2009-10-24

Reinaldo Azevedo

VEJA 1 - GUERRA NO RIO: O PAC E A PROTEÇÃO AO NARCOTRÁFICO NO COMPLEXO DO ALEMÃO

sábado, 24 de outubro de 2009 | 5:25
Não costumo publicar na íntegra a coluna de Diogo Mainardi, disponível também a não-assinantes na sua página na VEJA Online. Hoje vai inteira. Não há como cortar. Este, eu lhes garanto, será um dos nossos temas ao longo da semana que vem. Intelectuais de esquerda fizeram um abaixo-assinado contra a CPI do MST (leia post de ontem). Mas jamais fariam um contra as relações promíscuas entre estas duas siglas: PAC e FB.
*
Por Diogo Mainardi:

Em julho, no Morro da Chatuba, ocorreu um baile funk em homenagem a FB, o chefe do tráfico de drogas no Complexo do Alemão. MC Smith cantou:
“A festa do FB / está tipo Osama bin Laden”
No domingo passado, o Morro da Chatuba assistiu a mais um baile funk. Desta vez, os homens de FB comemoraram o abatimento de um helicóptero da PM. José Mariano Beltrame, a maior autoridade policial do estado do Rio de Janeiro, comparou o abatimento do helicóptero aos atentados terroristas de Osama bin Laden, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001. MC Beltrame, inspirado em MC Smith, já pode animar um baile funk no Morro da Chatuba.
FB está longe de ser um Osama bin Laden. Os policiais comandados por José Mariano Beltrame sempre souberam onde ele se escondia. Dez dias antes que FB ordenasse o assalto ao Morro dos Macacos, que resultou no abatimento do helicóptero da PM e na morte de mais de trinta pessoas, a deputada federal Marina Maggessi declarou o seguinte a um repórter de O Globo:
“A polícia não entra no Complexo do Alemão por causa das obras do PAC. Está todo mundo evitando tiroteio para não parar as obras do PAC. A bandidagem toda está indo para lá”.
O “bonde” de FB (tema de outro funk de MC Smith), formado por mais de 100 criminosos, confirmou a denúncia de Marina Maggessi. Na última semana, ela repetiu que as obras do PAC criaram uma zona franca para o Comando Vermelho. Revelou também que as autoridades policiais foram alertadas sobre os planos de FB algumas horas antes de ele atacar o Morro dos Macacos. O que aconteceu depois disso? As delegacias da região foram impedidas de agir.
Em 4 de dezembro de 2008, Lula visitou as obras do PAC no Complexo do Alemão. Na mesma solenidade, que contou com um espetáculo do grupo AfroReggae, ele atacou o governo anterior e prometeu fazer “uma revolução para resolver o problema da segurança pública”, transformando a área num “Território da Paz”.
Quase um ano depois, já dá para analisar alguns dos resultados dessa revolução. Primeiro: Lula continuou a visitar obras do PAC e a atacar o governo anterior. Segundo: poucos dias atrás, um dos integrantes do AfroReggae foi morto a tiros e a PM soltou seus assassinos. Terceiro: sim, o Complexo do Alemão transformou-se num território da paz, mas unicamente para os traficantes do Comando Vermelho. De fato, desde que Lula passou por lá para visitar as obras do PAC, a polícia nunca mais realizou uma operação contra seus criminosos. A última delas ocorreu em outubro de 2008. Nesse período, FB aumentou seu arsenal e reuniu suas tropas. Como diz o funk de DJ Will, ecoado por MC Beltrame:
“A PM aqui não entra / Aqui só tem talibã / Terrorista da Al Qaeda”

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 2 - QUEM CHEIRA MATA

sábado, 24 de outubro de 2009 | 5:21
As cenas de um helicóptero em chamas no ar, abatido por tiros de fuzil, deram ao mundo a dimensão trágica que o banditismo atingiu no Rio de Janeiro. A sede da Olimpíada 2016 já tem seu maior desafio: desbaratar as quadrilhas, prender os criminosos e libertar os bairros sob seu comando

Por Ronaldo França e Ronaldo Soares

Montagem sobre fotos de Andrmourão/Ag.O Dia/AE; Fabiano Rocha/ Ag. O Globo; Fabio
Guimarães/ Extra/ Ag. O Globo; Wilton Junior/ AE

VISÃO DO INFERNO
Tiroteios com armas de guerra, corpos carregados e o morto no carrinho de compras -
saldo de mais um confronto da polícia carioca com traficantes - tomaram as páginas
de jornais  e assustaram o mundo: organizar a Olimpíada de 2016 será um enorme desafio

Será difícil. Será doloroso. Os fatos ocorridos na semana passada, no Rio de Janeiro, ilustram o tamanho e a complexidade do desafio de elevar a níveis satisfatórios a segurança na cidade que sediará os Jogos Olímpicos de 2016. A dimensão do problema é abismal. Das 1 020 favelas da cidade, 470 estão nas mãos de bandidos. A dificuldade de acesso pelas vielas, a topografia montanhosa e a alta densidade populacional as transformaram em trincheiras. Na cidade, são vendidas 20 toneladas de cocaína por ano, comércio que produz 300 milhões de reais e financia a corrida armamentista das quadrilhas que disputam territórios a bala. Diante dessa realidade - e de cenas assombrosas, como a de um corpo despejado em um carrinho de supermercado e de policiais queimados nos escombros do helicóptero derrubado -, a pergunta que se estampou na imprensa mundial foi: será possível para a cidade sediar a Olimpíada? A resposta existe. Sim, é possível. Mas para isso precisa tomar como norte as palavras do secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. “Foi o nosso 11 de Setembro.” A alusão aos ataques terroristas nos Estados Unidos, em 2001, se justifica. Não tanto pela semelhança e gravidade dos acontecimentos, mas pela necessidade de o país inteiro se mobilizar para resolver o problema da segurança do Rio.
Nunca antes os traficantes haviam chegado tão longe. Incumbido do resgate de feridos no confronto - que se estendeu pelos dias seguintes, produzindo 39 mortos, 41 presos e dez ônibus incendiados -, o helicóptero se preparava para pousar pela terceira vez na favela. Alvejado, caiu em chamas, matando três ocupantes. O armamento pesado, capaz até de perfurar blindagens, já está em poder das quadrilhas há mais de dez anos, como demonstram as apreensões feitas pela polícia. Como essas armas chegaram ao topo dos morros e por que continuam ali é a questão central. A polícia carioca tem um histórico de conivência com a bandidagem que a faz a mais corrupta do Brasil. Essa promiscuidade criminosa mina o ambiente de trabalho dos policiais e fortalece os bandidos. Se restavam dúvidas, elas se dissiparam, na semana passada, nas cenas de policiais flagrados em mais um crime. Em vez de prenderem os homens que acabaram de cometer um assassinato, tomaram deles os pertences roubados da vítima, que não socorreram. Uma suposta participação dos policiais será ainda investigada. O governador Sérgio Cabral tem uma avaliação realista sobre a situação de sua polícia. “Estamos longe, muito longe do ideal”, diz. Mas garante que isso não interferirá na realização dos Jogos. “Se eles fossem daqui a três meses, não haveria problema. A mobilização das forças de segurança em eventos assim é muito grande. O desafio é construir uma segurança de fato.”
O reconhecimento pelos encarregados da tarefa é um bom sinal. Ajuda a desentupir as artérias que levam a uma solução. Muitos dos passos a serem dados são conhecidos, há anos, pelos profissionais de segurança. Fazem parte disso as ocupações permanentes de favelas, iniciadas no ano passado, com resultados animadores. Outra medida em curso é a neutralização de qualquer influência política na indicação de delegados e comandantes de batalhões. São avanços importantes, porém insuficientes. A dificuldade maior, daqui para diante, será admitir que, para mudar, é preciso enfrentar velhos problemas, e assumir responsabilidades sobre eles. Nas próximas páginas, estão expostos quinze pontos sistematicamente varridos para debaixo do tapete quando se discutem soluções para a prevalência do crime no Rio. Trazê-los ao debate é a contribuição de VEJA para a reconstrução de uma cidade maravilhosa.
Fotos Patricia Santos/ AE; Guilherme Pinto; Marcos d’Paula/ AE

