2010-05-26

SERRA CHAMA AHMADINEJAD POR AQUILO QUE AHMADINEJAD É

Mmoude

 

SERRA CHAMA AHMADINEJAD POR AQUILO QUE AHMADINEJAD É

terça-feira, 25 de maio de 2010 | 17:08

Na Folha Online. Volto em seguida:

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, classificou como “ditador” o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, durante entrevista coletiva após sabatina com empresários na CNI (Confederação Nacional da Indústria). Para o tucano, o iraniano faz parte do “grupo de ditadores da década de 30, como Hitler e Stalin”.

Apesar das críticas ao presidente iraniano, Serra disse que não duvida das “boas intenções” do governo brasileiro ao intermediar acordo nuclear do Irã. Ele afirmou, porém, que “desconfia” do governo iraniano para o cumprimento do acordo. “Não creio que haja má intenção; torço para dar certo.”

Mais cedo, no mesmo evento, a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, defendeu a atuação do governo brasileiro na questão nuclear iraniana, afirmando não acreditar na política de sanções.

Comento
Haverá chiadeira, claro!, contra a declaração feita por José Serra. Algum “historiador” do complexo PUCUSP será chamado a contestar a afirmação, sustentando que há diferença de tamanho e raio de ação entre os três facinorosos. É verdade. Os tempos são outros. Trata-se de uma questão de natureza.

Muito já se falou, a meu ver com acerto, que o regime iraniano poderia ser caracterizado como “fascismo islâmico”: trata-se, na prática, de uma ditadura ancorada no apoio de “maiorias” rigidamente controladas por um estado policial. O valor essencial manipulado por esse estado é a “unidade”, de sorte que o exercício da divergência, apanágio dos regimes civilizados, é confundido com sabotagem, punida, como temos visto em espetáculos grotescos, com enforcamentos públicos.

O “fascismo islâmico” dos aiatolás, a exemplo de todos os outros fascismos, também está em guerra permanente — no caso, contra o Ocidente, os Estados Unidos em particular, e os judeus, O antissemitismo disseminado no Irã tem características francamente nazistas. Mahmoud Ahmadinejad, o “companheiro” de Lula para “um outro mundo possível”, não é um contumaz negador do Holocausto por acaso.

Ahmadinejad — e o regime que ele representa — fica bem no figurino do Hitler dos primeiros tempos, aquele que líderes europeus pensavam que podia ser contido com concessões: “Ok, pode pegar os Sudetos, mas não vá invadir toda a Checoslováquia”. Ao que respondeu o Bigodinho: “Ok, combinado, deixem comigo!” Deu no que deu.

A associação entre as três figuras é importante porque remete à forma como tem de ser tratado o “fascismo islâmico” iraniano: deve-se ceder às suas chantagens ou contê-lo enquanto pode ser contido? Eu não tenho dúvida sobre a resposta correta.

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