2010-08-21

No país das bolsas

mussoline

 

No país das bolsas

Percival Puggina | 21 Agosto 2010
Artigos - Eleições 2010

Em Cuba há eleições. Na Venezuela há eleições. No Irã há eleições. E só os totalitários têm coragem de dizer que esses países são democráticos. As eleições que se avizinham são mero acessório de algo que se exaure.

Não nos restam mais do que vagos e deficientes indícios de democracia. Para identificá-los já se requer, inclusive, uma certa capacitação técnica. É necessário saber onde procurar. E é preciso usar, como fazem os peritos, os elementos de contraste que permitem discernir traços do que praticamente desapareceu.

Ninguém recusará que:

a) quanto maior a concentração de poder político, tanto menor a democracia;

b) quanto maior a influência do poder econômico, tanto mais frágil a democracia;

c) quanto menor a credibilidade do parlamento, tanto menor o crédito na democracia;

d) quanto maior a influência do poder político sobre os meios de comunicação, tanto pior a qualidade da informação e menor a capacidade de análise sobre os fatos que influenciam a vida das pessoas. E, consequentemente, suas decisões eleitorais. Tudo isso e muito mais já ocorre no Brasil. Em proporções avassaladoras.

Claro, claro, temos eleições. Mas democracia não se confunde com a realização de eleições nem é algo totalmente assimilado por elas. Em Cuba há eleições. Na Venezuela há eleições. No Irã há eleições. E só os totalitários têm coragem de dizer que esses países são democráticos. No Brasil, a concentração de poderes nas mãos do presidente da República só é menor do que a generosidade com que o Congresso Nacional os concede a ele. Como escrevi há poucos dias, o presidente chefia o Estado, o governo, a administração pública federal e as estatais. Executa um orçamento que corresponde a 22% do PIB nacional. Legisla sobre o que quer, a seu bel prazer, através de medidas provisórias de aplicabilidade imediata. Libera ou não, ao seu gosto, recursos para os estados e municípios. O que são as obras do PAC senão uma espécie de Bolsa Estado, ou Bolsa Município, distribuídas assim, como donativo, para as mãos súplices dos gestores locais?

Essas práticas, cada vez mais frequentes, somam-se ao poder que o partido do governo exerce nos fundos de pensão, nos sindicatos, no FAT, nas principais corporações funcionais do país. E ainda tem o Bolsa Família. Ah, o Bolsa Família, que Lula oposicionista chamava de comprar voto do eleitor que "pensa com o estômago"! Lula presidente potencializou o programa e é brandindo a ameaça de que a oposição, se vencedora, vai acabar com ele, que sua candidata se prepara para colocar a faixa presidencial no peito. E não podemos esquecer o mais robusto e sedutor achado da cartola presidencial: o Bolsa Empresa. É, leitor, você leu certo: o Bolsa Empresa. Foi o Bolsa Empresa que trouxe o empresariado nacional como gatinho mimado para o colo do governo, lamber mão e pedir cafuné. Afinal, os R$ 15 bilhões destinados ao Bolsa Família ficam constrangidos de sua indigência diante dos fabulosos financiamentos concedidos pelo BNDES às empresas brasileiras. Nos últimos dois anos, foram R$ 180 bilhões emprestados pelo governo ao Banco. O governo tomou esse dinheiro no mercado a mais de 10% ao ano (elevando significativamente a dívida pública, ou seja, a nossa dívida) e emprestou às empresas por um juro que não paga a metade do custo de aquisição. Bolsa Família para os pobres e Louis Vuitton para os ricos.

Poucos, muito poucos empresários brasileiros, hoje, não ficam deslumbrados, embasbacados, cada vez que Lula e Dilma abrem a boca. Ouvem-nos dizer - "Nós criamos 14 milhões de empregos!" - e batem palmas, mesmo sabendo que quem criou esses empregos foram eles mesmos, os empresários. Não percebem, interesseiros, cooptados como estão, que se a economia der alguns passos para trás e for necessário desempregar, o governo imediatamente vai lhes jogar nas costas a responsabilidade pelo desemprego.E a coisa fica assim: o governo cria o emprego e o empresariado cria o desemprego. É a lógica impostora que os tolos endossam.

Sim, leitor amigo, as eleições que se avizinham são mero acessório de algo que se exaure. Nenhuma democracia resiste a tamanha concentração de poder e a tanta cooptação.

Um comentário:

José de Araujo Madeiro disse...

Tia Cê,

Portanto, cara colega, precisamos trabalhar pela eleição do ¨Tiririca¨ para presidente, já que não temos oposição, nem imprensa, nem empresários. Estão todos cooptados.

Este é um palhaço, o Tirica, é um homem decente que sobrevive honestamente da sua profissão, que não usa do povo brasileiro, através, da distribuição de bolsas coça-sacos, para implantar sua ditadura, mas fazer das suas brincadeiras um meio de sobreviência, não da politicalha.

A Classe Médica deve se alertar. Com a eleição da Dilma, virão as reformas constitucionais, em cima do Art. 60º da CF, das suas Cláusulas Pétreas e dos Direitos Adquiridos. Ela será frontalmente atacada, precisa articular com o futuro Congresso. E por isto precisamos trabalhar pelo ¨Ficha Limpa¨ no Congresso Nacional.

O Lula, através da Dilma, tentará promover um ¨nivelamento por baixo¨, com deteriorização das nossas atividades profissionais, mais cedo ou mais tarde, sob gestão aed eternum do Poder Petralha.

Infelizmente, cara colega, temos que encontrar um meio de nos defender dessas insanidades petralhas, da sua Metamorfose Gramsciniana, para longevidade de um Poder Totalidade, acima da Lei. .

Att. Madeiro