2009-11-23

SENTEM O CHEIRO DE SEIS MILHÕES DE CADÁVERES? É QUE ELE CHEGOU!

 

Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 23 de novembro de 2009 | 5:35

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Nesta segunda, Luiz Inácio Lula da Silva cede o palco para o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, falar em nome de uma nova ordem mundial. Na entrevista concedida a William Waack, no Jornal da Globo, entre outras preciosidades, o iraniano afirmou que o capitalismo já provou a sua falência moral… É mesmo? E disse que o sistema se opõe a valores fundamentais do homem — ou algo assim. Eis alguém habilitado para falar em valores humanos…

Nós já sabemos, mas é preciso reafirmar:
— Ahmandinejad é financiador e fomentador do terrorismo no Líbano, nos territórios palestinos e no Iraque;
— Ahmadinejad é um negador do Holocausto;
— Ahmadinejad é um dos artífices de um programa nuclear secreto;
— Ahmadinejad é o homem que promete varrer Israel do mapa;
— Ahmadinejad é o homem que responde a bala a protestos por democracia;
— Ahmadinejad é o líder de um governo que manda para a cadeia e pode mandar para a morte homossexuais só por serem homossexuais e que reprime de modo brutal minorias religiosas;
— Ahmadinejad é o homem que foi reeleito num processo flagrantemente fraudado, o que os próprios aiatolás - menos aiatolula - reconheceram;
— Ahmadinejad é um dos líderes do Irã que satanizam os EUA e os acusam de responsáveis por todos os males que há no mundo.

Pois é este senhor que o Brasil está recebendo, com as honras devidas a um chefe de estado, transformando esse encontro em mais uma evidência do que pretendem vender como a “autonomia” do Brasil e exercício de uma política externa soberana. Trata-se de um acinte e de uma afronta às noções mais comezinhas de direitos humanos.

Ora, é evidente que o Brasil ou qualquer outro país não tem de ser amigo dos amigos dos EUA e inimigos de seus inimigos. A nossa soberania para receber quem quer que seja nunca esteve em causa. NÃO É POR ELES QUE DEVEMOS DIZER “NÃO” A AHMADINEJAD, É POR NÓS MESMOS!!! Um país, de fato, não precisa concordar com todos os pontos de vista de outro para receber seu mandatário. Mas é preciso, então, qualificar a discordância.

Estou entre aqueles que consideram, por exemplo, que não se deve punir ninguém por negar o Holocausto — por mais desprezível, cretina e desinformada que considere tal posição. As tolices de um indivíduo são diferentes dos crimes do governo e do estado. Que Ahmadinejad tivesse tal posição e a expressasse em tertúlias politicamente irrelevantes, bem, já seria desprezível, mas vá lá. Não!!! Tal opinião é expressão de uma política de estado: ele financia o Hezbollah no Líbano; ele financia o Hamas nos territórios palestinos e a Jihad Islâmica. Esses grupos anunciam seu igual propósito de “varrer Israel do mapa” e atuam com esse objetivo, com foguetes, seqüestros e atentados terroristas. O propósito de ter a bomba nuclear, está claríssimo, é impor-se como líder da região. E que líder é esse? O que ele quer?

Ora, podemos divergir sobre muitos assuntos, não é? As divergências podem ser as mais azedas e as mais inconciliáveis. Mas temos de estar de acordo sobre alguns princípios básicos que são essenciais à nossa civilização.

Ahmadinejad representa o atraso mais odioso; a truculência mais desprezível; a ignorância mais bastarda. Lula certamente aproveitará a passagem do presidente do Irã por aqui para falar em defesa da paz, do entendimento, da concórdia. Como se o outro fosse um bom interlocutor para isso. É uma espécie de Chamberlain da periferia pregando prudência a um fascistóide islâmico de chanchada — o que não quer dizer que não seja perigoso.

Na entrevista concedida a William Waack, vimos um Ahmadinejad um pouco mais cuidadoso, mas a dizer, essencialmente, os mesmos absurdos. E, espertamente, afirmou que os países não precisam concordar entre si para que possam dialogar. Depende! Por que um país democrático deve dialogar com outro que financia o terrorismo, por exemplo? Ou com um líder que não hesita em tripudiar de seis milhões de cadáveres? Ou que prega abertamente a extinção de um país? Não! Ninguém precisa desse diálogo.

Diálogo que é ainda mais estúpido e detestável se nos lembramos que, para o Itamaraty, ele é parte da construção de um novo concerto internacional. Novo concerto? Qual? Aquele em que ditadores e facínoras são admitidos como vozes válidas na mesa de negociação? É essa a utopia de um governo como nunca houve nestepaiz?

