2009-10-06

HONDURAS VERSUS ESQUERDA COMUNISTA BOLIVARIANA

Em Honduras como no Brasil

080720~1
Reinaldo Azevedo
segunda-feira, 5 de outubro de 2009 | 21:23
A imprensa hondurenha noticia que a Via Campesina — sim, aquela mesma Via Campesina que, entre outras ações violentas, invadiu e depredou um laboratório da Aracruz no Brasil, destruindo anos de trabalho — recebeu da ONG alemã Diakonie US$ 317.491 desde a destituição de Manuel Zelaya — 6.329.000 lempiras, a moeda local. O dinheiro foi parar na conta do chefe da organização no país, Rafael Alegría. A bufunfa, conforme solicitação do próprio Alegría, tem o objetivo de financir “mobilizações e jornadas de formação da população camponesa para o restabelecimento da democracia hondurenha”.
A entidade é notória pelos métodos truculentos a que recorre. Vocês devem imaginar o que quer dizer “democracia”, não? Ah, sim: o propósito é fazer marchas de “setembro a janeiro”. Janeiro é o mês da posse do presidente que sair das urnas. Os verdadeiros golpistas não vão desistir.
A Via Campesina é uma espécie de Internacional do movimento camponês — são os comunas organizados a partir da questão agrária. Está presente no mundo inteiro. Em cada país, é formada por entidades locais, que mantêm a sua identidade. Quem manda na Via Campesina no Brasil é o MST,  um de seus membros. Digamos que, em cada país, o movimento é uma federação de entidades. No mundo, é uma confederação. No primeiro semestre deste ano, outra ONG alemã, a Brot Für Die Welt, já havia transferido US$ 272.915 para a Via Campesina.
É assim que agem em Honduras. É assim que agem no Brasil.

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Por Reinaldo Azevedo

Honduras – Fim do decreto que restringia direitos civis. E o que Micheletti realmente disse

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 | 17:58
Eu não vou desistir de fazer um trabalho simples: dar de ombros para a gritaria e a distorção e procurar o que dizem os fatos. O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, revogou o estado de emergência que vigorava no país, restabelecendo plenamente os direitos civis. Pois bem: isso está na imprensa brasileira. Mas também está que ele admitiu a volta de Manuel Zelaya ao poder. Mais ou menos.
Também circula nos blogs da canalhada que ele teria admitido, numa entrevista à TV, que 90% dos hondurenhos querem a volta do Chapelão. Falso. O que ele disse foi que “90% de la población no quiere su retorno”. “No” quer dizer “NÃO”!!! Tratou da possibilidade da própria renúncia:
“Desde que não haja distúrbios de nunhuma natureza, eu vou para a minha casa, ele (Zelaya), não sei para onde vai porque tem problemas judiciais… Sem nenhuma intervenção nossa que esteja fora da lei”.
Não parece que isso seja admissão de volta. Mas, com efeito, há outro trecho sobre o assunto:
“Pero hay que hablar de los diferentes temas en el sentido que se busca garantizar las elecciones y que sean transparentes, masivas, una fiesta cívica. De allí para allá se puede hablar de cualquier escenario con un presidente electo, antes es muy difícil pensar (…) Creemos que hay una razón para sentarse a dialogar, que es la patria primero; la restitución es una aspiración del señor Zelaya que habría que escucharla ya con mejores planteamientos, con planteamientos legales”.
A única eventual dificuldade de entendimento aí é a palavra “planteamiento”: “exposição, enfoque, apresentação”. Em suma, Micheletti está dizendo que a decisão não é sua, mas da Corte Suprema, aquela mesma que considerou que Zelaya desrespeitou as leis e a Constituição.
Mas atenção!
A situação do país é das mais difíceis. O cerco covarde que se armou é impressionante. E creio, desde que o Plano Arias existe (basta procurar no arquivo), que a solução vai acabar passando por ele — tratei do assunto em artigo na VEJA desta semana. A tendência é que Zelaya seja “restituído”, mas tendo de dividir poderes com uma comissão formada pelos outros poderes, sem insistir no tal plebiscito. E isso é uma derrota para Chávez e para os bolivarianos. Como escreveu Clóvis Rossi, “os golpistas venceram”. Isso quer dizer, então, que os democratas venceram.

