2010-10-09

O escândalo de um astro do rock e uma crítica aos programas de assistência

MAIS DESTA TURMINHA QUE SÓ FALA, ATRAPALHA E PRODUZ MISÉRIA, DESGRAÇA E DESTRUIÇÃO: 9 de outubro de 2010 Escândalo de financiamento de Bono e críticas atrapalham conferência de desenvolvimento da ONU

JULIO SEVERO
9 de outubro de 2010

Dr. Terrence McKeegan

30 de setembro de 2010 (C-FAM/Notícias Pró-Família) — O escândalo de um astro do rock e uma crítica aos programas de assistência na semana passada colocaram em destaque as críticas elevadas às campanhas internacionais de desenvolvimento.

Os dois incidentes atrapalharam a pretendida mensagem de uma cúpula da ONU sobre políticas de desenvolvimento, refletindo uma crescente discrepância entre retórica e resultados de desenvolvimento.

O astro de rock Bono, representante da banda irlandesa U2, foi apanhado violando suas próprias reivindicações por maior transparência e prestação de contas, as quais ele fez num artigo para o jornal The New York Times. Suas opiniões inspiraram o jornal New York Post a examinar as finanças da própria Fundação ONE, de Bono, deixando a descoberto um escândalo emergente amplamente noticiado pelos meios de comunicação.

Parece que a Fundação ONE recebeu 15 milhões de dólares em doações do público durante 2008, mas distribuiu menos de 200.000 para entidades beneficentes privadas que combatem a pobreza, de acordo com os registros da Receita Federal dos EUA. A Fundação ONE gastou mais de 8 milhões de dólares em salários. O restante foi para campanhas publicitárias políticas e sociais, inclusive caras caixas de presente entregues pessoalmente em salas de imprensa, para influenciar a cobertura da cúpula da ONU.

Enquanto isso, críticas às políticas da ONU vieram de uma fonte surpreendente: Margaret Chan, diretora da Organização Mundial de Saúde. Desfazendo seus comentários preparados num evento patrocinado por todas as grandes agências da ONU, Chan avisou que as nações que enviam doações não aprenderam com as lições do passado ao lidar com os países em desenvolvimento.

“Temos de parar de ser arrogantes e ditar o que fazer”, disse ela.

Os países que doam muitas vezes impõem sua própria agenda, levando a uma falta de direito de posse por parte dos países que recebem as doações. “Se um país não tem posse do plano, esse país não tem nenhuma motivação para fazer as distribuições”, disse Chan.

Ela também reconheceu que os países que fazem as doações não têm uma compreensão firme daquilo em que investem, sem boas medidas de progresso ou insucesso.

Chan disse que as agências da ONU não são agências de financiamento, respondendo aos frequentes pedidos por “mais dinheiro”. Tais pedidos, que vêm de ministros de países em desenvolvimento, deveriam ir para o Banco Mundial, disse ela.

A questão de mais dinheiro para o desenvolvimento foi um tema dominante na Cúpula da ONU. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, anunciou que as agências precisavam de 169 bilhões de dólares para salvar a vida de mais de 15 milhões de mulheres e crianças mediante melhor acesso à assistência de saúde. Um evento altamente divulgado na mídia anunciou 40 bilhões de dólares em compromissos por parte de setores públicos e privados para a iniciativa, embora os críticos estejam dizendo que o total reciclou pelo menos metade do dinheiro de compromissos do passado.

Apesar da retórica de importantes novos investimentos em melhorar a assistência de saúde geral nos países em desenvolvimento, os compromissos deixam claro uma ênfase esmagadora em gastar em campanhas políticas e programas de planejamento familiar. Isso reflete a seção do documento de resultados da cúpula da ONU sobre saúde materna, no qual todos, exceto um único parágrafo entre seis, enfocam maior acesso ao planejamento familiar e à saúde sexual e reprodutiva.

A iniciativa Avançando o Planejamento Familiar (Advance Family Planning) é como um exemplo típico da predominância da retórica acima dos projetos no campo do desenvolvimento. Os doze milhões de dólares dedicados a essa iniciativa não vão para reais serviços e bens, mas em vez disso vão para campanhas de pressão para mudar as leis e políticas nacionais para melhor refletirem a agenda ideológica de controle populacional dos países que fazem as doações

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