CIDADANIA AO AVESSO
Manifesto pela paz em praia carioca: parte da classe média presente nas passeatas não enxerga relação entre drogas e violência


1 QUEM CHEIRA MATA
O usuário de cocaína financia as armas e a munição que os traficantes usam para matar policiais, integrantes de grupos rivais e inocentes.
A venda de cocaína aos usuários cariocas rende 300 milhões de reais por ano aos bandidos. Os usuários de drogas financiam a corrida armamentista nos morros. Cada tiro de fuzil disparado tem também no gatilho o dedo de um comprador de cocaína. Essa realidade não é facilmente admitida. A tendência é tratar o usuário com leniência. Alguns países —  o México é um exemplo —  deixaram de considerar crime o porte de pequenas quantidades de cocaína. É uma medida temerária que aumenta a arrecadação dos bandidos e, como resultado, o seu poder de fogo.

Assinante lê os outros 14 pontos Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 3 - Carta ao Leitor: O mundo está de olho no Rio

sábado, 24 de outubro de 2009 | 5:19
Pablo Jacob/Ag. O Globo

O Rio em chamas é agora uma questão planetária. Quem ganha o direito
de sediar uma Olimpíada tem o dever de prestar contas ao mundo

A cidade que, há três semanas, encantou a todos com uma emocionante, correta e vitoriosa candidatura para sediar a Olimpíada de 2016 voltou às manchetes do noticiário internacional. Desta vez o Rio de Janeiro deu um susto. A revista Time resumiu a perplexidade geral fazendo uma pergunta simples, sem rodeios e que não comporta meias respostas: “O Rio conseguirá vencer o crime antes da Olimpíada?”. Sim ou não - é o que o mundo quer saber e tem o direito de cobrar. Afinal, o Rio de Janeiro conseguiu a indicação para sediar os Jogos Olímpicos desbancando Chicago, Tóquio e Madri, cidades longe da perfeição, mas onde os criminosos não dispõem de baterias antiaéreas para abater os helicópteros da polícia.


O tempo voa
Para lembrar disso, a começar
por esta edição, VEJA trará
em toda reportagem sobre
a organização da Olimpíada
no Rio de Janeiro um cronômetro
mostrando quantos dias faltam
para a abertura dos Jogos

Quem ganha o direito de sediar uma Olimpíada tem o dever de prestar contas ao mundo. Sobre o Rio de Janeiro abre-se agora uma claraboia pela qual olhos curiosos dos cinco continentes vão espiar o progresso da organização dos Jogos. Na semana passada, o que se viu através dela foi o palco de uma guerra urbana assustadora em sua plasticidade e ferocidade. Um combate em que, como escreveu o inglês Mirror, “bandidos derrubaram um helicóptero a cerca de 2 milhas do Maracanã, estádio que abrigará a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos”.
José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio de Janeiro, comparou o fogo antiaéreo dos bandidos cariocas aos atentados terroristas contra os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. Será um grande passo se essa declaração significar que os bandidos vão perder seus santuários urbanos onde o estado não entra e eles mantêm milhares de trabalhadores como reféns. Uma reportagem especial de VEJA mostra que, para desânimo de quem torce por um empuxo civilizatório no Rio e no Brasil com a vinda dos Jogos, as verdadeiras raízes do crime organizado foram mais uma vez varridas para debaixo do tapete. A reportagem toca justamente nesses pontos sensíveis e expõe quinze verdades incômodas sobre o crime no Rio de Janeiro a respeito das quais calar-se tem sido a regra. Não dá mais. O mundo todo está de olho.

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 4 - Os “Judas” da caravana da ministra

sábado, 24 de outubro de 2009 | 5:17
Dilma Rousseff busca apoio político para sua candidatura à Presidência da República em partidos envolvidos em escândalos, como o PMDB, o PR e o PP

Por Otávio Cabral

Celso Junior/AE e Andre Dusek/AE

PÚBLICO, MAS ESCONDIDO
Dilma, no alto do palanque em Belo Horizonte, quer a companhia
de peemedebistas, como os senadores Renan Calheiros e José Sarney
(acima), mas, por enquanto, sem fotos para não prejudicar sua imagem

No evangelho político do presidente Lula, se Judas Iscariotes, o apóstolo traidor, fosse brasileiro, Jesus Cristo teria de fazer com ele uma aliança tática para governar. A analogia é estranha, mas deriva de uma receita testada nos últimos anos pelo próprio presidente. Para garantir uma maioria folgada no Congresso, Lula lançou-se nos braços dos fariseus históricos da política brasileira. Dá-lhes cargos, verbas e visibilidade. Em troca, recebe apoio e proteção. Apesar dos escândalos que fraternidades assim estão fadadas a produzir - e já produziram aos borbotões -, os altíssimos índices de popularidade do governo sustentam a convicção oficial de que esse é o caminho certo, o modelo mais apropriado para viabilizar ambiciosos projetos de poder. A ministra Dilma Rousseff, a candidata do governo à sucessão de Lula, já assimilou os ensinamentos do mestre. Nas últimas semanas, ela selou pactos de fidelidade com alguns partidos, entre os quais o PMDB de José Sarney, Renan Calheiros e Jader Barbalho, o PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto e do deputado Edmar Moreira, o homem do castelo, e o PP de Paulo Maluf. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 5 - Contra o corporativismo

sábado, 24 de outubro de 2009 | 5:15
O secretário da Educação de São Paulo diz que sem meritocracia não haverá avanços na sala de aula - e que os sindicatos são um entrave para o bom ensino

Por Monica Weinberg

Lailson Santos

“É preciso premiar o
esforço e o talento para
tornar a carreira de
professor atraente. O
bom ensino depende disso

Criar um sistema capaz de atrair os melhores alunos para a carreira de professor é imperativo para um ensino de alto nível. Daí a relevância da aprovação, na semana passada, de um projeto concebido pelo economista Paulo Renato Souza, 64 anos, secretário estadual da Educação em São Paulo. Trata-se de um plano de carreira para os professores inteiramente baseado na meritocracia, conceito ainda raro nas escolas brasileiras e repudiado pelos sindicatos, seus principais adversários. “Os sindicalistas são um freio de mão para o bom ensino”, resume o ex-ministro da Educação no governo Fernando Henrique, que reconhece avanços na implantação dos rankings no Brasil e da cobrança de resultados com base neles, mas adverte: “É preciso discutir a educação com mais objetividade e menos ideologia”.
Um relatório recente da OCDE mostra que o Brasil foi o país que mais aumentou o investimento na educação em proporção ao total dos gastos públicos - mas muitos se queixam de falta de dinheiro nas escolas. Estão certos?
O maior problema no Brasil não é a falta de dinheiro, mas como esses recursos são empregados - em geral, de maneira bastante ineficaz. Daria para obter resultados infinitamente superiores apenas fazendo melhor uso das verbas já existentes. Prova disso é que, com orçamento idêntico, algumas escolas públicas oferecem ensino de ótima qualidade e outras, de péssimo nível.

