2009-12-14

O ESQUECIMENTO GLOBAL

VIROU RELIGIÃO. NÃO É MAIS CIÊNCIA

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009 | 6:03

Afirmei que Copenhague reza a última missa do aquecimento global, e muita gente ficou brava. Alguns ficaram verdadeiramente furiosos: “Se você mesmo disse que não é especialista na área, por que fala besteira?” Quem escreve também não é. Ele considera que falo besteira porque não concordo com ele. Entenderam o espírito da coisa? Já escrevi e reitero: desde sempre, o meu ponto é outro. Por que a imprensa esconde a argumentação dos que contestam os apocalípticos? Por que estudiosos não menos respeitados e respeitáveis que negam as conclusões do IPCC são tratados como párias? Estamos num terreno semelhante ao da ideologia. Mais: o espírito que passou a conduzir este debate passou a ser religioso.

Estamos vivendo num cenário tão surrealista que as pessoas parecem não se dar mais conta do que pensam ou escrevem — ou talvez se dêem, sei lá, e estão apenas garantindo posições que foram assumindo no establishment. Prefiro não especular sobre motivações e me fixar nos absurdos que leio.

No dia 8, numa coluna no New York Times, Paul Krugman — pode não ser o meu predileto, mas, de hábito, não é um imbecil — disse algumas notáveis imbecilidades. Sei lá que diabo de e-mails ele anda recebendo, mas, segundo diz, as pessoas que contestam as teses do aquecimento global se mostram furiosas com quem sugere que “talvez, apenas talvez, a esmagadora maioria dos cientistas esteja certa” (sobre o aquecimento).

Os leitores de Krugman são realmente diferentes. Mundo afora, o que desperta fúria e censura é justamente duvidar desse consenso. Mais: Krugman não se dá conta do que escreveu: ele diz de uma esmagadora maioria que “talvez, apenas talvez”, esteja certa. Em suma: ele fala de uma maioria que acredita numa possibilidade  — como numa religião qualquer. Ocorre que essa crença pode ter conseqüências. Mais: em ciência, duvidar do “talvez” e, sobretudo, da “convicção da maioria” é mister e virtude, não defeito.

Krugman diz ainda que os que contestam o aquecimento global se alinhariam àquele antiintelectualismo que cantava as glórias de George W. Bush porque ele não era alguém que pensasse muito. Entenderam? Não endossar as teses escatológicas nas quais Krugman acredita é uma manifestação de estupidez, de burrice. Mais: ele atribui a “loucura antiambientalista” ao fato de que muitos não suportam viver em mundo em que tenham de controlar seus apetites. Ah, bom!

Ninguém vai perguntar o que entende Krugman das geleiras ou da temperatura do mar. Mas respondo: “Nada”! Como eu e a maioria de vocês. A fama e o respeito de que desfruta se baseiam em outra especialidade. Tem tanta autoridade para falar sobre o assunto quanto eu e Angelina Jolie — só a beleza nos diferencia. Mas ele não será questionado porque, vê-se, aderiu à religião. Krugman não precisa nem mesmo dizer por que seus opositores estão errados. Basta que os classifique de antiintelectualistas — e, vejam lá, “conservadores”. Um conservador pode até saber por que apanha. Mas um “progressista” não precisa saber por que bate… O analista da alma dos antiambientalistas conclui o seu texto não com ciência ou evidência, mas com um norte moral: “Precisamos controlar nossos apetites”. É o que diz o nosso padre, o nosso rabino, o nosso monge, o nosso pastor. Krugman, definitivamente, tornou-se um crente.

Briga dos diabos
Copenhague não chegará a um acordo vinculativo, nota-se porque se tornou palco de disputas, e nem poderia ser diferente, que, no fundo, são comerciais.

Qual é o “governo mundial” que imporá uma meta de redução de emissão de carbono aos EUA, sem que a China seja obrigada a reduzir drasticamente as suas emissões? E ela vai fazê-lo? Crescendo entre 8% e 11% ao ano? Não vai! Os EUA arcarão com o peso que o mundo cobra, à custa de sua economia? Krugman acha que isso é mera conversa de leiloeiros. Enquanto ele tiver em mãos apenas algumas dicas de moral e bons costumes, nada vai acontecer.

Os jornais de hoje cantam a glória de Dilma Rousseff — que dúvida!? — porque teria falado grosso em Copenhague. Segundo ela, quem tem de meter dinheiro para reduzir a emissão de gases são os países ricos, não o Brasil; o Brasil quer é parte da bufunfa. E, abusando daquela retórica contra os ricos que tanto agrada a alguns bocós, jogou a culpa do aquecimento nos EUA e na Europa. É verdade. Dilma se esqueceu de computar, certamente, quanta emissão de carbono custaram desenvolver as vacinas e o Prozac, desembarcar as tropas na Normandia ou combater o terrorismo global.

