2010-03-12

VACCARI, O HOMEM SEM VISÃO

 

Coluna do

Augusto Nunes

 

SEÇÃO » Sanatório Geral

Truque de bandido

12 de março de 2010

 

“Ele que vá fazer gracinhas com as negas dele”.

João Vaccari, tesoureiro do PT e ex-presidente da Bancoop, na entrevista ao Estadão, referindo-se desrespeitosamente ao promotor José Carlos Blat para ser preso por desacato e poder alegar, quando receber o merecido castigo pelas bandalheiras na cooperativa, que só foi engaiolado por ter ofendido um integrante do Ministério Público.

 

Vaccari investe no caixa dois, Ideli quer premiar a ignorância e Serys defende a divisão dos sexos

10 de março de 2010

Por Augusto Nunes

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Staff

“O Zé Dirceu foi quem convenceu o chefe de que, mesmo depois do mensalão do PT e da Turma do Panetone, desviar dinheiro dá prestígio e rende voto”,  confidenciou um assessor de João Vaccari na festa de lançamento da candidatura do tesoureiro do PT ao título de Homem sem Visão de Março. Durante a solenidade, promovida numa das casas que não foram entregues aos associados, o sucessor de Delúbio Soares considerou-se satisfeito com o impacto provocado pela principal bandeira de campanha. ”Lesar centenas de cooperados não é para qualquer candidato”, gabou-se.

Ambas interessadas em pegar carona nos festejos do Dia Internacional da Mulher, entraram na disputa as senadoras Ideli Salvatti, um berreiro à procura de uma ideia, e  Serys Slhessarenko, a vergonha de Mato Grosso. Eleita no ano passado Musa do HSV, Ideli lançou-se ao  enxergar na proposta de Tasso Jereissati, que aumenta o valor do Bolsa Família para famílias com filhos que tenham um bom desempenho escolar, “contradição social e pedagógica que pressiona as crianças”. Segundo a concorrente ao troféu do mês, “o valor deveria ser maior para aqueles que não tiram boas notas”, porque “são esses que vão precisar de mais ajuda financeira para mudar de vida”.

Serys viu na candidatura de Dilma Rousseff uma chance de permitir que todas as brasileiras, sem saírem de casa, sintam o que sente quem se senta na poltrona presidencial. ”Todas as mulheres vão saber como é ocupar o gabinete no chefe”, explicou a senadora.

A entrada em cena da trinca confirma que será travada neste março a maior disputa da história do Homem sem Visão! Já foram lançados Franklin Martins, José Dirceu, Celso Amorim, José Antonio Toffoli e Nilcéa Freire. Um timaço está em campo! Só craque! Qual deles será escolhido pelos leitores-eleitores? Ou qual delas?  Como escolher entre tantos campeões o ganhador do do troféu que nenhum candidato cobiça? A campanha está pegando fogo! Que vença o pior!

 

O pai de todos os escândalos (parte 1: Deonísio da Silva explica a origem da palavra mensalão)

24 de fevereiro de 2010

 

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Como foi o episódio do mensalão?, precisa saber o Brasil dos desmemoriados. Como nasceu, cresceu e começou a morrer o pai de todos os escândalos? Que fim levou o bando que montou o esquema criminoso e dele usufruiu gulosamente? Estas e outras perguntas serão respondidas nesta série sobre a mais espantosa roubalheira da história da República. No texto de abertura, o escritor e professor Deonísio da Silva, um dos mais notáveis domadores de palavras do Brasil, explica a origem do termo mensalão. Bom começo. O resto saberemos nos posts seguintes.

Se o leitor procurasse o verbete “mensalão” nos dicionários antes de 2005, não o encontraria. O português veio do latim, mas na Roma antiga havia corrupção, que era combatida duramente por oradores e políticos como Cícero, que por falar tanto e tão bem deu nome aos guias turísticos, os cicerones. Mas não havia mensalão. Esta palavra é criação genuinamente brasileira, adaptada de mensal, um adjetivo de dois gêneros que foi substantivado e transformado em aumentativo.

Antonio Fernando de Souza, procurador-geral da República, foi quem fez a denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF): uma organização criminosa, chefiada por José Dirceu, ex-deputado federal, cassado por seus pares, e ex-ministro da Casa Civil, demitido pelo presidente Lula, era integrada por quarenta pessoas, que foram acusadas de oito crimes, pelos quais estão respondendo no STF, depois que a denúncia foi aceita pelo ministro Joaquim Barbosa. Os crimes: formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta.

Na mesma denúncia, o publicitário Duda Mendonça responde por operações de lavagem de dinheiro, por ter recebido do PT uma montanha de dinheiro no exterior. O Brasil passou a tomar conhecimento do esquema por meio das denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), publicadas originalmente pela Folha de S. Paulo em 6/6/2005. Dos 40 denunciados, cinco são mulheres.

Este artigo faz considerações sobre palavras extraídas de reportagens que se ocuparam da denúncia e tiveram como tema solar o mensalão.

Mensalão veio de mensal, mesma origem de mensalinho, que nasceu por analogia com mensalão. Mensalinho ainda não está nos dicionários. Mensalão, já. (AN: o escândalo do mensalão envolveu meio mundo. O caso do mensalinho foi estrelado solitariamente pelo deputado pernambucano Severino Cavalcanti. Presidente da Câmara, o parlamentar do PP teve de deixar o cargo depois da descoberta de que extorquia mensalidades de R$ 10 mil do empresário Sebastião Buani, que explorava o restaurante da Câmara. Era o mensalão em ministura. Um mensalinho).

Mensal chegou ao português no século 18, segundo registro do padre Rafael Bluteau, o mesmo que encomendou a criação da palavra pirilampo para substituir caga-fogo ou caga-lume, aceitando mais tarde o eufemismo vaga-lume. Mensal veio do latim tardio mensualis, que provavelmente mesclou mês (mensis) e medida, feminino de medido (mensus).

É impossível que nenhum jornalista tenha ouvido a palavra antes da publicação das denúncias. O neologismo estava na boca de diversos parlamentares cujas ações eles cobriam.

Utilizada na matéria que desvendou o esquema da organização criminosa denunciada pelo procurador-geral da República ao STF, a palavra ganhou também a mídia internacional, dando trabalho aos tradutores.

Redatores de países em que o espanhol é a língua oficial, adotaram mensalón. No inglês, virou big monthly allowance (grande pagamento mensal) e vote-buying (compra de votos. O prestigioso jornal francês Le Monde referiu em meio a expressões insólitas de reportagens sobre o governo Lula, tais como scandale de corruption, um certo “mensalao”, mensualité versée à des députés alliés au PT, révélé en 2005.

Nota: este artigo é uma adaptação de vários textos escritos para o Observatório da Imprensa. A coleção completa desse e de outros verbetes está no livro “De onde vêm as palavras” (Editora Novo Século), de Deonísio da Silva, que está na 16ª edição. O escritor também assina a coluna Etimologia, publicada semanalmente na revista CARAS.

Agora que vocês já sabem como nasceu a palavra, preparem o estômago: vem aí o parto do mensalão.

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