2010-01-11

MORRE ERIC ROHMER

Diretor francês Eric Rohmer morre aos 89 anos
11/01 às 16h05 O Globo

o cineasta francês eric rohmer morre aos 89 anos/ ap

RIO - O diretor de cinema Eric Rohmer morreu nesta segunda-feira aos 89 anos, confirmou a produtora do cineasta francês, Les Films du Losange, sem divulgar a causa. Um dos principais nomes da Nouvelle Vague, Rohmer dirigiu o clássico "A colecionadora" (1967), além da série "Contos das quatro estações", filmada ao longo da década de 1990.

Conhecido por filmes que exploravam as complicações das relações amorosas, o cineasta trabalhou até recentemente. Seu último filme, "O amor de Astrée e Céladon", foi lançado em 2007.

lembre alguns filmes de eric rohmer

Nascido Jean-Marie Maurice Scherer em 4 de abril de 1920 em Nancy, na França, Eric Rohmer foi professor de Letras e adotou o pseudônimo pelo qual ficou conhecido quando começou a frequentar a Cinemateca Francesa, no final da década de 1940.

Depois de colaborar com váriais publicações, criou em 1950, ao lado de Jean-Luc Godard e Jacques Rivette, a revista "Gazette du Cinéma". No mesmo ano, estreou nos cinemas com "Journal d'un scélérat", considerado o primeiro filme da Nouvelle Vague. No ano seguinte, juntou-se a André Bazin na revista "Cahiers du Cinema", da qual foi editor-chefe de 1956.

O primeiro sucesso comercial de Rohmer foi "Minha noite com ela", de 1969, pelo qual foi indicado a dois Oscar e recebeu diversos prêmios internacionais. Entre seus principais filmes estão "O joelho de Claire" (1970), "Amor à tarde" (1972), "A Marquesa d'O" (1976), "Pauline na praia" (1983) e "O raio verde" (1986).

Em 2001, ele recebeu um Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza pelo conjunto de sua obra.

Adeus, Monsieur Rohmer

Arquivado em: Cinema incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 11 de janeiro de 2010

Tags: Eric Rohmer

Só uma notícia desse porte para tirar-me do meu recesso: morreu Eric Rohmer. Para quem não sabe, foi um dos gigantes do cinema. Cada filme seu é uma pérola – parábolas morais que mostravam como o homem moderno estava perdido em tentações tão sutis. Seu Ma nuit chez Maud (1968) é o filme sobre os tormentos de um jovem católico que se depara com duas mulheres lindas ao mesmo tempo; seu O Joelho de Claire (1971) transformava Lolita em um conto da carrochinha; seu O Amor à Tarde (1974) era uma meditação sobre os dois lados do adultério; e seu A Inglesa e O Duque (2002) é o melhor filme sobre a Revolução Francesa já feito.

Além disso, Rohmer era um dos meus modelos de artista, junto com Salinger, Pynchon, Dylan, Kubrick e Bresson. Sempre discreto, sempre misterioso, recusava-se a falar com jornalistas exceto quando algum parecia emitir alguma luz – o que era sempre díficil. Aliás, Rohmer não era Rohmer: chamava-se Maurice Schrerer e, como se não bastasse, é autor de um livro sublime sobre o estilo musical de Mozart e Beethoven.

Que descanse em paz.

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