2010-09-11

Não há dúvida de que o Estado brasileiro está sendo usado para atender aos interesses de um partido

 

PT_ovo_da_serpente

10/09/2010

Reinaldo Azevedo

A pesquisa Datafolha, a política, a democracia e o estado de direito

Conforme o previsto — e, já disse, essa gente jamais me surpreende —, uma revoada de urubus veio para o blog: “Viu o Datafolha? Cococó, kkkkkk, auauaua, oinc-oinc, não mudou nada. O truque de vocês (sic) não está funcionando”. Os petralhas chamam de “truque”, com essas onomatopéis e sonoros relinchos e zurros,  as patifarias que os próprios petistas fizeram com o sigilo fiscal de tucanos e da filha e do genro do presidenciável José Serra. Não estranho que pensem assim. Foi a mensagem que seu líder, Lula, passou na TV. Colunistas repetem a mesma coisa. Até Marina Silva, tirando uma casquinha do episódio, refere-se às milhares de violações para tentar mitigar o caráter político da investida. Agora, crescem as evidências do que chamei “farsa dentro da farsa” (ver posts abaixo). Não há dúvida de que o Estado brasileiro está sendo usado para atender aos interesses de um partido. É parte do processo de mexicanização da política, negado pelo adesismo cretino. Mas falemos dos números e do futuro.

NÃO! A ELEIÇÃO AINDA NÃO ACABOU! Às vezes, 23 dias são uma eternidade. Mas isso não me preocupa nem me pauta. No dia 4, quando ficou mais do que evidente o caráter político-eleitoral das safadezas, escrevi um post intitulado CHEGOU A HORA DE A CAMPANHA DA OPOSIÇÃO ENTRAR NO “MODO DA RESISTÊNCIA INSTITUCIONAL”. É PRECISO CHAMAR LULA ÀS FALAS!. E escrevia ali:
Estou convencido, sem prejuízo de o tucano José Serra continuar a apresentar suas propostas, de que a campanha da oposição entra no que eu chamaria “Modo de Resistência Institucional”. Ontem, Lula usou a sua popularidade para pedir carta branca à sociedade para fazer o que bem entende. É preciso dizer com todas as letras: ONTEM, LULA REIVINDICOU O DIREITO DE DAR UM GOLPE DE ESTADO, tendo, circunstancialmente, as urnas como arma. Se alguma dúvida havia sobre o compromisso de Lula com a democracia, ela se desfez ontem. Não tem compromisso nenhum! Está evidenciado que ele a usa como arma tática e que a escalada petista supõe a desconstrução do estado de direito conforme nós o conhecemos.”

Marqueteiros costumam dizer: “Quem bate perde eleição”. Não sou marqueteiro, além de achar essa máxima uma bobagem desmentida pelos fatos. Mas isso não importa agora.  Para onde se olhe, o que se enxerga, à diferença do que reza a propaganda oficial, é a desconstituição do estado de direito e do estado como ente neutro, que representa a nação. Há um contínuo processo de privatização da administração pública — uma privatização bem particular, porque o “bem” é arrematado por um partido. Aliás, compreende-se o amor do PT por estatais: não as querem vendidas em leilões públicos porque as querem tomar em ações privadas, de que só participam os companheiros. Isso, sim, é “privataria”. Mas essa, pelo visto, é admirada por Eremildo, o Idiota.

Sé é assim a cada canto, em cada coisa, nos mínimos detalhes, por que supor que seria diferente no coração mesmo do poder? É uma questão de lógica. Não se trata de teoria conspiratória, de acusar os superpoderes do petismo para fazer guerrinha eleitoral — não disputo o poder; não é problema meu; eu diria até que essa gente me fornece matéria-prima para muito divertimento —, mas de reconhecer que existe um grupo no poder que tem um método. E ele não é bom porque despreza o estado de direito e rebaixa as instituições.

A farsa de uma “guerra ideológica” é só o cenário onde se dá, de fato, a guerra por recursos, por bens, pela grana, pelas benesses do estado. Outros governos poderão ter manipulado o dinheiro público em benefício de grupos, mas duvido que tenha havido algo parecido com isso a que se assiste hoje. O estado está se desconstituindo. Nada mais se resolve nos canais tradicionais da administração. LULA É SÓ A FACHADA DE UM GOVERNO PARALELO. E Dilma é candidata a substituí-lo.

Isso é o que está em jogo. Não apóio esse ou aquele. Eu repudio um modo de fazer política, que tem o requinte adicional de vir colorido com as tintas falsas dos “movimentos populares” e dos “sindicatos”, meros aparelhos partidários. Como diria o poeta, “o todo sem a parte não é todo, a parte sem o todo não é parte”. O governo Lula é uma unidade. Se o mandatário manda as leis às favas num palanque, por que não a mandaria em circunstâncias que podem ser ainda mais lesivas para a nação e os cofres públicos? Trata-se de um juízo lógico.

Assim, para definir o futuro presidente da República, é certamente relevante Serra ter 27%, 30% ou 37%. Para definir a minha reação diante das pesquisas, os números são bem menos importantes. Quaisquer que sejam, minha determinação não muda:
- digo “não” à degradação institucional;
- digo “não” à mistificação;
- digo “não” a larápios travestidos de amigos do povo;
- digo “não” à privatização do estado.

Podem relinchar à vontade. Mais relincham, mais me assanha a vontade de lhes correr as esporas.

Por Reinaldo Azevedo

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