Também somos bons
Ora, somos todos bons. Eu sou bonzinho. Diogo é bonzinho. Os céticos são bonzinhos. Muitos podem não acreditar, mas somos contra a poluição, o desmatamento, o lixo nas praias, os rios poluídos, o arroto de metano dos idiotas etc. Ocorre que dispensamos a linguagem do terror. Também achamos melhor viver num mundo mais limpo.

Ocorre que o debate ambientalista foi tomado por gente que ficaria melhor numa camisa-de-força. Se as leis ambientais existentes forem implantadas em São Paulo, por exemplo, será preciso eliminar parte da agricultura do estado, destruir o que já está plantado. Os cálculos sobre emissão de carbono começaram a seguir a vertigem da imaginação. Ouvi uma jornalista falar hoje na TV, num tom de quem alimentava certa simpatia pela idéia, que há cientistas que acreditam que já não basta uma redução drástica da emissão de gazes: seria preciso capturar parte do que já está na atmosfera!!!

Aí já estamos no terreno da loucura pura e simples. Inexiste tecnologia para isso. Alguns bilhões teriam de ser investidos nessa quimera — sem contar os outros todos para conter as emissões, compensando, de algum modo, as populações pobres que certamente teriam de arcar com este esforço para salvar o planeta. E tudo em nome de um Apocalipse em expansão, cujos desastres vão variando de acordo com as palavras de ordem da militância.

Mas Krugman acha que precisamos aprender a ter limites. Começaram nesse negócio como cientistas e já falam como se fossem nossos padres, nossos rabinos, nossos pastores, nossos monges. O nome disso é religião.

Copenhague já deu com os burros n´água. E, por isso, a economia criada pelo terror do aquecimento global, para sobreviver, vai ter de recuar um pouco. E vai até esfriar um pouco o planeta para justificar seu arrefecimento. Querem apostar?

 

A ÚLTIMA MISSA DE COPENHAGUE OU: “A CONSPIRAÇÃO DOS CÉTICOS”

Por reinaldo Azevedo

domingo, 13 de dezembro de 2009 | 6:31

No livro O País dos Petralhas, há uma série de textos, extraídos deste blog, que trata dessa estranha religião do Aquecimento Global dos Santos dos Últimos Dias. Neste momento, em Copenhague, reza-se o que me parece ser a última missa sobre o assunto. Estão todos lá, inclusive o atual e o futuro presidentes do Brasil. Refiro-me, é óbvio, a Lula, José Serra e Dilma Rousseff. Todos convertidos à nova religião — estes três, é verdade, por puro pragmatismo: pobre daquele que não se disser e não se mostrar, efetivamente, um devoto dessa causa. Exige-se do governante que seja laico — menos nessa matéria.

Os que me criticam têm razão num aspecto: eu não entendo nada sobre assunto. Mas, na maioria das vezes, os que me atacam também não entendem. Mas sei muito bem como se formam os discursos e sei analisar a sua gênese. Nesse caso, modéstia às favas, estou entre os mais preparados. Fala-se abertamente a linguagem do terror — e a linguagem do terror é, sempre, essencialmente mentirosa.

A mentira se espalha em escala mundial. Há dias, uma jornalista brasileira mandava ver lá do Pólo Norte: “O derretimento das geleiras PROVA que o aquecimento global é provocado pelo homem”. É MENTIRA! Nem os especialistas em clima mais apocalípticos assinam essa declaração. No máximo, chegam a um “muito provável”. E há gente competente, também especialista, que nega, com argumentação igualmente científica, a hipótese antropogênica para o que se chama aquecimento global. Mas está impedida de falar.

A vigarice é de tal ordem, que as mentiras reveladas pelos e-mails dos especialistas de East Anglia foram varridas para debaixo do tapete. Preferiu-se acusar uma espécie de conspiração dos céticos. É tal a avalanche de informações, é tal o consenso que se formou — especialmente entre os leigos, que entendem de aquecimento global ou que eu entendo: NADA!!! —, que as vozes científicas que negam a teoria são logo lançadas ao ridículo.

Quem compareceu a Copenhague para anunciar o apocalipse? George Soros, este grande humanista, com sólida formação em clima… Com os diabos! Até quando este senhor se ocupava apenas, para o seu próprio bem — e também da humanidade —, em ganhar dinheiro, era o demônio de plantão. Agora, ele decidiu que também quer ser bom. E propõe um modelo de alguns bilhões de dólares por ano para conter o aquecimento. Ora, não é preciso ser muito sagaz para saber que, estivesse negando a tese politicamente correta, logo iriam investigar quais seriam os seus compromissos com o aquecimento; como ele fala o que o onguismo mundial quer ouvir, ninguém se preocupa em saber quanto essa benemerência rende a Soros.