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Por Reinaldo Azevedo

TIO REI CONTRA OS TOTALITÁRIOS

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 | 16:21
Cabem ainda algumas considerações a respeito dos que vêm reivindicar neste blog o que dizem ser “direito” à divergência. Em primeiro lugar, devem cobrar direitos de entes estatais, o que não é o meu caso. Em segundo lugar, mas não menos importante, são uns autoritários; querem me calar — ou querem calar a divergência em nome de consensos ditados por entes abstratos como “comunidade internacional”, “comunidade científica”, “maioria das pessoas” e afins. Quem mesmo não suporta a diferença?
É eu me posicionar aqui, como já fiz, contra a legalização do aborto, e eles vêm como abelhas assassinas para reivindicar o “direito” ao contraditório. OCORRE QUE O MEU BLOG É O DIREITO AO CONTRADITÓRIO, já que a ESMAGADORA MAIORIA DA IMPRENSA E DOS JORNALISTAS É FAVORÁVEL AO ABORTO. Então, quem está na contramão da metafísica influente sou eu. Mas não pode! É preciso tentar me calar, e aos meus leitores, com uma avalanche de comentários que se dividem entre a grosseria pura e simples e o suposto saber científico que justifica a prática — isso quando não pretendem erigir a coisa como uma moral superior.
É eu me posicionar contra a pesquisa com células-tronco embrionárias, e lá vem a avalanche — e olhem que permiti e permito divergência nesse caso, de acordo com as premissas expostas em post anterior — tentando me provar que os cientistas Já resolveram a questão moral em meu lugar. Não! Nenhum cientista resolve problemas de moral ou de crença. A minha diferença com os que defendem a prática não é uma querela qualquer sobre, sei lá, o RNA. Soluções eficientes nem sempre são moralmente aceitáveis. De novo, a divergência sou eu. Por que não posso escrever? Em nome da “democracia”, devo me deixar esmagar pela suposta “maioria”?
No caso de Honduras, então, a coisa chega a ser escandalosa. Fui ler a Constituição do país no primeiro dia. Demorou dois meses até que, enfim, o resto da imprensa se dignasse a lembrar que países são regidos por códigos legais e não por esferas influentes de opinião. Não tendo mais como sustentar a tese do golpe, os valentes se ativeram à “Teoria do Pijama”: se saiu do país de pijama, então é golpe. Os espertalhões tentam torcer o que diz o texto legal; os burros chegam a dizer que, claro, é bem verdade que Zelaya transgrediu alguns artigos, mas os “golpistas” não precisavam exagerar…  São os crentes na “meia-violação” constitucional — violá-la só um pouquinho deve ser prática admitida. Pois bem: a rataiada reivindica o “direito” disso e daquilo em nome do “todo mundo diz…”
Fui mais longe: escrevi um artigo com 16 pontos, expondo por que não houve um golpe no país. E desafiei: provem que estou errado. Nada! Nem aqui nem em lugar nenhum. Mas o sujeito insiste: “Foi golpe porque…” Eu desmonto a tese do golpe com o texto constitucional à mão; eles querem sustentá-lo sem texto nenhum; apenas porque se supõem mais bacanas do que eu.
E eu sou o autoritário??? Uma banana, macaco! Já passei da idade de cair nesse truque. Não tivesse tido a idéia luminosa de eliminar os petralhas daqui, eles teriam aparelhado também este blog, como fazem com todos. Eles aceitam fórum de debate desde que ganhem. E também são pagos para isso, não é? É militância a soldo. Aqui, não vão passar.
Os que supostamente vêm a esta página reivindicar o contraditório estão reivindicando é meu silêncio. Querem-me quietinho, acuado pela suposta “maioria” que eles formam - e que não é maioria coisa nenhuma. Fosse o povo votar em plebiscito, boa parte das teses que defendem — especialmente as relativas a costumes — seria derrotada. Sorte deles que não há, de fato, no Brasil partidos conservadores, que politizem esses temas, a exemplo do que ocorre em todas as democracias civilizadas. E nem por isso vou defender democracias plebiscitárias. Porque acredito na representação, que permite o debate que esclarece.
Por acaso, em suas páginas de estimação, o debate é “aberto”, existe a “divergência”? Jamais! Eles a reivindicam aqui. E ficamos, então, diante de um paradoxo curioso: para provar que sou um democrata, devo permitir que eles me ofendam e ofendam aqueles que pensam como eu. Já eles não precisam acatar a divergência porque não precisariam provar coisa nenhuma. A democracia, então, segundo esta visão de mundo, não está na convivência das diferenças mas no triunfo permanente do ponto de vista deles - assim, só se pode ser um democrata estando com eles. E isso, obviamente, revela uma visão totalitária de mundo. Querem é ditadura de opinião.

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Por Reinaldo Azevedo

NEM VEM, QUE AQUI NÃO TEM

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 | 14:27
Ainda sobre o post abaixo:
É falso, como tudo o que espalham aqueles seres estranhos, que eu não permita divergência aqui. Permito. Sobre os mais variados assuntos. Mas há algumas condições:
A condição biológica
- O argumento tem de ser bípede;
- O argumento tem de ser bípede e não pode ter o corpo coberto de penas;
- Se bípede, sem o corpo coberto de penas, não pode ter quatro polegares opositores.
A condição legal
No caso de Honduras, tem de provar que o texto constitucional quer dizer outra coisa que não aquilo que diz e que Zelaya não estava tentando dar um golpe quando mandou o Exército fazer uma coisa que a Justiça decidira que era ilegal. Ou, então, o argumentador tem de ler o Dicionário de Política do Bobbio, mas aquele na versão reescrita pelo obudsman da Folha, para me provar que aquilo que Zelaya fazia tinha outro nome.
A condição matrimonial
Refiro-me à minha. Não pode tentar pegar no meu braço para tentar me agradar e ver se emplaca aqui a tese do golpe: “Reinaldo, você é um cara inteligente e escreve direito, mas não acha que tirar o cara de pijama etc e tal…” Agradeço, mas já sou casado, hehe. Nem Dona Reinalda tenta me convencer do que não estou convencido com esse truque. Ademais, gente que transforma pijama em princípio constitucional ou em categoria de pensamento me deixa entediado. Se ele estivesse de fraque, seria diferente? Alô, contragolpistas de todo o mundo! Façam o vagabundo vestir um fraque antes! Saída ilegal não quer dizer deposição ilegal. Simples e óbvio.
Ah, sim: os que se mostram tão loquazes para combater o que chamam de “censura” têm uma causa: vão protestar, como protesto aqui, contra a censura ao Estadão, por exemplo. Naquele caso, sim, há um ente estatal impedindo a livre circulação de informação. Esta página é privada. Autoritário é o blog do Lula, feito com dinheiro público.

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