O que explica isso?
As boas são comandadas por diretores com uma visão moderna de gestão, coisa raríssima no país. Não existe no Brasil nada como um bom curso voltado para treinar esses profissionais a liderar equipes ou cobrar resultados, o básico para qualquer um que se pretenda gestor. Quem se sai bem na função de diretor, em geral, é porque tem algo como um dom inato para a chefia. A coisa funciona no improviso.

As avaliações sempre chamam atenção para o despreparo dos professores brasileiros. A que o senhor atribui isso?
Às universidades que pretendem formar professores, mas passam ao largo da prática da sala de aula. No lugar de ensinarem didática, as faculdades de pedagogia optam por se dedicar a questões mais teóricas. Acabam se perdendo em debates sobre o sistema capitalista cujo ideário predominante não passa de um marxismo de segunda ou terceira categoria. O que se discute hoje nessas faculdades está muito distante de qualquer ideia que seja cientificamente aceita, mesmo dentro da própria ideologia marxista. É uma situação difícil de mudar. A resistência vem de universidades como USP e Unicamp, as maiores do país.

Como isso se reflete nas escolas?
Muitos professores propagam em sala de aula uma visão pouco objetiva e ideológica do mundo. Alguns não dominam sequer o básico das matérias e outros, ainda que saibam o necessário, ignoram as técnicas para passar o conhecimento adiante. Vê-se nas escolas, inclusive, certa apologia da ausência de métodos de ensino. Uma ideia bastante difundida no Brasil é que o professor deve ter liberdade total para construir o conhecimento junto com seus alunos. É improdutivo e irracional. Qualquer ciência pressupõe um método. No ensino superior, há também inúmeras mostras de como a ideologia pode sobrepor-se à razão.

Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 6 - Sindicatos - “Pra quebrar tudo é mais caro”

sábado, 24 de outubro de 2009 | 5:13
De olho no dinheiro do imposto sindical, centrais de trabalhadores contratam capangas armados a 180 reais por cabeça para invadir territórios rivais e “roubar” filiados umas das outras
Laura Diniz

NA BASE DA PANCADARIA
Para impedirem a criação de sindicatos “concorrentes” na cidade de Osasco (SP), capangas
alugados pela CUT enfrentam homens contratados pela Nova Central: teve pancadaria,
coquetéis molotov, portões arrancados e cadeiras voando

Poucos negócios no Brasil são tão lucrativos quanto montar um sindicato. Sim, você leu direito. Na república sindical instalada no Brasil pelo governo petista, conseguir representar uma categoria de trabalhadores virou excelente negócio. Mas não um negócio qualquer. Para começar, o sindicato tem monopólio local garantido por lei. Essa categoria é minha e ninguém tasca! A segunda característica desse ramo especialíssimo de negócio é o fato de que o dinheiro cai no caixa automaticamente, sem que seja preciso mexer uma palha. As contribuições, para filiados ou não, são compulsórias. Delas, dos impostos e da morte, ninguém escapa. Uma terceira faceta do negócio é ainda mais atraente. A lei garante a inviolabilidade de suas finanças. Isso significa que os sindicatos estão dispensados de prestar contas sobre como gastam o dinheiro arrecadado compulsoriamente. Quando se somam essas facilidades todas, fica evidente que os sindicalistas chegaram não apenas ao Planalto, mas ao paraíso. Digamos que, mesmo em um ambiente favorável assim, um dirigente sindical brasileiro sinta-se insatisfeito. Sem problema. Passa pela direção de um sindicato o caminho mais curto para conseguir a nomeação para algum alto posto no governo federal em Brasília, que tem 12% dos cargos de confiança ocupados por pessoas ligadas às centrais sindicais. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

Zé Laia, vai procurar tua turma!

sábado, 24 de outubro de 2009 | 5:11
Por Fabiano Maisonnave, na Folha. O título dado pelo jornal é este: “Enviado da OEA pressiona Zelaya a renunciar”. O meu é o que vai acima.
*
No dia em que o diálogo se rompeu oficialmente em Honduras, o enviado da OEA (Organização dos Estados Americanos) ao país, John Biehl, pressionou, na tarde de ontem, Manuel Zelaya a desistir de ser restituído à Presidência e a renunciar junto com o presidente interino, Roberto Micheletti, em prol de um terceiro nome.
Essa proposta, relançada em entrevista coletiva pela manhã pelos delegados de Micheletti, foi trazida pelo próprio Biehl à embaixada brasileira, onde Zelaya está abrigado há 34 dias.
Segundo relato de Carlos Reina, assessor de Zelaya presente à conversa, Biehl tentou convencê-lo a renunciar argumentando que Micheletti estava disposto a fazer o mesmo até as 17h locais (21h em Brasília).
“Mas o presidente Zelaya se manteve firme defendendo por princípio a restituição, ainda que sem poder, de forma simbólica”, disse Reina também hospedado na embaixada.
A presença de Biehl foi inesperada, já que a reunião era inicialmente apenas com os três delegados de Zelaya na mesa de negociação. Foi a primeira vez que ele participou de um encontro desse tipo em mais de duas semanas de negociação.
Na saída, Biehl não quis responder sobre os rumos da crise hondurenha. “Se eu tivesse uma bola de cristal, seria milionário e não estaria aqui.” Ele apenas disse que deverá deixar Honduras no máximo até hoje.
Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

Ortega superestima seu poder, diz ex-vice

sábado, 24 de outubro de 2009 | 5:09
Por Flávia Marreiro, na Folha:
O presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista (FSLN, esquerda), comemorou nesta semana a controversa decisão da Corte Suprema de Justiça da Nicarágua que abriu caminho para que ele se candidate à reeleição em 2011.
Mas o escritor nicaraguense Sergio Ramírez -que integrou a junta que governou a Nicarágua após a vitória sandinista em 1979 e foi vice-presidente no primeiro governo Ortega (1985-1990)- ataca a decisão e projeta um futuro turbulento para seu ex-aliado. “Sob esse argumento, de igualdade de todos perante a lei, pode-se desmontar toda a Carta”, diz. Dissidente do sandinismo desde os anos 90, ele diz que o presidente terá dificuldades para conter os ânimos políticos e sociais. Enumera as razões: a tentativa de união inédita entre direita e dissidentes sandinistas contra Ortega, a rejeição da elite econômica à medida e a precária situação econômica.
Ontem, Ortega recebeu a primeira notícia ruim: segundo pesquisa nos principais centros urbanos, 71,3% pensam que ele não deve tentar se reeleger.
Enquanto a oposição promete bloquear iniciativas do governo no Parlamento, o governo corre para aprovar o Orçamento de 2010, que inclui medidas impopulares que visam convencer o FMI (Fundo Monetário Internacional) a liberar US$ 90 milhões para o país.
Da Universidade Harvard, nos EUA, onde está ministrando desde setembro o seminário “História pública e privada na novela latino-americana”, Ramírez falou ontem à Folha. Leia os principais trechos:


FOLHA - A mobilização da oposição contra a reeleição pode vingar?
SERGIO RAMÍREZ
- Quem vai decidir é a capacidade da oposição de mobilização popular. Esse é um assunto que se vai decidir nas ruas. Para isso funcionar, a oposição tem de demonstrar que está unida. Há, pela primeira vez, uma única frente de luta contra o governo, incluindo [o ex-presidente Arnoldo] Alemán, MRS [Movimento Renovador Sandinista], o setor privado, a sociedade civil.

