2009-10-01

Distorção determinada, sistemática e metódica da história.

UMA ENTREVISTA DE MICHELETTI E A MENTIRA DA ESQUERDA COMO UM SISTEMA

 

Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 30 de setembro de 2009 | 22:13micheletti1

O jornal argentino Clarín tem sua parcela de responsabilidade na distorção, ampliada pelos sites brasileiros e, como vou dizer?, “escandalizada” pela esquerda perturbada de sempre. A canalha já começou: “Tá vendo? Tiraram Zelaya do poder porque ele foi para a esquerda e pôs comunistas no poder, não porque violou a Constituição”. Huuummm, ainda que tivesse sido, daria um bom debate se um governo deve cair por flertar com comunistas. Eu, vejam só, sou tentado a achar que quem flerta com comunistas e nazistas tem de cair. Zelaya, cercado de anti-semitas tarados, flerta com ambos. Mas não caiu por isso. Nem Roberto Micheletti afirmou isso em entrevista ao Clarín. Então por que a confusão? Leiam este trecho:

¿Fue la corrupción, la Constituyente o intentos de cambios sociales lo que llevó al golpe?

Lo sacamos a Zelaya por su izquierdismo y corrupción. El fue presidente, como liberal, como yo. Pero se hizo amigo de Daniel Ortega, Chávez, Correa, Evo Morales.

Perdón…

Se fue a la izquierda, puso toda gente comunista, nos preocupó.

Este trecho foi parar na abertura da entrevista e deu o título: “Sacamos a Zelaya porque se fue a la izquierda, puso a comunistas”: “Tiramos Zelaya porque se bandeou para a esquerda e pôs comunistas [no poder]”.

Ocorre, e vocês poderão ler a entrevista na íntegra aqui, que o presidente interino já havia apontado a violação da Constituição. O esquerdismo é visto por Zelaya como a causa da tentativa de golpear a Carta. E ele deixa muito claro: “Puede haber reformas, incluso constitucionales, menos en 3 artículos, territorio, forma de gobierno ni reelección. Pero lo que prometía Zelaya era pura farsa.” E antes disso: “Rogamos a Zelaya no forzar la Constitución. Robó 700 millones de lempiras (US$ 36 millones) y sacó en carretilla del Banco Central fondos para su reforma constitucional. Gastó millones para pasear en helicóptero y en asesores. Era corrupto, tenía varios sinvergüenzas.”

Esquerdistas, no mundo inteiro, só chegaram ao poder por meio do golpe — no passado, era golpe armado. No presente, escolhem a via constitucional. Odeiam a democracia por princípio; sempre a consideraram uma farsa burguesa. Passaram a ver no sistema apenas um meio para chegar ao poder e, então, solapá-la pela via eleitoral. Mas gostam de se fazer de vítimas.

A idéia de que Zelaya caiu só porque se bandeara para a esquerdista faz parte dessa distorção determinada, sistemática e metódica da história.

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