2010-09-01

Lula, “Faixa de Gaza” e Fidel Castro

por Ipojuca Pontes em 14 de agosto de 2010 Opinião - Brasil

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Lula e Cabral encontram problemas na figura de um humilde garoto. Vergonha é pouco...

No Brasil, quando o cidadão imagina que já viu de tudo, sempre aparece mais uma. Está circulando pela internet um vídeo extraordinário, que anda fazendo furor. Ele foi distribuído por um blogueiro do Rio de Janeiro chamado Ricardo Gama

O vídeo foi rodado na base da câmera oculta, “pegadinha” típica, durante uma visita de Lula e o governador Sérgio Cabral ao Conjunto Habitacional Nelson Mandela, em Manguinhos, Rio de Janeiro, território conhecido pelo nome de “Faixa de Gaza”, onde funcionam tráficos de droga e armas.

Lula e Cabral, bem nutridos, cheios de empáfia, aparecem cercados por dezenas de policiais e aspones, quando se estabelece o instrutivo diálogo entre as duas genuínas autoridades populistas e um garoto, negro, de nome Leandro, morador local. A refrega, um quase interrogatório, no qual o garoto enfrenta os dois inquiridores, prima pela virulência. Leia a transcrição: 

Cabral: ... Vai ver nem joga futebol...

Lula: (interrompendo, em tom grosseiro) Não, não, não, não. Esquece. Qual é teu esporte, porra?...

Garoto negro: (em tom amistoso) É tênis.

Lula: E por que você não treina, porra?

Garoto negro: Porque aqui não tem tênis.

Lula: (mais agressivo) Tênis é jogo pra burguesia, porra... Me diz uma coisa... e natação?

Garoto negro: (sem pestanejar) A gente não pode entrar na piscina.

Cabral: (irritado) Por quê?...

Garoto negro: (conclusivo) Porque não abre para a população.  

Cabral: (vulgar, de olho em Lula) Que não abre pra população, rapaz!

Garoto negro: (firme) Eu já fui lá perguntar. Não senhor, não abre. Pergunte por aí.

Há um clima de estupor geral. O diálogo (quase interrogatório) é travado sob um sol brabo. Lula, esbaforido, já esquentado, volta-se para Sérgio Cabral e  para o Secretário de Obras do Estado, Ítalo Moreno, que fica mudo.

 

E dá-lhe mau caratismo e oportunismo...

Lula: (dedo em riste) No dia que a imprensa vier aí e pegar num final de semana essa porra fechada, o prejuízo político será infinitamente maior do que se pegar dois guardas e botar pra tomar conta. (Baixando o tom) Coloca aí dois bombeiros...

Mas o Garoto negro não dá refresco. No mesmo diapasão, volta-se para as duas autoridades populistas – o presidente e o governador:

Garoto negro: E a gente já acorda de manhã com dois “Caveirão” na nossa porta. Eu tenho um vídeo meu... se achar aqui... “Caveirão”, sim...

Cabral: (nervoso, falando aos borbotões, atropelando as palavras, irônico) E o tráfico... E o tráfico?... Não tem tráfico na tua rua?... Não tem troca de metralhadora?...

Garoto negro: Na minha rua, não. Eu não consumo.

Cabral: Não tem não, né?...

Garoto negro: Ter, tem. Mas eu não comparticipo... eu não comparticipo... eu  moro aqui, gente ... é a “Faixa de Gaza”...

Cabral: (engrolando as palavras, por trás de um Lula congestionado): Você diz  que não é otário... pra fazer discurso de otário... Que é isso, cara?...

Voz de aspone: Como é teu nome?

Garoto negro: Meu nome é Leandro.

Cabral: Oh, tu não me engana, não! Bota essa inteligência pra estudar, seu sacana.   

Garoto negro: Eu vou para a escola técnica...

Cabral: Leandro... vai estudar, cara. 

Garoto negro: Eu vou para a escola, sempre. 

O vídeo disponível no YouTube é irresistível. Diante dele, presenciamos uma cena que reúne, a um só tempo, medo, hipocrisia, cinismo, prepotência, oportunismo, tensão nervosa, estupidez, além do excepcional comportamento de um garoto de comunidade que leva ao pânico um presidente da República inconsciente e um governador de Estado moralmente acovardado.  

Conclusão: Se quiserem, de agora em diante as populações faveladas já têm como desmascarar a demagogia dos políticos em tempo de eleições: o apelo à câmara oculta, uma arma letal para se flagrar a dura tessitura da vida real!

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