FOLHA - Há desconfianças sobre Alemán, que já se aliou a Ortega…
RAMÍREZ
- Temos de dar o benefício da dúvida a Alemán. Parece-me que discriminá-lo por seu passado, tirá-lo de uma aliança contra um golpe contra a Constituição não é correto. Ele tem de provar que está sinceramente ao lado da frente.

FOLHA - Por que Ortega resolveu defender a mudança agora, a dois anos da eleição? Qual o cálculo?
RAMÍREZ
- Ortega pensa que até 2011, com a cabeça fria, a oposição vai pensar que, se ficar fora das eleições, ficará fora do jogo. Pensa que vai conseguir controlar politicamente o jogo, os ânimos. É um processo que está amarrado porque o Conselho Supremo Eleitoral, como a Corte Suprema, dependem de Ortega. Se contarem os votos como nas eleições municipais de 2008, quando houve fraude evidente, é o sistema democrático que estará em escombros. O movimento é uma escalada que pretende fazer com que as pessoas não queiram ir votar. Se só os militantes da Frente Sandinista votarem, Ortega ganhará, e o resto perderá a fé no sistema. Esse me parece que é um dos cálculos. Mas para isso ele precisava ter controle absoluto da situação econômica e social, e não acho que tenha.
Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

Eleição no Uruguai - “O populismo de esquerda é uma ameaça ao país”

sábado, 24 de outubro de 2009 | 5:07
No Estadão:
Duas vezes presidente do Uruguai (1985-1990 e 1995-2000), Julio María Sanguinetti, um dos veteranos líderes do Partido Colorado, é uma das referências políticas do país, que fez da estabilidade política sua marca registrada. Crítico do governo do presidente socialista, Tabaré Vázquez, e do candidato esquerdista à sucessão, o ex-guerrilheiro tupamaro José Mujica, ele aposta que as eleições presidenciais de amanhã terão segundo turno.

Alguns temem o estilo populista de Mujica. Isso o preocupa?

Mais do que me preocupar, o estilo de Mujica me entristece. Esse não seria um governo de acordo com a tradição cívica do país. O Uruguai foi uma cisão da Argentina e do Brasil, que conseguiu construir um modelo republicano de sucesso. O problema de Mujica não é seu passado de guerrilheiro, mas são suas ideias hoje. Seus ideais de sociedade oscilam entre a Nova Zelândia e a tribo africana dos Kung San, cujos integrantes trabalham duas horas por dia e depois dedicam-se a fofocar. Sua política externa passa por seu amor ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, pela veneração a Cuba e certo respeito por Lula. Ele não tem uma ideia clara de propriedade. Há poucos dias, disse que toda propriedade deveria ser do Estado uruguaio, que, por sua vez, daria concessões de uso.

Como o sr. avalia o governo de de Tabaré?

Foi privilegiado pelos melhores cinco anos da História mundial. A arrecadação foi fabulosa, as exportações também. Foi pura conjuntura. Prometeram uma grande estrutura educativa e não fizeram nada. Pagaram a totalidade da dívida, como o Brasil fez? Não. Formaram um fundo anticíclico para enfrentar as crises, tal como o Chile? Nada. Houve uma redução modesta da pobreza. Mas poderia ter diminuído mais, já que o PIB cresceu quase 30% nesse período. O problema é que, nos próximos anos, o mundo não terá o mesmo crescimento.
Aqui
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Por Reinaldo Azevedo

Boa notícia - Peemedebistas ligados ao setor rural cobram vaga, e governo pode perder ampla maioria na CPI do MST

sábado, 24 de outubro de 2009 | 5:05
Por Bernardo Mello Franco, no Globo Online:
Os planos do governo para controlar a CPI do MST devem esbarrar na oposição de boa parte da bancada do PMDB, o principal partido aliado do Palácio do Planalto no Congresso. Dono da maior bancada na Câmara e no Senado, o PMDB já admite ceder parte de suas vagas na CPI a parlamentares ruralistas do partido, que não escondem a antipatia pelo MST e condenam o repasse de verbas federais a entidades ligadas ao movimento. Com isso, a tendência é que parte do PMDB se alie à oposição nas críticas aos sem-terra e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário. ( Entenda como funciona uma CPI )

Pressionado pelos ruralistas, o líder peemedebista na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), adiantou nesta sexta-feira que já decidiu indicar representantes do agronegócio para integrar a CPI.
- O segmento ruralista é muito forte no PMDB e já pediu parte das cadeiras. Não teremos preconceito contra os colegas que representam o agronegócio - afirmou.
Os ruralistas exercem grande influência sobre a bancada do PMDB. A força do grupo é maior na Região Sul, berço do MST. Lá foram eleitos o ministro da Agricultura, o deputado licenciado Reinhold Stephanes (PR), e o atual presidente da Frente Ruralista, deputado Valdir Colatto (SC). Desafeto do MST, o catarinense disse que o líder do partido já prometeu uma das vagas a ele.
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Por Reinaldo Azevedo

Fim da picada - “Intelectuais” fazem manifesto contra CPI do MST

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 | 21:59
Por Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo:
Intelectuais do Brasil e do exterior divulgaram nesta sexta-feira, 23, um manifesto em defesa dos Movimento dos Sem-Terra (MST) e contra a CPI criada nesta semana para investigar supostas irregularidades na repasse de verbas públicas para a organização. De acordo com o documento, está em curso no Brasil “um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST”. No fundo, diz o texto, “prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira”.

Entre os signatários do manifesto aparecem os escritores Eduardo Galeano, do Uruguai, e Luiz Fernando Veríssimo. Também estão na lista o crítico literário e professor aposentado Antonio Candido, o cientista político Chico de Oliveira e o filósofo Paulo Arantes. Até o final da tarde de desta sexta-feira, cerca de cem pessoas já haviam assinado o manifesto, que está circulando por diversos países. Em Portugal ele ganhou a adesão do sociólogo Boaventura de Souza Santos, um dos ideólogos do Fórum Social Mundial.
O manifesto critica a cobertura dada pela mídia à destruição de um laranjal da empresa Cutrale por militantes do MST, semanas atrás, no interior de São Paulo. “A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo. Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça”, diz o texto. E mais adiante acrescenta: “Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários, desejando produzir alimentos.”
O manifesto foi redigido por um grupo de apoiadores do MST no Rio. Quando começou a circular ganhou rapidamente adesões em universidades brasileiras e do exterior. Segundo o sociólogo Ricardo Antunes, da Unicamp, um dos signatários do documento, o MST é respeitado internacionalmente como um dos movimentos sociais mais importantes do mundo. “É inaceitável a iniciativa de criminalizá-lo e empurrá-lo para a clandestinidade”, disse ele ao Estado. “É inaceitável também que este Congresso, que chegou ao fundo do poço e cujo presidente tenta cercear o trabalho da imprensa, impedindo a divulgação de informações sobre sua família, se julgue no direito de policiar e tentar sufocar o movimento.”
O texto endossa a tese defendida pela liderança do MST de que o principal objetivo da CPI é tirar do foco o debate sobre a revisão dos índices de produtividade no País, que estão em vigor desde 1975. “A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim disponível para a reforma agrária.”
Leia a íntegra do manifesto
M
anifesto em defesa do MST
Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais

As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.
Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.
Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.
Bloquear a reforma agrária
Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola - cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 - e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário é deslocado dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.

Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.
O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais, como única alternativa para a agropecuária brasileira.
Concentração fundiária
A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.

Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no 1º semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.
Não violência
A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.

É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.
Contra a criminalização das lutas sociais
Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.

Assinam esse documento:
Eduardo Galeano - Uruguai
István Mészáros - Inglaterra
Ana Esther Ceceña - México
Boaventura de Souza Santos - Portugal
Daniel Bensaid - França
Isabel Monal - Cuba
Michael Lowy - França
Claudia Korol - Argentina
Carlos Juliá - Argentina
Miguel Urbano Rodrigues - Portugal
Carlos Aguilar - Costa Rica
Ricardo Gimenez - Chile
Pedro Franco - República Dominicana

Brasil:
Antonio Candido
Ana Clara Ribeiro
Anita Leocadia Prestes
Andressa Caldas
André Vianna Dantas
André Campos Búrigo
Augusto César
Carlos Nelson Coutinho
Carlos Walter Porto-Gonçalves
Carlos Alberto Duarte
Carlos A. Barão
Cátia Guimarães
Cecília Rebouças Coimbra
Ciro Correia
Chico Alencar
Claudia Trindade
Claudia Santiago
Chico de Oliveira
Demian Bezerra de Melo
Emir Sader
Elias Santos
Eurelino Coelho
Eleuterio Prado
Fernando Vieira Velloso
Gaudêncio Frigotto
Gilberto Maringoni
Gilcilene Barão
Irene Seigle
Ivana Jinkings
Ivan Pinheiro
José Paulo Netto
Leandro Konder
Luis Fernando Veríssimo
Luiz Bassegio
Luis Acosta
Lucia Maria Wanderley Neves
Marcelo Badaró Mattos
Marcelo Freixo
Marilda Iamamoto
Mariléa Venancio Porfirio
Mauro Luis Iasi
Maurício Vieira Martins
Otília Fiori Arantes
Paulo Arantes
Paulo Nakatani
Plínio de Arruda Sampaio
Plínio de Arruda Sampaio Filho
Renake Neves
Reinaldo A. Carcanholo
Ricardo Antunes
Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira
Roberto Leher
Sara Granemann
Sandra Carvalho
Sergio Romagnolo
Sheila Jacob
Virgínia Fontes
Vito Giannotti

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Por Reinaldo Azevedo

LULA FAZ UMA PROPOSTA ESCANCARADAMENTE CHAVISTA

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 | 21:02
Como é que Hugo Chávez conseguiu o poder absoluto na Venezuela? Na prática, criando poderes paralelos àqueles existentes. Há um Congresso? Ele cria uma Assembléia Constituinte. Há um Judiciário? A Constituinte amplia as vagas da Corte Suprema para ser preenchida pelos bolivarianos. Os juízes são independentes? Chávez cria uma “câmara” que se encarrega de vigiá-los e puni-los.
Lula inveja aquele modelo. Hoje, ele voltou a reclamar, indiretamente, do TCU e do seu poder de investigar as obras. Nem entrou no mérito se os problemas que o tribunal aponta são reais ou não. No melhor modelo Chávez, ele quer criar uma CÂMARA ESPECIAL para decidir se as obras devem ou não ser paralisadas.
Vocês entenderam ou não? Declara-se a obsolescência e inutilidade de todos os instrumentos existentes de investigação e se coloca um outro no lugar. Pronto! Só que o presidente advertiu: tem de ser uma câmara de “alto nível”.
Em entrevista à Folha, Lula já admitiu que seu “alto nível” admite uma coligação com Judas se for necessário. E não custa lembrar que  ele não está descontente só com o TCU. Na tal entrevista, ele afirmou que o papel da imprensa é só informar; não tem nada de investigar.
A democracia deu o poder a Lula. Se pudesse, ele, agora, daria um pé no seu traseiro.Lula insiste que o que há de bom no Brasil funciona apesar das leis. É mentira! É o oposto! O país se dana justamente quando não as cumpre.

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Por Reinaldo Azevedo

Todos os ultimatos do tal Zé Laia…

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 | 20:12
Mané Zé Laia, ex-presidente de Honduras, decidiu radicalizar. Se o governo interino do país não ceder a seu ultimato, ele ameaça com um novo ultimato.
E adverte: “Es lo penúltimo”.

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Por Reinaldo Azevedo

CIRO VAI SENDO ENREDADO PELO PT. COMO DE HÁBITO…

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 | 19:58
Na Folha Online, lê-se o que vai abaixo. Volto em seguida:
Emidio sinaliza apoio a Ciro e defende abertura de diálogo com partidos aliados em SP
Pré-candidato ao governo de São Paulo, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza (PT), sinalizou hoje disposição de apoiar a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao Palácio dos Bandeirantes.
Em carta aberta (leia a íntegra) à militância petista, Emidio defendeu que o PT abra diálogo com partidos da base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo governo de São Paulo em prol da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência.
“Posiciono-me pela abertura e diálogo, sem vetos, a todas as alternativas apresentadas pelos partidos que venham a se unir para derrotar o projeto dos tucanos em São Paulo. Considero que, em nome da prevalência política do projeto nacional, podemos juntos chegar ao melhor acordo para as forças renovadoras no Estado”, diz ele na carta.
Lideranças do PT admitem apoiar Ciro
Na carta, ele diz que essa opção não significa que o PT não tenha nomes para disputar o governo paulista. “[...] Mesmo consciente que o PT possui no Estado enorme força e representatividade social, e reúne entre suas lideranças diversos companheiros capacitados para pleitear o cargo de governador.”
Ciro lançou seu nome para a disputa pela Presidência. Seu partido, entretanto, pertence à base de apoio do presidente Lula –que defende que a base se una em torno da candidatura única de Dilma.
O presidente já disse publicamente que prefere que a base tenha apenas um candidato para que a eleição presidencial de 2010 seja plebiscitária ao estilo “nós contra eles”.
Para isso acontecer, Ciro teria que desistir do Palácio do Planalto para apoiar Dilma. Em troca, o PT de São Paulo precisa apoiar sua candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.
Reportagem publicada hoje na Folha informa que a ala do PT paulista liderada pelo ex-ministro José Dirceu ofereceu ao PSB de Ciro Gomes dois nomes para ocupar o posto de vice: o de Emidio e o de Edinho Silva, presidente do PT-SP.
A reportagem informa que esse movimento tem como objetivo enfraquecer o grupo que no dia 5 do mês passado aprovou a “construção” de uma candidatura própria à sucessão de José Serra (PSDB).

