2010-10-16

Da inexorabilidade da verdade

 

Por Klauber Cristofen PiresimagesCAO7L92U

Quem ainda agüenta ver baiano dando golpes de capoeira, japonês mostrando suas verduras, uma porção de desdentados sorrindo com caras de bobo-alegres e ah, o que não pode faltar, aquele xaropíssimo maracatu?

Que tal então darmos um passeio pela história para avaliarmos os resultados de tantas quantas políticas intervencionistas e socialistas pelo mundo afora?

Pois, enquanto assistimos (tô fora!) à miséria – ou nulidade - dos fracassados debates e dos maçantes, pleonásticos, recorrentes, abundantes e repetitivos clichês das propagandas eleitorais - e aqui me refiro a todos os candidatos e siglas, sem exceção - pode ser de bom tom adiantarmo-nos a refletir sobre uma pauta liberal-conservadora. Algo para o futuro, sob uma nova visão. Quem sabe, vinga, justo neste momento em que os Democratas parecem ter entrado em estado de crisálida. Que dela saia uma bela borboleta com cores vibrantes em tons de azul, verde e amarelo, e não mais uma das agourentas mariposas da politiquice nacional.

Que tal, para este mister, darmos um passeio pela história, a fim de avaliarmos o destino que tiveram uma variedade de políticas intervencionistas e socialistas?

Que partido de esquerda no mundo todo não empunhou a bandeira do direito à moradia, tendo-a concretizado especialmente na forma de leis pró-inquilino? Em todos os lugares onde esta idéia vingou, os imóveis sumiram, os preços foram às alturas e os tribunais restaram abarrotados. Nos EUA, mereceu um filme, “O inquilino misterioso” (Pacific Heights, 1990), com Melannie Griffith, Michael Keaton e Mathew Modine.

No Brasil, em meu próprio seio familiar pude constatar a completa depredação da casa dos meus pais, uma boa construção com traços germânicos situada em esquina que continha três salas para estabelecimentos comerciais, ao fim vendida pelo décimo do seu valor original - apenas pelo lote – para ser derrubada e dar lugar a uma loja de automóveis usados. Da família da minha esposa, soou sinistramente engraçada uma tardia decisão judicial de despejo decretada pelo menos uns cinco anos depois que o inquilino meliante fugira do imóvel com mais de um ano por pagar, tendo roubado o que pôde (até mesmo louças sanitárias, tomadas e luminárias) e destruído o que não conseguira levar.

Em todos os lugares, os notórios casos com estes parecidos, a extrema escassez no mercado locatício, a falta de interesse pela população em adquirir imóveis (já que não podiam vislumbrar outra finalidade que não o uso próprio), e outras conseqüências indesejadas forçaram os políticos populistas a botarem as barbas de molho e aliviarem a lei do inquilinato, tornando pelo menos um pouco mais equilibrada a relação entre proprietários e inquilinos.

Tomemos outro estudo de caso: quem se lembra do plano Real, aquele que consagrou o Sr Fernando Henrique Cardoso por ter supostamente vencido a inflação, quando o que na verdade fez foi tê-la trocado por estupendo endividamento externo? Durante o seu primeiro mandato, aquele festejado todos os anos com um bolo de (01) um real e que por sob o altar do ufanismo eram oferecidos em sacrifício milhões de frangos congelados, mal agüentou o resultado de sua reeleição para o douto sociólogo tivesse de desesperadamente liberar o câmbio, antes que acontecesse tragédia pior.

Na extinta União Soviética, um rublo equivalia oficialmente a paridade fixa com o dólar, mas no mercado paralelo a moeda americana valia mais de duas mil unidades da russa. Com alguns dólares no bolso, amigos meus que visitaram este e outros países do leste europeu faziam a farra passeando de táxi, bebendo, comendo e comprando o que lá valia a pena, tal como cristais, por exemplo.

Depois de tão desastrosa política, alguns países, a bem dizer, como o nosso, finalmente aprenderam que algo como um câmbio fixo é uma coisa que só pode prosperar em suas mentes doentias.

E o que dizer do congelamento de preços? Tristes tempos em que testemunhei pessoalmente à perseguição de pessoas honestas e trabalhadoras: gerentes de supermercados, donos de açougues e fazendeiros viviam ameaçados pelos “fiscais do Sarney”, e não raro, eram multados e presos, acusados de uma excrescência jurídica chamada “crime contra a economia popular”. Quando o estado lhes prestará as devidas indenizações? Quando o Sr Sarney será responsabilizado por suas torpezas políticas?

Mais um caso bastante curioso: o leitor sabe porque se denomina o trabalhador celetista de “optante” pelo FGTS? Era porque a lei trabalhista de Getúlio Vargas estipulava a estabilidade no emprego. Olhe lá, estou falando de todo e qualquer emprego privado! Aff, nem o casamento significava uma união tão radical, eis que, à época, as pessoas podiam ao menos “desquitarem-se”. O FGTS realmente veio como uma “opção” para aquele que vislumbrasse uma flexibilização na relação trabalhista a ser compensada com um fundo de natureza indenizatória. Claro é que, com o passar do tempo, o regime de estabilidade não poderia ter outro destino que não o de ser extinto, por absolutamente incompatível com uma economia de mercado, sobrando à “opção” o significado de “adesão”.

Mais um, por favor, afinal, há tantas burradas que nos sirvam de exemplo: O Sr Luis Henrique da Silveira, recém eleito Senador pela coligação oposicionista em Santa Catarina, foi o autor da “lei de reserva de mercado da informática”, uma estrovenga protecionista que nos manteve por anos acorrentados à idade da tela verde, da linguagem basic e do editor de textos “Carta Certa”.

Prezado leitor: permita-me, ao menos por ora, apenas fazer um resumo nominal de quantas outras macaquices inventadas com a finalidade de subverter o que é certo, ou seja, um funcionamento livre do mercado, sob a égide do respeito à propriedade privada: moeda-papel de curso forçado, desvalorização forçada da moeda, políticas de substituição de importados, políticas de reserva de mercados (especialmente monopólios estatais), políticas antitruste, políticas de preços fixos, mínimos e máximos, e tantas outras que ao fim, tendo se mostrado todas, sem exceção, um leque interminável de mal-sucessos, não ofereceram outra alternativa que não a revogação para darem lugar a relações mais livres entre os cidadãos.

Por tantos exemplos, não faltam argumentos aos defensores da propriedade privada, da livre iniciativa e do estado mínimo. Cumpre apenas que compareçamos à arena das discussões, onde houver, para apontá-las, e para tanto não precisamos necessariamente de políticos, mas de nós mesmos, voz a voz, dia a dia. Isto é algo que agora mesmo você pode fazer, pelo bem de si mesmo. O que espera?

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