2010-03-11

LULA CHUPA BALA EM SUA “GREVE DE FOME”

LULA E O FATALISMO TIRÂNICO E FALASTRÃO DAS BALAS PAULISTINHA


Por Reinaldo Azevedo
quinta-feira, 11 de março de 2010 | 5:55
farinas


Vocês estão vendo este homem? É o dissidente cubano Guilhermo Fariñas, um jornalista e psicólogo de 48 anos, que está em greve de fome desde o dia 24 de fevereiro, quando protesto idêntico matou o também dissidente Orlando Zapata. Farinãs reivindica a libertação de 26 presos políticos. Dele se pode dizer que não chupa balas Paulistinha escondido. Dele se pode dizer que não é daquele tipo de fatalista que acredita que nenhum homem pode resistir à tentação da trapaça, que não esmorece diante de um pacote de balas Juquinha; que não se queda de joelhos por um punhado de balas Toffees.
Agora eu peço que vocês vejam o vídeo deste outro homem, um ex-preso político brasileiro, num depoimento concedido ao jornalista Augusto Nunes, que já postou o vídeo em seu blog, aqui na VEJA Online. Recomendo especial atenção ao depoimento a partir dos 2min23s, quando ele fala de sua “greve de fome”.


Por conta da prisão, que se deu nas condições acima relatadas, Lula recebe hoje em dia, todo mês, religiosamente, algo em torno de R$ 6 mil. Trata-se de uma pensão em si mesma indecorosa porque, mesmo na cadeia, à diferença dos “companheiros” em greve , que nunca tiveram compensação nenhuma, o sindicalista Lula jamais deixou de receber o salário que lhe pagava o sindicato. Àquela época, seu compadre rico, Roberto Teixeira, já lhe cedia uma casa confortável e supria outras necessidades. Teixeira jamais teve motivos para se arrepender de tamanha generosidade. Em linguagem de mercado financeiro, pode-se dizer que comprou uma opção magra e a viu engordar de forma espetacular. Um homem de negócios, enfim.
Como se pode notar pelo testemunho do próprio Lula, ele trapaceou na greve de fome. E foi uma trapaça que se exerceu em dois planos ao menos: enganou a  “classe”, que pensava, então, no seu “martírio” e se condoía; enganou os próprios colegas de cela, já que, afirma, escondia as balas debaixo do travesseiro. Foi Djalma Bom, diz ele, um seu subordinado na hierarquia sindical, que jogou fora as guloseimas. Lula já se mostrava o líder que viria a ser: permissivo, um tanto fanfarrão, sempre disposto a negociar com princípios, embora, para consumo público, soubesse manter exemplarmente as aparências.
Lula foi preso em abril de 1980. Não havia mais tortura contra presos políticos nesse período, e o Brasil já tinha aprovado, no ano anterior, a Lei da Anistia. Mas Lula combatia — e estava longe de ser o único — um regime que, a despeito de tudo, lhe garantia regalias. E ele não via problema naquela doce informalidade, em que o delegado Romeu Tuma fazia de conta que aplicava com severidade a Lei de Segurança Nacional, e os presos faziam de conta que sofriam nas masmorras.
Nas cadeias cubanas, as coisas são muito diferentes. Não há televisão, rádio, jornais, concessões especiais. São masmorras de fato, onde se tortura, se espanca e se mata. Estima-se em até 200 os presos de consciência na ilha. Na já histórica entrevista à AP, Lula comparou os dissidentes a bandidos — a mesma, então, forma de banditismo que ele praticou um dia.
No depoimento acima, Lula admite que a mobilização da sociedade e da imprensa ajudava a protegê-lo — ainda que reste evidente que Romeu Tuma jamais o molestaria. Até o dentista, diz o agora presidente, tinha medo de mexer em seu dente, com receio de que algo desse errado e que a imprensa, já adoradora de Lula, visse naquilo uma tramóia do regime. Em Cuba, não existe sociedade na rua porque os tontons-macoutes de Fidel e Rául Castro espancam que protesta; em Cuba, não existe imprensa livre, porque até a Internet é censurada. O regime com o qual Lula queria acabar já permitia a emergência de uma sociedade civil. O regime que Lula preserva de qualquer crítica elimina mesmo fiapos de liberdade.
A mitologia esquerdopata inventou um Lula com têmpera de aço, patacoada que foi repetida no filme, que naufragou — o que demonstra haver uma reserva de bom senso ao menos no público que se interessa por cinema. O episódio das balas Paulistinha diz muito de seu espetacular oportunismo. Sim, ele se alinha com o governo dos irmãos Castro e  está pouco se lixando para a questão democrática, mas não é menos verdade que  não consegue conceber que alguém leve adiante, com tanta determinação, uma greve de fome ou um sacrifício. Como ele não resistiu às tentações da balinha, não consegue compreender que outros o façam.
Não gosto da idéia, se querem saber, de greve de fome; insere-se, para mim, numa ordem de questões superior às da política. Não me são bem-vindas as práticas que atentam contra a vida, mas é evidente que posso compreender os motivos de Zapata e de Fariñas. Faço essa observação porque não poderia deixar de lado, porque não deixo nunca, uma questão de princípio. MAS QUE FIQUE CLARO: ZAPATA E FARIÑAS NÃO ESTÃO EM JULGAMENTO, MORAL AO MENOS, E SIM A TIRANIA CUBANA. JULGAR A FORMA DE PROTESTO DOS DISSIDENTES É INDECOROSO, É INDECENTE. E comparar presos políticos a bandidos é uma manifestação da mais escancarada delinqüência política.
Fariñas é um filho do regime. Chegou a estudar na União Soviética. Seus pais foram revolucionários de primeira hora. O pai chegou a acompanhar Che Guevara na malfadada aventura revolucionária no Congo. Há 21 anos, ele milita na oposição. Já fez, nesse tempo, 23 greves de fome e passou 11 anos e meio na prisão. Por que faço essa lembrança? Os que, na democracia, lutam em favor do socialismo — ou, sei lá, daquilo que chamam “democracia popular” (e que não se distingue de uma ditadura de partido único) — o fazem segundo as garantias que lhes dá o estado de direito. E contam com mais do que isso: têm a seu favor até a leniência de agentes do estado que se negam a aplicar a lei. É o caso, por exemplo, no MST. Nas ditaduras socialistas, os que lutam por democracia arrostam com a própria morte. Isso evidencia a superioridade moral da democracia e a imoralidade intrínseca das esquerdas.
Lula não pode entender isso. Lula não acredita em homens que resistam às balas Paulistinha ou às generosas doses de uísque que partilhava com os empresários do Grupo 14 da Fiesp, enquanto a massa de grevistas aguardava as palavras de ordem de seu Macunaíma adotado pelos marxistas da USP e pelos padrecos da Escatologia da Libertação.
Aquilo deu nisto: o fatalismo tirânico das Balas Paulistinha.

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