Comento
Emídio? Ai, meu Deus! Quem é este? Apontado como um dos pré-candidatos do PT ao governo de São Paulo, isso só dá conta da crise — sim, crise — que o partido vive no Estado. Ninguém quer correr riscos. Aloizio Mercadante, que poderia ser considerado um candidato natural, vai querer tentar mais oito anos no Senado. Sabe que seria derrotado por Geraldo Alckmin — ou, numa hipótese menos provável, pelo próprio Serra. Marta, com eleição certa para a Câmara, também seria derrotada. Palocci nem se diga. Em suma, o PT não tem  a menor chance em São Paulo. Daí a pressão para que um ex-cearense (?) seja o candidato.

Ciro já disse o seu “De jeito nenhum!” Assim como o “irrevogável” de Mercadante quer dizer “revogável”, o “não” de Ciro pode virar um “sim” diante de um apelo de Lula…
Tudo já foi escrito aqui, eu juro, no dia 8:
Ciro, São Paulo e a traição
quinta-feira, 8 de outubro de 2009 | 20:29

O PDT já avisou que está fora da eventual candidatura Ciro Gomes (PSB). O deputado que renunciou à, como direi?, cidadania cearense para ser paulista dificilmente conseguirá levar adiante a pretensão de se candidatar à Presidência. Acho que acaba disputando o governo de São Paulo mesmo. “Ah, mas o PT do estado já falou que não aceita”. PT do Estado? Quem é ele pra falar? Vai fazer o que Lula mandar. Quando o Babalorixá quer, ele muda até o sentido das palavras. Aloizio Mercadante sabe como a  palavra “irrevogável” pode virar “revogável” do dia para… o dia. Ciro já fez o essencial segundo os planos de Lula: transferiu o domicílio eleitoral. Traiu os cearenses, mas manteve a sua fidelidade ao presidente.
O lulismo, aliás, é isso. O presidente leva a sério frase atribuída a De Gaulle: o primeiro dever do estadista é a traição - no caso dele, de princípios também. E quem vive com feras sente a inevitável necessidade de ser uma delas, como diria o poeta. Não que Lula tenha errado a trair muitos dos seus princípios: eram ruins mesmo. Ocorre que, quando trair princípios vira um… princípio, os bons também dançam. E seus auxiliares e aliados acabam adotando a linha abraçada pelo mestre. Adiante.
O importante é ter Ciro em São Paulo, com seu impressionante rol de delicadezas, a atacar o principal adversário do PT, ainda que numa campanha estadual. Alguns leitores se e me perguntam: “Mas por que Lula não quer Ciro candidato?” Porque há o risco real de ele ir para o segundo turno, não Dilma. O PT considera impensável não disputar o segundo turno.
“Mas, se Ciro ganhar, ele não será fiel a Lula e ao PT?”
Ora, meus queridos, como bem sabe o povo cearense, o primeiro dever de um estadista é a… traição!

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Por Reinaldo Azevedo

Isto mesmo: que tratem Yeda como tratam Dilma

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 | 18:20
Essa gente realmente é muito engraçada. Aí me escreve um, que se identifica como “Carlos”, no post em que falo que os acusadores de Yeda têm de apresentar provas:
Então Lina Vieira é que tem que provar que Dilma é culpada e não o inverso, Dilma provar que é inocente?
Yeda agradece sua defesa.

Respondo
Começo pelo fim. Yeda não tem de me agradecer de nada porque eu tenho a obrigação de dizer a verdade. Não é um agrado que faço a ela, mas a mim e às minhas filhas.

Quanto à primeira questão, no alvo! Sim, é Lina quem tem de provar. Tanto é que, até agora, não conseguiu, e nada aconteceu com Dilma. Ou, com efeito, a ministra deveria ser alvo de um processo de impeachment — que também existe para ministros de Estado.
Afinal, a acusação de Lina é pesada: diz que a ministra tentou impedir, por razões políticas, a Receita de fazer o seu trabalho. Mas cadê a prova? Não surgiu. Por isso, ninguém pediu o impedimento de Dilma. Ela segue candidata do PT à Presidência, fazendo comícios — ILEGAIS — Brasil afora.
Alguém foi lá ao ministério pedir a sua cabeça? Os tontons-maCUTs saíram às ruas? Os “sindicatos” protestaram?
No alvo, rapaz! Dêem a Yeda ao menos o tratamento que Dilma está recebendo. Embora haja uma ligeira diferença: Lina dá o seu testemunho como personagem que participou do fato. No caso da governadora do Rio Grande do Sul, não se tem nada equivalente. Fica tudo na base do “ouvi dizer” ou “fulano me disse que…” É um pouco diferente.
De todo modo, a sua sugestão involuntária é boa: que as esquerdas, no que concerne à lei, tratem Yeda como tratam Dilma. Não é necessário aplaudir, claro…

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Por Reinaldo Azevedo

A HANNAH ARENDT DOS QUADRÚPEDES

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 | 17:59
Eu sei por que “eles” nos odeiam tanto e se vêem obrigados a colher do canto da boca a baba do rancor quando se referem a nós. Se eu fosse um “deles”, talvez alimentasse os mesmos sentimentos.
Lembram-se do menino João Hélio, no Rio? No dia 21 de fevereiro de 2007, VEJA publicou a seguinte coluna de Diogo Mainardi:
E ainda fazem Carnaval?
Dum. Dum-Dum. Dum Dum-Dum Dum-Dum. O que é isso? Tem gente sambando nas ruas do Rio de Janeiro? As mesmas ruas pelas quais os assassinos arrastaram aquele menino de 6 anos? A primeira medida a ser tomada pelo poder público deveria ter sido cancelar o Carnaval, decretando luto oficial.
Lula comentou o crime:
- Isso não está no racional da humanidade e do mundo animal. Está no irracional da humanidade e do mundo animal.
Lula tem o direito de achar que seu cachorro Galego é mais racional do que qualquer um de seus ministros. Acredito que seja mesmo. O que ninguém pode aceitar é que ele transforme em chanchada uma tragédia desse tamanho. Ele degrada a morte do menino carioca com suas galhofas momescas.
Depois de discorrer sobre a origem do mal no mundo animal, como uma Hannah Arendt dos quadrúpedes, Lula recomendou que os parlamentares agissem com “cautela”, com “serenidade”, ignorando o clamor popular e o clima “passional” que se criou em torno do episódio. Isso significa que deputados federais e senadores podem fazer um pouco de jogo de cena agora, propondo medidas contra a criminalidade, mas, assim que a morte do menino sair do noticiário, tudo voltará a ser rigorosamente como antes. Desde que Lula foi eleito, cerca de 200.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Uma a mais, uma a menos, tanto faz.
Uma das propostas que Lula rejeitou foi diminuir a maioridade penal para 16 anos. Está certo. Melhor diminuí-la para 14 anos. Ou 10. Ou 7. Mas o fato é outro. Dos cinco acusados pela morte do menino carioca, só um era menor de idade. A gente precisa prender os menores de idade. A gente precisa prender também os maiores de idade. E sobretudo: impedir que eles sejam soltos.
Os criminalistas do petismo argumentam que é bobagem aumentar o tempo de cadeia dos bandidos. O que realmente conta, segundo eles, é que um criminoso tenha a certeza de que será pego. Isso é uma afronta à memória do menino assassinado. O chefe da quadrilha que cometeu o crime foi preso seis vezes nos últimos anos, e em todas elas o sistema judicial o soltou. Antes e depois que ele atingisse a maioridade. Quando ocorreu o crime, o petismo imediatamente responsabilizou a polícia. Ela merece ser responsabilizada porque tem antecedentes de roubo, achaque e morte. Mas no caso do menino assassinado a polícia fez e refez seu trabalho direitinho, oferecendo a certeza de que o criminoso seria capturado. Aplauso para a polícia. A falha foi do Código Penal, que libertou um condenado que tinha de continuar na cadeia.
A única resposta que poderíamos dar ao menino assassinado seria prender a bandidagem por mais tempo, abolindo a liberdade condicional e torpedeando o instituto da progressividade da pena, tanto para os crimes hediondos quanto para os crimes comuns. Crime é crime: todos devem ser punidos com o mesmo rigor. Se o chefe da quadrilha que roubou o carro tivesse ficado na cadeia até o fim de sua última pena, o menino ainda estaria vivo. Mas essa é uma causa perdida. O cachorro Galego é contrário. E é ele quem manda. Dum Dum-Dum Dum-Dum.