Antes que me esqueça: que Ahmadinejad vá para o inferno! Ou se é democrata ou se dialoga com o terror e com o anti-semitismo mais asqueroso. Não há conciliação possível.

Fiquemos atentos ao discurso de Lula enquanto este senhor estiver no Brasil e depois. Na última vez em que esteve com Ahmadinejad, em setembro, indagado se tinha conversado com o outro sobre a negação do Holocausto, o presidente brasileiro deu uma de suas luladas: “Não sou obrigado a não gostar de alguém porque outros não gostam. Isso não prejudica a relação do Estado brasileiro com o Irã porque isso não é um clube de amigos. Isso é uma relação do Estado brasileiro com o Estado iraniano”.

Escrevi então:
O Brasil não é o único país a fazer negócios com o Irã. Ninguém exige do governo Lula que rompa relações com os iranianos porque seu presidente bandido diz sandices. Há centenas de respostas possíveis que não ofendem a memória dos mortos e a dignidade dos vivos. Formulo uma: “O Irã sabe que o Brasil lastima essa opinião, mas entendemos que o isolamento daquele país é pior para o mundo”. Pronto! E Lula poderia fazer negócios com Irã - se é que haverá algum relevante.
A sua resposta, como veio, é indecorosa e me força a perguntar: a relação entre os dois estados é assunto sério demais para levar em consideração seis milhões de mortos? Um governo delirantemente anti-semita, como é o do Irã, não constrange de modo nenhum o Brasil?
Confrontado com a questão do Holocausto, Lula evoca uma questão de gosto. Ora, deve pensar este humanista, “os judeus não gostam de Ahmadinjad. O que é que eu tenho com isso? Não sou judeu!”

Vamos ver como se comporta Lula. Ahmadinejad não mudou e continua a afirmar as mesmas asneiras e a financiar a mesma indústria da morte. Haverá o decoro mínimo, desta vez, de deixar claro que o Brasil considera suas idéias, para ser muito manso, essencialmente erradas? Minha aposta: “Não!”

 

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Por Reinaldo Azevedo

 

AHMADINEJAD VAI A UMA FACULDADE? ENTÃO EU TENHO UMA PROPOSTA PARA EVITAR UM VEXAME

segunda-feira, 23 de novembro de 2009 | 5:33

Leitores me informam que o Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB) vai receber Mahmoud Ahmadinejad. Ele vai falar aos estudantes!!!

Entro no site na faculdade, e, com efeito, está lá o convite para um “debate” com o homem. O evento está previsto para as 17h30, no campus Edson Machado — telef. (61) 3340 3747. Na peça de divulgação, lê-se a seguinte mensagem: “Faculdade é território livre para o debate de idéias. E o Iesb coloca isso em prática”.

É mesmo? É bom, sem dúvida, que possamos dizer isso por aqui. E é uma lástima que não se possa dizer o mesmo no Irã, onde a educação e a imprensa vivem sob uma odiosa censura. O IESB terá a coragem de fazer o que fez a Universidade de Columbia quando recebeu o tiranete? Quem desempenhará, aqui, o papel do reitor Lee Bollinger? Há professores com essa coragem? Leia o post Uma descompostura fabulosa no facinoroso quem não sabe do que estou falando. Em 2007, o presidente do Irã falou na Columbia. Mas o reitor disse o que pensava de sua atuação política.

Traduzi boa parte da fala do reitor aqui. Lembro alguns trechos:
Nós, nesta universidade, não temos receio de protestar contra o nosso governo e de contestá-lo em nome desses valores. E não temos receio de criticar o seu governo.

Vamos deixar claro de saída: senhor presidente, o senhor exibe todos os sinais de um ditador mesquinho e cruel.

E eu lhe pergunto: por que as mulheres, os membros da religião Baha’i, homossexuais e muitos dos nossos colegas professores são alvos de perseguição em seu pais?
(…)
Por que o senhor tem tanto medo de que os cidadãos iranianos expressem suas opiniões em favor de mudanças? (…)

O senhor me deixa liderar uma delegação de estudantes e professores da Columbia para falar na sua universidade sobre liberdade de expressão, com a mesma liberdade que lhe garantimos hoje? O senhor fará isso?”
(…)
“Em dezembro de 2005, num programa da TV estatal, o senhor se referiu ao Holocausto como uma invenção, uma lenda. Um ano depois, o senhor apoiou uma reunião de negadores do Holocausto.

