2010-08-21

“Estou me sentindo sufocado”

Roberto Jefferson: “Estou me sentindo sufocado”

Carlos Graieb

Presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson não poupa críticas à campanha de Serra

Presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson não poupa críticas à campanha de Serra (Eduardo Naddar/AGIF/AE)

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, acordou atacado na última quinta-feira. Mal raiou o dia e ele carregou sua metralhadora giratória. No Twitter, atirou contra o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra – de quem é aliado – e contra o marqueteiro do tucano, Luiz Gonzalez. Entre outras coisas, disse que mal conhece Serra e que o tucano seria o responsável pela dispersão de seus aliados.
Também postou no microblog que a estratégia de campanha, desenhada por Gonzalez, estaria errada por omitir o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. E completou: Serra deveria pôr mais o pé na estrada para acompanhar a corrida às urnas nos estados.
Deputado cassado e réu no processo que investiga o mensalão – maior escândalo do governo Lula – Jefferson tem sido mencionado em perguntas direcionadas ao tucano sobre a aliança do PSDB com o PTB. Interlocutores dizem que o estopim para a revolta foi justamente esse: as respostas de Serra.
Na noite de quinta, Jefferson conversou com VEJA.com. Não baixou o tom. Conclamou o PSDB a ser mais firme. “O PSDB é o único grande partido  que tem rosto para fazer oposição”. Revelou estar insatisfeito com as diretrizes da campanha de Serra. “Estou me sentindo sufocado”. E exigiu respeito. “Se tem constrangimento, não me receba”.


Lula quer destruir a oposição
Se não assumir uma identidade agora, e se Dilma vencer a eleição, a oposição sai destruída deste pleito. Temos de nos contrapor a Lula, caso contrário, no futuro, ele fará o que quiser. Ele vai construir no Brasil um partido semelhante ao PRI, o antigo partido hegemônico mexicano, que governou a nação durante 71 anos, abrigando políticos domesticados, de todas as ideologias e matizes. Seremos todos lulistas, lutando por migalhas de poder.


O PSDB deveria reivindicar a herança de FHC
Querer se credenciar como herdeiro de Lula sem ser da família de Lula é um grande erro. É isso que a campanha de Serra está fazendo. Eu me lembro, na pré-convenção de Serra em Brasília, quando o Aécio Neves fez um discurso lembrando que o PT foi contra todas as grandes conquistas institucionais do período pós-ditadura. Foi um delírio. Esse é o discurso da oposição, não se pode renegar essa história.

Vamos pôr o Fernando Henrique Cardoso na TV para dizer o que ele fez. Vamos abraçar o seu legado. Os marqueteiros dizem que ele tem rejeição? A tucana Yeda Crusius tinha uma rejeição gigantesca no Rio Grande do Sul e a derrubou com o peito e a cara. O Lula cospe na herança de FHC. Ele reivindica méritos que não são exclusivamente deles. O próprio Bolsa-Família: ele foi aprofundado em oito anos, mas foi Ruth Cardoso quem deu início a esse tipo de programa.


Insatisfação com a campanha
Eu fico ouvindo na propaganda eleitoral aquela musiquinha horrível: “Depois do Silva, vem o Zé”. Isso é crise de identidade. Eu estou me sentindo sufocado.


Falta de comunicação com Serra
Eu não consigo falar com o Serra. Eu não sei qual é o meu papel nesta eleição. O Sérgio Guerra se esforça para fazer a ponte, ele é um cara especial. Mas só estive com o Serra duas vezes, uma na casa do Geraldo Alckmin, e outra na convenção do PTB.


Roberto Jefferson quer ser respeitado
Não sou herói, mas também não sou vilão. Eu não sou bandido. Quando Serra foi ao Jornal Nacional, o William Bonner me transformou em condenado. Isso me deixa doente. O Serra reagiu de maneira constrangida. Se tem constrangimento, não me receba. No debate do UOL foi melhor, ele me defendeu. Agradeço a ele por isso.

A situação dentro do PTB
Se Dilma Rousseff ganhar, serei cobrado dentro do meu partido. Gim Argello vai crescer para cima de mim. Fernando Collor vai crescer para cima de mim. Mas vou estar de pé. Ganhar ou perder eleição é consequência da luta. Eu posso perder eleição, mas não a identidade. Eu não sou Lula. Eu não sou PT.

Um comentário:

José de Araujo Madeiro disse...

Estimada colega Tia Cê,

Realmente esta campanha está nos rumos de se tornar plebiscitária.

Depois virão às reformas constitucionais, em especial sobre às Cláusulas Pétreas. A segurança do Estado de Direito.

Como um rolo compressor, o Lula pretende decepar a oposição e ficar hegemônico na política nacional. Quando a corrupção vai destruindo as instituições brasileiras, que para nada servem apenas para dizerem amém ao governo.

Infelizmente, vamos percebendo que uma ditadura vai sendo instalada e um mar de incertezas vai nos no afogando.

Quando vemos um títere, governando acima da Lei, que tudo pode e nada acontece, inclusive usando do cargo e das suas vantagens para fazer a eleição da sua sucessora. Não tem oposição e o Poder Judiciário parece inerte. Há suspeição de possíveis fraudes nas urnas eletrônicas.

O Lula tudo pode e vai sufocando o cidadão. E isto se chama ditadura.

Em contra-partida, o cidadão nada pode, se não dentro da Lei. Só não há fuzilamentos porque as FFAA não se submetem, mas até quando? Mas o
homem de bem sente-se no dever de cumprir à Lei, para não ser também bandido.

E este será o ônus de quem recebe um tipo de bolsa coça-sacos para nada fazer, mas com o dever de agradecer com seu voto cativo para o Lula, o pai dos pobres. Então elege-se a Dilma, para garantir o retorno do Lula em 2014 e até 2022, depois sabe DEUS!

E as políticas públicas, da saúde (do SUS?!), de educação ( do ENEM?!), de segurança (dos crimes, da cocáina, do narcotráfico e dos assaltos ?!), das favelas, das enchentes, etc ?

Que futuro estamos construindo?!.

Resta portanto ao cidadão a última tentativa de derrotar uma ditadura, para prevalecer-se diante dela: DA SONEGAÇÃO FISCAL. Percebendo que os impostos que são pagos para nada servem se não para corrupção e para manutenção de um governo inoperante e populista.

Att. Madeiro