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Por Reinaldo Azevedo

VEM AÍ O PAT - PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO TRÁFICO

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 | 17:53
O projeto que livra a cara dos “pequenos (?) traficantes” será assinado pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Embora ele certamente concorde com a tese, é só uma espécie de laranja da idéia. Ela nasceu mesmo foi no Ministério da Justiça, de que é titular Tarso Genro, aquele que já atuou como uma espécie de advogado informal de Cesare Battisti, o homicida italiano. Tarso é assim: onde houver uma boa causa, ele está lá.
Ora, gente, por que tanto espanto? Nova York reduziu drasticamente o crime prendendo grandes e pequenos bandidos, coibindo tanto o crime grande quanto aquele antes considerado irrelevante. Até São Paulo — digo “até” porque a esquerdopatia dominante tenta esconder o fato de que o índice de homicídios em São Paulo caiu 70% em 12 anos — é um bom exemplo de que, quanto mais bandido dentro da cadeira, menos crimes fora dela. Que coisa espantosa, não?
Embora a gente tenha jabuticaba, pororoca e Tarso Genro, a lógica funciona no Brasil também. Mas o país sempre procure fazer o contrário do que ela indica.
Ora, o que vai acontecer com o “pequeno (?) traficante” quando for solto? Vai procurar emprego, é claro! Vai querer carteira assinada. Volto àquele negócio do fatalismo. Acreditamos que há forças superiores às quais ninguém resiste: uma delas é trabalhar para o bem do Brasil, não é mesmo? Vejam  o caso de muitos políticos: entre o trabalho e a política, escolheram o quê?  O “pequeno(?) traficante”, tadinho, não havia descoberto ainda que pegar no batente é muito mais gostoso do que vender uns papelotes e umas trouxinhas. E também rende mais, não é mesmo?
“Como, Reinaldo? Você está sugerindo que é mais fácil ganhar a vida no crime?” SUGERINDO??? EU NUNCA SUGIRO NADA!!! EU SEMPRE AFIRMO!!! EU ESTOU AFIRMANDO QUE É MAIS FÁCIL GANHAR GRANA SENDO CRIMINOSO DO QUE SENDO TRABALHADOR.
E é por isso que o risco tem de ser enorme, entenderam? Caiu? Dançou! Cana no bicho! É um clichê, eu sei. Mas o fato é que o crime não pode compensar.  O diabo é que, no Brasil, ser trabalhador rende menos e pode ser até mais perigoso. Sem contar que, se o coitadinho conseguir um salariozinho um pouquinho melhor, que lhe permite morar em algum conjugado na periferia, já é obrigado a pagar Imposto de Renda. A bandidagem, por óbvio, não tem de contribuir…
Sem trocadilho, o “pequeno (?) traficante” está iniciando uma carreira, não é mesmo? Solto, vai poder se especializar. Ou alguém acha que ele vai se dedicar à leitura de Schopenhauer? A proposta explica por que chegamos aqui.
Mas eu estou certo de que haverá um programa de acompanhamento para o companheiro iniciante no tráfico. Sugiro o programa Bolsa Pó ou Bolsa Maconha. Ou, então, o PAT: Programa de Aceleração do Tráfico.

