2009-11-13

DILMA ANUNCIA NOVOS APAGÕES

DILMA DIZ QUE PODE HAVER NOVOS APAGÕES, MAS PARECE QUE A CULPA É NOSSA! ELA ESTÁ BRAVA COM A GENTE?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009 | 5:07

Reinaldo Azevedo

Eu, hein, Rosa… Pareceu premonição, hehe. E olhem que não acredito nessas coisas. Como um católico que se preze, sou aborrecidamente racionalista. Na terça-feira à tarde, antes do apagão da Dilma, escrevi aqui um texto sobre a ex-ministra e candidata do PT à Presidência. E mandei ver: “Estou dizendo que Dilma vai perder a eleição? Eu não! Estou dizendo, aí sim, que esta tia nervosa, que dá bafão em todo mundo, que faz política como quem puxa briga, não ganha. A marquetagem vai ter de voltar à prancheta. Até agora, os magos não conseguiram uma forma de mandar a verdadeira Dilma para a clandestinidade para disputar a eleição com uma Dilma falsa.” A íntegra do texto está aqui.

Pois bem… Na noite de terça, veio o apagão, e Dilma apagou junto, deu chá de sumiço, escafedeu-se. A coisa ficou toda atrapalhada. Edison Lobão ficou aparvalhado. E culpou os ventos e os raios. Durante 20 horas, o governo tentou achar uma desculpa melhor. E acabou culpando os… raios e os ventos. Franklin Martins, o ministro da Verdade, foi a campo e decretou silêncio. Assim como ele negava, quando era jornalista, que o mensalão tivesse existido (continua a negar, é claro), também afirmou uma nova inexistência: a do apagão. Mas Dilma continuava sumida. E urgia que falasse. E ela apareceu. Para dizer que o país não está livre de novos apagões. O resultado é o que se vê abaixo. Assistam. Depois retomo. Se você tiver de esperar o download, a ex-ministra entra em 1min12s.

 

Viram só? Ela foi indagada por uma jornalista sobre uma afirmação de 2008, segundo a qual o país estaria livre de apagões. Escandindo sílabas, cujo ritmo marcava com a mão, fazendo aquela argola quando o polegar opositor se encontra com o indicador, deu bronca em todo mundo, mas especialmente naquela que lhe fizera a pergunta. Transcrevo trechos:


Você está confundindo duas coisas, minha filha. Você está falando de black out. Ninguém pode prometer que um sistema… Nós trabalhamos com um sistema de milhares de quilômetros de rede… Interrupções desse sistema, ninguém promete que não vai ter. O que nós prometemos é que não terá nesse país mais racionamento. Racionamento é barbeiragem. Por que é que é barbeiragem (…) Eu lamento muito o que aconteceu com os consumidores. Aconteceu nas cidades. Acho que, de fato, é muito desagradável. Agora, dizer pra mim… É tentar fazer deliberadamente confusão onde não tem e tentar apresentar o país com uma fragilidade que não existe (…) Eu acho que o ministro Lobão, ele foi sintético: “Olha, eu divulguei O QUAL foi a razão, não tenho mai nada a acrescentar (…). Para o governo, esse episódio está encerrado.

A fala da ministra é assim mesmo, cheia de anacolutos. Também já escrevi aqui que uma coisa certamente vai piorar no Palácio do Planalto se ela for eleita: a língua portuguesa. Dilma a espanca com gosto. Avento a possibilidade de que ela possa trabalhar mais ou menos como pensa. E é por isso que as coisas vão ficando descoordenadas. O apagão do país pode ser metáfora —- ou até conseqüência — de seu apagão sintático.

O que impressiona é a arrogância. Está na cara — inclusive na cara furiosa de Dilma — que o governo não tem a menor noção do que aconteceu. Técnicos da área já descartaram que tenha sido conseqüência de um raio. Houve curto em Itaberá? Cadê as provas? Este é um curto que não deixa marcas, não deixa seqüelas? A interligação das linhas, suponho, tem um grau razoável de informatização. Esse sistema não gera um miserável relatório? Sabe por que Dilma veio a público hoje? E justamente para afirmar que o país não está livre de novos apagões — que ela prefere chamar “black out”? Porque, não sabendo o que originou a ocorrência de terça, nada impede que aconteça de novo.

Como se nota, Dilma acha que criticar o governo pelo ocorrido é fazer exploração política — coisa que, sabem vocês, os petistas deploram, não é?  No ano passado, no sexto ano do governo Lula, o risco de racionamento de energia voltou a rondar o Brasil. Muitos especialistas apontaram alguns erros de planejamento do governo. As oposições, longe de fazer o carnaval habitual que faz o petismo quando quer satanizar alguém, propôs a formação de uma gabinete de crise - SETORIAL - para debater a questão, sugestão do mais claro apelo democrático. Como Dilma reagiu? Como se vê no vídeo abaixo — é curtinho: só 14 segundo.

 

Como se nota, a mesma empáfia, a mesma mania de escandir sílabas, a mesma impaciência, o mesmo comportamento marrento. E também lá ela se sentia acuada. O que acho mais engraçado é que muita gente confunde fúria e falta de polidez com competência. A ser assim, Átila foi o homem mais competente da história. É, dirão alguns, à sua maneira, foi mesmo, não é? Como escrevi aqui ontem, Dilma sempre foi muito competente em fazer com que os outros acreditassem que ela é competente.

Peço que vocês observem que, até agora, não foi anunciada uma miserável medida. NADA!!! Também, fazer o quê? Quem vai negociar com os raios? Quem vai negociar com os ventos? Quem vai negociar com as chuvas? Quem mais controlar o ET de Itaberá?  Marilena Chaui comparou certa feita Lula com a divindade da razão. Já sei: transformamos Lula na nossa Palas Athena e o mandamos negociar diretamente com o seu pai, Zeus, em cuja cabeça foi parido — vindo daí toda aquela sabedoria de que falo no post abaixo.

Eis aí… Esta é Dilma! João Santana, a esta altura, está lá quebrando o coco para saber como fazer para esse limão virar uma limonada; como fazer para que o arsênico eleitoral que é esta mulher se transforme num remédio. Peço que vocês prestem atenção na ternura que ela passa quando afirma: “Eu lamento muito o que aconteceu com os consumidores. Aconteceu nas cidades. Acho que, de fato, é muito desagradável.” É ou não é o retrato de alguém que realmente se preocupa com a gente?

É duro! O problema de Dilma não é, obviamente, excesso de competência ou só um temperamento explosivo. Nota-se que tem uma alma autoritária, que não admite contestação. É claro que não será esta que vai aparecer na campanha —- caso Santana consiga criar a tempo a Dilma falsa —, mas será esta, sem dúvida, a que vai governar se for eleita.

E não pode haver mistura mais explosiva do que a incompetência com a arrogância.

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