2009-10-21

Reinaldo Azevedo

 

MENTIRAS ESSENCIAIS

quarta-feira, 21 de outubro de 2009 | 16:38

Os jornalistas que cobrem Dilma Rousseff podem levar o lead dos textos prontos no laptop. Basta acrescentar os adjuntos adverbiais, as circunstâncias, de lugar, tempo e, eventualmente, instrumento. E incluir algumas aspas, com a mistificação do dia, e pronto! O serviço está feito. Assim, o lead fixo é este:

“A ministra (em breve, “candidata do PT”) Dilma Rousseff voltou a comparar o governo Lula com o do seu antecessor, FHC, e disse que…”

Lula quer disputar a quinta eleição contra seu antecessor, a sua obsessão. Já disputou quatro. A vantagem, por enquanto, é do tucano. Em 1994 e 1998, FHC venceu no primeiro turno. Em 2002, o candidato tucano era José Serra, mas a luta era contra… FHC. Deu segundo turno. Em 1998, o candidato tucano era Geraldo Alckmin, mas a luta era contra FHC de novo. Deu segundo turno outra vez. Lula quer uma quinta jornada. FHC, FHC, FHC…

Aliás, este é um cenário ideal para alguém reacionário como Lula, que faz o Brasil andar para trás — especialmente com a sua tara estatista, revelada ontem, mais uma vez, na posse de Samuel Pinheiro Guimarães, finalmente posto no lugar certo: a secretaria que batizei de “Sealopra”. A depender do petista, o Brasil fica congelado nesta disputa: Lula x FHC.  Numa análise, vá lá, semiótica, pode-se dizer que o que dá sentido a Lula é aquele que ele elegeu como adversário eterno: FHC!!!

Lula precisa do olhar do seu adversário de estimação para que consiga se reconhecer. Mais informações, vocês podem obter com psicanalistas.

Por que isso tudo? Porque Dilma voltou com a cascata de que ela não é ela; ela é Lula. Para tanto, faz de conta que José Serra não é José Serra; ele seria FHC. Porque Dilma é, obviamente, uma invenção de Lula, é preciso criar o paralelo oposto: Serra seria uma extensão do ex-presidente. Tenho minhas dúvidas se isso funciona.

Muitos perguntam até com sinceridade: “Mas qual é o seu problema com o PT? Não há gente errada nos outros partidos?” Claro que há. A estupidez não é exclusividade de petistas. Longe disso. Há certo tipo de burrice, inclusive, muito rara no PT e muito freqüente em seus adversários. “Qual, Reinaldo?” Umbigocentrismo! Há mais idiotas umbigocêntricos na oposição do que no PT — que, no limite, põe sempre o partido acima das individualidades e dos interesses regionais. Mas sigamos.

O problema não é a estupidez episódica, mas a mentira essencial. É preciso que o PT fabrique mentiras em penca sobre o governo FHC para que seu discurso se sustente. O partido sabe que, para o bem (freqüentemente) e para o mal (mais raramente), seguiu a política econômica que herdou. Até o comandante do Banco Central teve de ser pescado nas águas do adversário. A estabilidade econômica alcançada nos oito anos anteriores teve as suas exigências; as de Lula, em circunstâncias novas, foram outras.

Mas digamos que uma certa vigarice própria da disputa eleitoral o impedisse de reconhecer isso… O que dizer, no entanto, desta outra tese vigarista, segundo a qual Serra representaria “a volta” do governo FHC? Em primeiro lugar, “a volta” é, vocês sabem, impossível. Como impossível é  a exata continuidade do que está em curso.

Uma honestidade intelectual mínima supõe reconhecer que Serra não é — e, a rigor, nunca foi — mera expressão do “FHCeísmo” (se isso existisse; nunca existiu porque FHC não é do tipo que cria cultura viciosa). Dilma até pode ser expressão do lulismo — já que não existe sem Lula (e Serra tem, convenham, existência autônoma), mas também cumpre reconhecer que não é Lula. A menos que prometa jamais governar, deixando a tarefa para o outro, terá de tomar as próprias decisões.

Os petistas acham a fórmula infalível: “Se falarmos que Dilma é Lula, tudo estará resolvido; aí basta dizer que Serra é FHC”. Far-se-á toda uma campanha eleitoral sustentada em duas mentiras? O eleitor gosta da sensação de votar em alguém que não existe pelas próprias pernas? Olhem aqui, independentemente de afinidades eletivas, espero que a fórmula não funcione; espero, antes de mais nada, que a mentira, que até os petistas sabem ser mentira, não funcione.

 

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Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma Rousseff compara gestão Lula com a de FHC

quarta-feira, 21 de outubro de 2009 | 16:01

Por Cirilo Júnior, na Folha Online. Comento no post seguinte:
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) voltou a comparar hoje as gestões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a do antecessor tucano Fernando Henrique Cardoso. Dilma é a pré-candidata do PT para disputar a Presidência em 2010.

“A grande especialidade do nosso governo é vencer crises e desafios. Quando se olha para trás e compara o Brasil de 2009 [penúltimo ano do governo Lula] com o de 2002 [último da gestão FHC], nós podemos, em paz, pedir a vocês que confiem cada vez mais neste nosso Brasil”, afirmou ela.

Dilma afirmou que uma das marcas do governo Lula é promover progresso com justiça social. “Quando digo nosso, digo da capacidade que temos de vencer qualquer desafio. O principal deles é continuar isso, trazendo mais progresso com desenvolvimento. Sobretudo justiça social para brasileiros.”

Ela disse que o governo atual permitiu a chegada de brasileiros ao turismo interno “ao promover o desenvolvimento econômico e inclusão social”. “O brasil tem avançado e isso beneficia esse setor de forma especial.”

“Acabamos com a dívida externa e promovemos o mais rápido movimento de ascensão social de nossa história. Lançamos a base de macroprojetos que servirão de base para o salto do futuro”, disse ela mencionando o pré-sal e o programa Minha Casa, Minha Vida.


 

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Por Reinaldo Azevedo

 

Fatias de peru, salsicha com alho e Lula

quarta-feira, 21 de outubro de 2009 | 14:19

Continua a render aquela história dos petralhas e o meu destino caso aconteça isso ou aquilo nas eleições de 2010. Aí diz um que supõe, certamente, que ambos nos arrepiamos diante dos mesmos estímulos, que, no caso, a julgar pelo vocabulário que ele usa, sabem à libido: “Confesse que você não vive mais sem o presidente Lula, que faz o melhor governo da história do Brasil e resgatou a dignidade do povo”. Eu, hein!!!

Ah, petralha! Juro que eu vivo! Não seja como o Luís Bonaparte (o da versão de Marx ao menos), para quem havia certas forças superiores às quais ninguém pode resistir: fatias de peru, salsichas com alho e, no caso, Lula!!! Estou doido para nunca mais falar nele. Mas ele não deixa…

Agora, quanto a não viver sem… Bem, os petralhas é que não vivem sem mim. Entendo: se eu fosse do lado de lá, também me leria… Nem eles se agüentam.

 

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Por Reinaldo Azevedo

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