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Por Reinaldo Azevedo

AINDA YEDA, AS LEGIÕES FASCISTAS E OS SOVIETES COMUNAS

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 | 17:06
Vamos botar as coisas no seu lugar. Não fiz avaliação nenhuma sobre a competência política da governadora Yeda Crusius (PSDB), do Rio Grande do Sul, para gerir a crise. O que afirmei COM TODAS AS LETRAS E SUSTENTO é que não conseguiram produzir uma miserável prova contra ela. “Ah, no caso do mensalão, também não havia provas”. Quem disse que não? E os saques no Banco Rural? E os mais de R$ 50 milhões confessadamente movimentados por Marcos Valério? E a confissão de Delúbio Soares sobre os “recursos não-contabilizados”? Não me venham com história. Petralha é useiro e vezeiro em atribuir crimes supostos a adversários para esconder ou compensar seus crimes reais.
Não adiante me xingar. Se há provas, exibam-nas. O que quer o Ministério Público? Primeiro afasta a governadora, e a evidência do crime vem depois? O que querem as esquerdas do Rio Grande do Sul? Primeiro o impeachment e depois a comprovação da irregularidade? Qual é? Desde quando aquela, como chamarei, “autogravação” serve de evidência? Quer dizer que basta eu mesmo gravar acusações contra um adversário ou desafeto meu — ou algum conhecido que eu queira chantagear depois —, e isso deve ser vir de evidência contra ele? Não dá! O que é? Depois dos Processos de Moscou, teremos os Processos de Porto Alegre?
Aí um leitor que se identifica como “Burning” escreve — e não o estou satanizando, mas apostando que ele se dará conta do quão errado está: “Estranho isso. Se é tentativa de linchamento, por que a governadora não responde a todas as questões levantadas pela Polícia Federal, Ministério Público e mata de vez as denúncias que o vice dela fez? Creio que qualquer brasileiro deve defender acima de tudo, políticos que são completamente transparentes. Sejam eles presidentes, deputados, senadores, governadores ou qualquer outro cargo eletivo. Tentar arrumar argumentos para defender alguém que não tem sua inocência comprovada é apenas politicagem. Assim como os políticos que absolveram a governadora no RS.”
Como é que é, Burning? “Defender políticos que não tenham sua inocência comprovada?” Eis o caso. Você pegou a questão pelo avesso. Quem tem de comprovar a culpa são aqueles que acusam. Ou será que, agora, todos nasceremos culpados e vamos, ao longo da vida, tendo de provar a nossa inocência? Eis aí o erro básico de análise nesse caso. QUE AQUELES QUE ACUSAM APRESENTEM A EVIDÊNCIA. É assim que funciona.
“Ah, e aquele caso do dossiê contra FHC e Ruth Cardoso preparado na Casa Civil? Tinha prova?” É claro que tinha. O arquivo está lá, no computador do Ministério. E no caso do Dossiê dos Aloprados? Tinha prova! Ô se tinha!
“E por que o caso de Yeda ganha manifestação de rua, e o do mensalão, não?” Porque, obviamente, as esquerdas, que são as proprietárias dos tais “movimentos sociais”, dos sindicatos e das ONGs põem a tropa na rua. Quando surgiu o escândalo do mensalão, elas também foram às ruas, mas para defender Lula e os petistas e acusar suposta ameaça de golpe. EMBORA NINGUÉM TENHA PEDIDO O IMPEDIMENTO DE LULA, COMO PEDIRAM O DE YEDA. Atenção: Lula se desculpou na TV pelas falcatruas de seu partido, dizendo que não sabia de nada e fora traído (pelos Judas???). Duda Mendonça confessou que recebeu dinheiro no exterior pela campanha de Lula. MAIS DO QUE PROVAS, HOUVE CONFISSÕES. E nada de protesto público ou pedido de impeachment. No caso de Yeda, mesmo não havendo provas, a turma foi pra rua e se tentou impichá-la.
Ele foi incompetente na condução da crise? Pode ter sido. Mas essa é outra questão.
E daí que parte das denúncias tem origem no seu vice, que é do DEM? Um dos políticos (empregando o masculino genérico) por quem tenho mais admiração hoje em dia é do DEM- trata-se de uma mulher, a senadora Kátia Abreu (TO): pensa direito, age direito, é bem-informada, não tem medo de comprar briga com reputações infladas ou nulidades influentes. Mas nem todo mundo do partido merece a minha admiração. Esse rapaz entrou no clima do pega-pra-capar. E também nunca ignorei o fato óbvio de que ele seria o principal beneficiário da deposição da titular. Ele tem tantas provas quanto os outros: nenhuma!
Outro dia alguém me disse: “Reinaldo, ele se diz liberal, como você”. Ele se diga o que bem entender. Considero a sua atuação destrambelhada. E não sei de ninguém que faça, com mais eficiência, o jogo das esquerdas no Rio Grande do Sul do que ele. Nem a peso de ouro o PT contrataria marqueteiro tão eficiente. Ademais, quem disse, também, que todo liberal sempre faz a coisa certa — se é que é um liberal? Não acho que ele deveria se calar diante de irregularidades só para não fazer o jogo da esquerda. É que não faculto nem às esquerdas nem a ele — na verdade, a ninguém — a licença de pedir cabeças sem provas.
Não basta se dizer um liberal. É preciso se comportar como um. O que se tentou fazer no Rio Grande do Sul é coisa de regime discricionário, que se deixa governar por legiões fascistas ou sovietes comunistas. E o nosso regime é o da democracia representativa, onde vige o estado de direito. Arrumem as provas ou declarem a inocência da governadora e calem a boca. Se arrumarem, eu também gritarei: “Impeachment para Yeda”. Levar o poder no grito e no golpe? Aí não dá!
PS - Ah, sim: alguns leitores escreveram coisas como: “Pô, gosto tanto de você, mas não o lerei mais porque você defende Yeda, e ela é culpada etc” É pena! Quem entra aqui o faz para ler o que penso e expressar o que pensa — de acordo com aqueles que são os princípios do blog. Todos sabem o que não devem fazer aqui: pregação esquerdopata, por exemplo. Vai pro lixo.
Mas é bom reiterar: eu escrevo o que bem entendo; não escrevo pra agradar. Basta essa discordância para não me ler nunca mais? Boa viagem! Que saiba morrer o que viver não soube! Há vigaristas por aí que antes medem a temperatura do leitorado (e do eleitorado) para, então, dar uma opinião. Como sabem, eu não espero. Honduras é um bom exemplo. Na noite da deposição daquele vagabundo, escrevi: “Não é golpe,  e ele vai tarde”. E aí dizem: “Mas o mundo acha…” Que se dane o que o mundo acha!
Assim, não me venham alguns com esse troço infantilóide: “Ah, depois dessa, não te leio mais”. Minhas filhas já são mocinhas e não fazem mais birra. Quando estavam na idade de fazê-la, sempre havia o dia do “Não quero comer”. Então a gente partia para a alternativa B: “Nenê não quer arroz e feijão? Não? Então olha que macarrãozinho gostoso! Ah, nenê também não quer? Então nenê vai ficar com fome até decidir comer”. Entenderam?
Manha comigo não funciona. Não há leitor que me faça escrever aquilo em que não acredito. Não há consenso firmado que eu referende se eu não acreditar nele. Já fui o “louco” que dizia que esse papo de aquecimento global é conversa mole… Hoje, quase que há mais “loucos” do lado de cá.
A divergência é o sal da vida. “Ah, então publica um comentário meu”, desafia o petralha. Não! Divergência não é sabotagem.
PS2 - E não! Nunca falei com a governadora Yeda Crusius. Agora que deixei o cabelo crescer (sim, eu tenho cabelo!), ela não me reconheceria na rua. Falo pouco com políticos. Eu falo mais é com a teoria política. E, bem, acho que, por isso, cometo menos enganos.

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Por Reinaldo Azevedo

Por enquanto, falha golpe que o Brasil tentou patrocinar em Honduras

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 | 14:01
Pensemos bem. O que é que fracassou até agora em Honduras? O golpe de estado no qual apostaram Venezuela, Brasil, Nicarágua e El Salvador, os quatro países que se mobilizaram para meter na embaixada brasileira o bandoleiro do chapéu, Manuel Zelaya. Não! Não me refiro ao golpe abortado, que o ex-presidente liderava. Refiro-me a outro.
Qual era a aposta da gangue dos quatro, que participaram da conspirata? Uma divisão  n base de apoio do governo interino de Roberto Micheletti. Divisão que deveria se refletir nas Forças Armadas, que, então, se encarregariam de reinstalar Zelaya no poder pelas armas.
No papel, tudo daria certo.  Zelaya convocaria marchas permanentes, o que levaria o país à virtual paralisia. Sem reconhecimento externo, pressionado pelos EUA, que cortaram toda ajuda ao país que não seja de caráter estritamente humanitário, as próprias lideranças políticas, empresariais e do Judiciário buscariam uma acomodação, que teria de ser imposta pelas armas. Ou seja: aquilo que essa canalha chama “golpe”, o que é mentira, chegaria ao fim com um… golpe! De verdade!
Acontece que, até agora ao menos, não há sinal de que tenha havido esse racha. O Congresso e os empresários fizeram uma discreta pressão contra o estado de exceção. que foi suspenso. E só! Mas não se vê o imaginado clamor por uma solução rápida.
O Brasil bem que tenta emprestar tintas dramáticas à coisa. Ruy Casaes, representante permanente do Brasil na OEA, denuncia uma forma de tortura contra os que estão na embaixada. Roy Chaderto, embaixador da Venezuela junto à organização, prevê — na verdade, o delinqüente promete — o recrudescimento da violência. E, no entanto, a esmagadora maioria da população está quieta porque apóia o governo constitucional.
Manifestações pró-Zelaya têm reunido cada vez menos gente. E os que comparecem são os equivalentes de lá  do MST, da CUT e dos Remelentos & Mafaldinhas que invadem reitorias. Aquela turba de sempre que não costuma reconhecer constituições, leis etc. Os próprios EUA já acenam que a solução pode estar mesmo nas eleições de novembro.
Enquanto isso, aquela gente vai continuando lá na embaixada. É evidente que os brasileiros já deveriam ter sido retirados do local. Talvez os reais golpistas hondurenhos devessem permanecer lá para sempre, se reproduzindo. Declarariam a independência daquele pequeno território. Seria uma experiência interessante. Eles fundariam uma nova civilização. Como afirmei certa feita sobre a reitoria invadida da USP, tenho a certeza de que, em duas gerações, estaríamos frente a frente com nossos ancestrais. Sou capaz de jurar que alguns já escondem os outros dois polegares opositores…

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Por Reinaldo Azevedo



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