2010-07-05

Os equívocos de FHC

Os equívocos de FHC

Por Nivaldo Cordeiro

Publicado originalmente no site Mídia sem Máscara

FHC é um propagandista perigoso do governo mundial, a ameaça mais letal que paira sobre a humanidade, equivalente ao retorno da escravidão institucionalizada.

O leitor amigo, que acompanha as minhas notas, sabe que reiteradas vezes tenho comentado os artigos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Hoje saiu mais um no Estadão ("Eleição sem maquiagem") e, como sempre, preciso dizer o que dele penso. O artigo está dividido em dois temas. O exórdio fala da economia mundial e a parte principal é uma análise das candidaturas postas (Serra e Dilma), capazes de ganhar as eleições.

Comecemos pelo exórdio. Ele escreveu:
"O mundo continua se contorcendo sem encontrar caminhos seguros para superar as conseqüências da crise desencadeada no sistema financeiro. Até a ideia (que eu defendi nos anos 1990 e parecia uma heresia) de impor taxas à movimentação financeira reapareceu na voz dos mais ortodoxos defensores do rigor dos bancos centrais e da intocabilidade das leis de mercado. No afã de estancar a sangria produzida pelas exacerbações irracionais dos mercados, outros tantos ortodoxos passaram a usar e até a abusar de incentivos fiscais e benesses de todo tipo para salvar os bancos e o consumo".

Neste parágrafo estão contidos todos os erros e mentiras que gente da social-democracia tem propagado como causa da grande crise que grassa no mundo, com os perigos de iminentes agravamentos. Definitivamente, a crise não foi desencadeada pelo sistema financeiro internacional. Essa é uma mentira colossal e sei perfeitamente que FHC sabe disso. A aceitação dessa mentira leva ao corolário que ele mesmo acrescenta, de que há de haver um governo mundial capaz de tributar e dizer aos banqueiros para onde devem direcionar os recursos de seus depositantes poupadores. FHC é um propagandista perigoso do governo mundial, este a ameaça mais letal que paira sobre a humanidade, equivalente ao retorno da escravidão institucionalizada. A apoteose do estoicismo.

Quais são mesmo as verdadeiras causas da crise? O crescimento do Estado, em todos os campos, sobretudo na previdência social e na tentativa de eliminar o risco existencial e a própria lei da escassez, inerentes à condição humana. É o crescimento do déficit público, da dívida pública e da emissão de moeda. A social-democracia gerou a escandalosa montanha de gente que vive em ócio remunerado, uma imoralidade proibida explicitamente pelos textos sagrados, paga com o suor de quem trabalha. A social-democracia tem esse único programa, de formar multidões de desocupados cheias de "direitos humanos", que vivem vampirizando aqueles que trabalham diuturnamente.

Portanto, é grossa mentira dizer que a "sangria produzida pelas exacerbações irracionais dos mercados" é a causa dos males do mundo. É a sangria produzida pelos Estados governados pela social-democracia, conduzidos por uma elite degenerada, uma verdadeira estupidez criminosa da elite (apud Voegelin, HITLER E OS ALEMÃES, página 143) que está destruindo os pilares da ordem para lançar o mundo no caos que tem crescido como as ondas de um tsunami.

FHC se jacta de ter proposto criar uma taxação sobre o capital financeiro, como se isso não viesse a ser um agravamento da situação, com mais recursos saindo da iniciativa privada para passar à esfera do poder arbitrário dos burocratas. É uma alucinação perigosa, mas os globalistas como FHC continuam insistindo na dupla mentira, a de que a crise é provocada pelos "mercados" e não pelo Estado e que mais impostos, agora transnacionais, seriam a solução, a panacéia.

É preciso denunciar essa farsa com toda força, É o mal em ação.

Na segunda parte FHC faz a gênese da candidatura de Dilma Rousseff, construindo um paralelo entre o que fez Lula e o que fazia o antigo PRI, no México. Ora, partidos revolucionários são assim, o comitê central é que escolhe o nome. Dentro do regime democrático compete ao departamento de propaganda simplesmente achar os meios certos para que o nome escolhido seja consagrado. FHC sempre soube disso. Ele se esquece de dizer que ele mesmo é o principal responsável pelo crescimento do PT, que agora ameaça a ordem democrática no Brasil. Mas o ex-presidente não tem uma única palavra de autocrítica sobre seu papel histórico na formação do PT e na facilitação da chegada de Lula ao poder. O demônio saiu de sua própria cartola. Houve um tempo em que seria possível impedir que a jibóia crescesse, mas ele se acovardou ou achou que poderia controlar o seu rebento. Está sendo devorado pelo monstro que criou.

Mesmo sua denúncia de agora é fraca e cheia de eufemismos. Não disse que o PT é marxista-leninista, que busca implantar a ditadura do proletariado, que quer o regime de partido único e a simbiose do partido com o Estado. Nunca deu o sinal de alarme para que a Nação possa mover os meios adequados para impedir que nos tornemos uma ditadura do proletariado, espantando os revolucionários profissionais.

FHC está com medo do PT, mas não quer enfrentá-lo a peito aberto com base na verdade histórica, talvez porque, para ter moral para isso, tenha primeiro que fazer o mea culpa. E FHC se esquece também de dizer que seu candidato, José Serra, não é muito diferente de Dilma; ambas as biografias se assemelham. Foi FHC o grande responsável por reduzir as disputas políticas no Brasil num torneio entre mais esquerdas e menos esquerdas. A direita política no Brasil foi assassinada pela social-democracia fernandista.

Ler um artigo desses do FHC me provoca dor na alma. O Brasil está perdido. Não temos homens públicos com estatura para enfrentar os desafios dos tempos. A mistura entre cumplicidade e covardia está entregando o país nas mãos dos revolucionários mais inescrupulosos.

Publicado por Klauber Cristofen Pires às 8:43 PM

Um comentário:

w disse...

FHC, injetando dinheiro público nas veias do monstro, fortaleceu o MST. FHC defendeu a brilhante idéia de deixar Lula sangrar até as eleições, quando do escândalo do mensalão --e Lula acabou reeleito! FHC defende a legalização da maconha... Como alguém de quem se diz que é tão inteligente consegue fazer tanta merda?

Dizem que na campanha para a prefeitura de São Paulo (naquela em que ele se sentou na cadeira de prefeito antes da votação) uma mulher simples, em algum ato da campanha, perguntou se era verdade que ele pretendia colocar maconha nas escolas. A campanha do Jânio espalhava esse boato. FHC, ser superior, não se dignou responder à pobre mulher. Certamente fez complexas racionalizações que atestavam o absurdo daquela pergunta. No entanto, a mulher estava certa... FHC podia não querer colocar a droga na merenda escolar, mas atua de modo a que ela alcance cada escola e cada criança...