressar a desolação deles; apenas uma religião em que Deus por um instante deixou a impressão de ser ateu.

ADVERSÁRIOS DA IGREJA
Homens que começam a combater a Igreja em benefício da liberdade e da humanidade terminam jogando fora a liberdade e a humanidade só para poderem com isso combater a Igreja.

LUNÁTICOS
O círculo da Lua é claro e inconfundível, tão recorrente e inevitável, como o círculo de Euclides sobre um quadro-negro. Pois a Lua é absolutamente razoável; e a Lua é a mãe de todos os lunáticos: ela deu a eles o seu nome.

Um comentário:

CHESTERTONBRASIL.ORG disse...

Prezada, te convidamos a conhecer o site: www.chestertonbrasil.org

Atenciosamente