2010-03-18

SATANISMO, INCESTO E PEDOFILIA INFILTRADOS NA IGREJA CATÓLICA

‘Líder da Legionários de Cristo foi cúmplice da devassidão de Maciel’

Maciel-Corcuera

Inicialmente, Álvaro Corcuera era mais uma das vítimas de abuso sexual do padre Marcial Maciel, fundador da ordem Legionários de Cristo. Depois, Corcuera e Maciel se tornaram amantes. Quando em maio de 2006 foi afastado pelo Vaticano, Maciel conseguiu indicar como seu sucessor o Corcuera, que até hoje é o diretor-geral da Legionários.

Esse relato -- do pesquisador Fernando M. Gonzalez, da Unam (Universidad Nacional Autónoma do Mexico) à revista mexicana Processo – é uma das evidências do envolvimento da atual direção da ordem com a vida devassa de Maciel, que morreu aos 88 anos em 30 de janeiro de 2008.

Corcuera, em discurso feito no dia 23 deste ano, não se envergonhou de enaltecer Maciel.  “Manifesto o meu desejo de continuar na mesma estreita fidelidade ao carisma da congregação e da pessoa do fundador. E continuar a obra por ele iniciada ao serviço da igreja”, disse.

Algumas semanas depois, o Vaticano anunciou uma “visitação apostólica” na ordem, o que, na prática, significa uma intervenção.

Gonzalez, autor do livro “La Iglesia del silencio: de mártires y pederastas” [“A Igreja do silêncio: de mártires a homossexuais”], conta que o padre Cristóforo Fernández, procurador-geral da ordem, portanto o terceiro na hierarquia da Legionários, também foi amante de Maciel e, depois, aliciador de jovens para o depredador sexual.

Para o pesquisador, o Vaticano, se realmente deseja limpar a ordem dos cúmplices do devasso, terá de substituir todos os membros da direção por sacerdotes de diferentes países, de modo a aniquilar uma panelinha de padres mexicanos que se colocam como os ‘donos’ da Legionários de Cristo, uma ordem bilionária.

Gonzalez tem dúvidas de que haja uma higienização para valer, porque, diz, os cincos interventores (bispos e arcebispos) pertencem a ordens que também têm “seus pedófilos, seus religiosos com mulheres e seus homossexuais com parceiros”.

O pesquisador acha que possa ocorrer uma troca de gentilezas: “Eu cubro seus pedófilos, e você cobre os meus”. É assim que a estrutura da igreja funciona, diz.

Recentemente, a revista italiana Panorama revelou o nome da filha que Maciel teve com uma espanhola, uma de suas amantes. Filha e mãe têm o mesmo nome: Norma Hilda. Ambas moram em Madri (Espanha), em um edifício onde só tem gente endinheirada. A mãe chegou a reivindicar da  Legionários a herança da filha. Deve ter havido um acordo porque a espanhola se aquietou.

Especula-se que Maciel tenha outros filhos.

Os bispos costumam lembrar que os sacerdotes também são pecadores, são de carne e osso como todo mundo, e, por isso, é normal que sofram as tentações do demônio. Mas na história recente da Igreja Católica não há ninguém que supere o padre Marcial Maciel em devassidão.

Além de abusar de crianças e adolescentes, o padre dava golpe do baú em viúvas ricas, promovia bacanais com homens e mulheres e era viciado em drogas.

No livro, o pesquisador informa que arquivos secretos do Vaticano guardam testemunhos segundo os quais  Maciel algumas vezes teve de ser socorrido em hospital por exagerar nas drogas. Por uns tempos, o padre também teria recorrido ao tráfico.

Gonzalez conta que Maciel viajava muito e quase sempre acompanhado de seminaristas. Há a suspeita de que ele transportava droga em um fundo falso de sua maleta de pele de crocodilo.

“Existe a história de que, em uma ocasião, abriram a mala no aeroporto, e o pó branco se esparramou. Marcial interveio: ‘É pó de gesso para fabricar santo’. E seguiu em frente, liberado pelas autoridades.”

> Caso do padre Marcial Maciel, o devasso.

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