Para os iletrados, os ignorantes, isso é propaganda perigosa. Quando o senhor vem a um lugar como este, isto faz do senhor simplesmente um ridículo. Ou o senhor é um provocador descarado ou é espantosamente mal-educado [sem formação intelectual].
(…)
Doze dias atrás o senhor disse que o estado de Israel não pode continuar a existir. Isso repete inúmeras declarações inflamadas que o senhor tem feito nos últimos dois anos, incluindo a de outubro de 2005, segundo a qual Israel tem de ser “varrido do mapa”.

A Columbia tem mais de 800 ex-alunos vivendo em Israel. Como instituição, temos profundos laços com nossos colegas de lá. (…) Minha pergunta, então, é: “O senhor planeja nos varrer do mapa também?”
(…)
De acordo com o Council on Foreign Relations, está bem documentado que o Irã é patrocinador do terror, financiando grupos violentos como o libanês Hezbollah, que o Irã ajudou a organizar em 1980, e os palestinos Hamas e Jihad Islâmica.
(…)
Minha questão é esta: por que o senhor apóia organizações terroristas que continuam a golpear a paz e a democracia no Oriente Médio, destruindo vidas e a sociedade civil na região?
(…)
Por que o seu país se recusa a aderir ao padrão internacional de verificação de armas nucleares, em desafio a acordo que o senhor fez com a agência nuclear das Nações Unidas? E por que o senhor escolheu fazer o seu próprio povo vítima dos efeitos das sanções internacionais, ameaçando fazer o mundo mergulhar  na aniquilação nuclear?

Deixe-me encerrar com este comentário. Francamente, com toda sinceridade, senhor presidente, eu duvido que o senhor tenha coragem intelectual de responder essas questões.

Voltei
Se o debate do Iesb é realmente livre, com foi na Columbia, então perguntas assim podem ser feitas? Haverá oportunidade para fazê-las? Haverá algum com coragem para tanto? Se, no entanto, algum filtro impedir que perguntas, livres de censura prévia, sejam feitas ao visitante, o IESB só servirá de palco para a fala de um facínora.

 

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Por Reinaldo Azevedo

 

 

LULA QUER BATER UMA BOLINHA NO ORIENTE MÉDIO

segunda-feira, 23 de novembro de 2009 | 5:29

Ao se referir aos protestos da oposição no Irã contra as fraudes eleitorais perpetradas pela turma de Ahmadinejad, Lula os comparou à reação de uma torcida furiosa porque seu time perdeu o jogo. Agora ele tem uma nova: quer um jogo de futebol entre brasileiros e um combinado de jogadores israelenses e palestinos. O Brasil já fez isso no Haiti. E vocês pensam que foi inútil? Foi inútil!

A proposta, diz Lula, já foi apresentada a Shimon Peres, presidente de Israel, e  a Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina. Diz Lula que os dois gostaram. Vocês já entenderam, né? Palestinos e israelenses jogando juntos seria um sinal de união e esforço em favor da paz. As metáforas de Lula são assim mesmo,; têm essa complexidade. Ele diz que vai discutir a idéia também com Ahmadinejad…

É… Se Lula fosse levado a sério, diriam que, ao juntar israelenses e palestinos num time, ele está contra a criação de dois estados — única solução possível por lá quando… isso for possível. Como não é, fica a simpatia pelo aspecto eventualmente circense da coisa. Até porque não chega a ser impossível juntar jogadores do Fatah e de Israel… O problema vai ser chamar, bem, um centro-avante do Hamas, um meio-campista do Hezbollah, que terá de se deslocar lá do Líbano, um zagueiro da Jihad Islâmica… “Ó, pode jogar, mas tem de tirar antes esse cinto estranho que vocês estão usando, com esses fios desencapados…”

E Lula está cheio de enigmas. Diz que é preciso fazer esse encontro porque é necessário afastar do jogo quem não quer paz — e especula: “Alguém está ganhando com isso”.  Na sexta, ele disse que os EUA é que são culpados pela crise. Uau! Hoje ele recebe Ahmadinjad. Eis um pacifista nato. Por isso, ele financia o Hamas e o Hezbollah. Quer a paz na região — e não vê melhor maneira de alcançá-la do que expulsando os judeus do Oriente Médio…

Mais de 50 anos de conflito, e ninguém havia pensado no óbvio: por que não um jogo de futebol? Lula é um assombro. Mesmo!

 

Reinaldo Azevedo

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