NÃO! EU NÃO CONFIO NOS BONS PROPÓSITOS DE SOROS! EU NÃO CONFIO NOS BONS PROPÓSITOS DE NINGUÉM COMO ELE. MAS ATENÇÃO! EU NÃO CONFIO PORQUE ACHO QUE A TAREFA HUMANITÁRIA DE GENTE ASSIM É FAZER DINHEIRO GERAR MAIS DINHEIRO, O QUE É BOM PARA A CIVILIZAÇÃO! CRETINOS DO MIOLO MOLE É QUE CONSIDERAM QUE ELE SÓ PASSA A SER UM HOMEM RESPEITÁVEL SE FIZER POESIA SOBRE URSOS BRANCOS CANIBAIS…

E Soros descobriu que esse negócio de aquecimento global é bom para o seu caixa e também para a sua reputação. E o mesmo vale para o Brasil. O glorioso capitalismo, como sempre, já se apropriou também dessa demanda. Só que, por enquanto, enriquece vigaristas, que se lançaram no rentável ramo da “consultoria ambiental”. Gente que, até anteontem, assessorava empresas e políticos agora aparece agarrada a tronco de árvores , macaco-prego e ursos polares. A dar crédito ao que dizem alguns cretinos, vamos sacrificar os bois e, sei lá, viver de luz. Arroto de ser humano que coma capim também esquenta o planeta? E o pum?

Essa patacoada não resiste a uma análise de discurso. No que concerne à ciência, pode-se dizer que a questão é, quanto menos, controversa. O problema é que aqueles que dissentem são tratados como excêntricos,  malucos ou idiotas.

“Veja bem, Reinaldo, se toda essa histeria servir para poluir menos o planeta, tanto melhor…” Claro! Tanto melhor! E poluir menos sem histeria? A questão é saber quais exigências serão feitas. Barack Obama, por exemplo, já percebeu que esse troço é bom para ganhar eleição, mas péssimo para governar. Aplicar o que lhe pedem — e o que, até certo ponto, ele prometeu ao menos simbolicamente — corresponderia a paralisar a economia dos EUA, enquanto a China, na condição de “emergente”, poderia produzir um pouco de carbono a mais… A questão virou um braço-de-ferro entre ricos e emergentes. De resto, desde quando a China cumpre copromissos?

Olhem aqui: há dados sólidos indicando que pode — sempre no mundo das hipóteses — estar havendo é um resfriamento do planeta. Mesmo as geleiras que derretem para as câmeras são, literalmente, um ângulo da questão — porque há ângulos em que elas crescem… Ah, sejamos todos contra a poluição, contra à agressão à natureza e contra todas as outras coisas más que há no mundo. Mas é preciso tomar cuidado com a histeria.

Enquanto cientistas não menos respeitáveis do que os “aquecimentistas” estiverem sendo tratados como malucos e inimigos da humanidade, não se tem debate científico, mas patrulha e caça às bruxas. Estamos em plena Idade das Trevas dos iluminados do aquecimento. A canalhice jornalística é tal que omite do leitorado o fato de  o filmeco de Al Gore ter caído no ridículo. Ainda que houvesse um aquecimento provocado pelo homem,  não se informa, por exemplo, que TODAS AS ANTEVISÕES DAQUELE  SÃO FANTASIOSAS

Pesquisem: quase sempre os arautos do apocalipse climático trabalham para alguma ONG que vive de vender esse terror ou para alguma consultoria de grandes empresas. É o caso dos bancos brasileiros: eles ainda não conseguem oferecer juros e spread compatíveis com a civilização, mas reciclam papel que é uma beleza…

Mas, reitero, este assunto já começou a morrer. Copenhague reza a última missa! Ademais, tudo indica, vem um friozinho por aí…

 

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Por Reinaldo Azevedo

 

“Não existe aquecimento global”, diz representante da OMM na América do Sul

domingo, 13 de dezembro de 2009 | 6:25

Leiam esta entrevista pulicada no UOL.

Por Carlos Madeiro:
Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos

Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.

UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.

UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.

UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?
Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas - algumas das que falavam da nova era glacial - que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.

UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
Molion: Depende de como se mede.

UOL: Mede-se errado hoje?
Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.

UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?
Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.

UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?
Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.

UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.

UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?
Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.

UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.

UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?
Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.

UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.

UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?
Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.

UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.

UOL: Mas o mar não está avançando?
Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.

UOL: O senhor viu algum avanço com o Protocolo de  Kyoto?
Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.

UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?
Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.

UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.

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