2009-10-06

CIRO, DILMA E SERRA

CIRO JÁ PRESIDIU O BRASIL: FOI ENTRE 1990 e 1992. OU: SÓ FALTOU OS SEIOS NUS

Reinaldo Azevedo
terça-feira, 6 de outubro de 2009 | 2:55


Publiquei ontem aqui um vídeo em que o ex-cearense e neopaulista Ciro Gomes (PSB) desce do palanque, com seguranças, e parte para cima dos adversários na cidade de Carnaubal. Aconteceu nas eleições municipais do ano passado. Vejam lá o post. O que vai abaixo é um filme de 2006. A partir de 1min56s, aparece o valentão em ação. Vejam um pouco. Volto em seguida.


Explico as circ
unstâncias. A cidade é Mombaça. Observem que os partidários do então governador Lúcio Alcântara (PSDB), que concorria à reeleição, já estavam em praça pública. Aí vem chegando a comitiva das bandeiras vermelhas, do candidato Cid Gomes, irmão de Ciro, do PSB. Cid venceu. Sua sogra é que ficou feliz.
Observem que Ciro salta da camionete com a bandeira vermelha em punho e, feito a Liberdade Guiando o Povo, de Eugène Delacroix, avançou contra a multidão do partido adversário, como um típico provocador. Dêem uma olhadinha no quadro famoso.
liberdade-guiando-o-povo
Ele não chegou a desfilar de seios nus, como no quadro. Também não conseguiu fazer tombar os adversários a seus pés, a exemplo do que mostra imagem — o que não quer dizer que seu vocabulário não sirva como as pistolas e espingardas do quadro, sempre prontas a disprar balas perdidas — ou melhor, achadas. Todos sabem qual é a sua obsessão clínica.
Não houve mortes, mas a atitude irresponsável do rapaz provocou tumulto, e quatro pessoas saíram feridas. Ciro decidiu dar uma banana para o povo cearense, que o elegeu, e mudou o domicílio eleitoral para São Paulo. Pode ser que diga aos cearenses que trocou de estado para poder cumprir melhor as promessas que lhes fez. Nesse caso, tem de dar explicações aos paulistas.
É tal o pavor de Lula de não fazer seu sucessor, que não viu mal nenhum em operar tal manobra. Espera ter Ciro disputando o governo de São Paulo, com o apoio do PT — uma humilhação para o partido, é evidente, que se veria na contingência de, como posso dizer?, servir de barriga de aluguel. Os petistas paulistas dizem não aceitar a fórmula. Mas aceitarão se o chefe decidir que é assim.
Por que divulgar esses vídeos de Ciro? Porque estamos diante de um estilo — que é nosso velho conhecido. Ciro já foi presidente do Brasil: entre 1990 e 1992 e foi obrigado a renunciar para não ser impichado. Tinha outra nome, mas a mesma língua solta, a mesma valentia bravateira, a mesma disposição de apresentar soluções fáceis e erradas para problemas difíceis. Os defeitos de Lula não são pequenos, concordamos todos — ao menos neste blog, hehe. Mas tem certa disposição para a conciliação. Já o amiguinho que se vê acima, não.
Notem bem: este é o comportamento do rapaz como membro de uma família influente no Ceará, estado em que divide a liderança com outras influentes — vale dizer: o que se vê no vídeo é só o chefezinho de um clã. Imaginem este senhor com os poderes quase imperiais de um presidente da República no Brasil. Ele é a opção alternativa. A primeira, claro, é a “dona do cowboy”.


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Por Reinaldo Azevedo

Em MG, Marina critica polarização entre PT e PSDB e censura o jeito Ciro de fazer política

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 | 22:15
Por Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo:
A senadora Marina Silva (AC), pré-candidata do PV à Presidência da República, afirmou nesta segunda-feira, 5, que o maior desafio político do futuro governo é promover o diálogo entre o PT e o PSDB.
Marina deixou em aberto a possibilidade de eventual aliança com petistas ou tucanos em 2010, ressaltando, porém, que reprova o que chamou de “forma destrutiva” de fazer política. “É fundamental que, naquilo que é essencial para o País, haja a possibilidade de diálogo (entre PSDB e PT) para que se qualifique uma base de sustentação dentro do Congresso e não se fique refém de qualquer forma de fisiologismo”, disse a senadora, durante visita a Ipatinga, no Vale do Aço mineiro.
Após discursar em um parque ecológico da cidade, Marina reiterou que o PV decidiu pela candidatura própria ao Palácio do Planalto. Ela, no entanto, fez questão de elogiar os “avanços” alcançados dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.
“Estamos num processo, queremos disputar, queremos participar. Obviamente, com a clareza daqueles que querem fazer política sem ser de forma destrutiva. Não temos nenhum problema em reconhecer os avanços desses últimos 16 anos da política econômica”, ressaltou, citando a consolidação do Plano Real durante a gestão FHC e a distribuição de renda com “equilíbrio econômico” no governo Lula.
Marina também aproveitou para reafirmar sua principal bandeira de campanha. “A história não para aí e queremos dar continuidade ao processo de mudança. E a mudança é mudar o modelo de desenvolvimento, da forma insustentável para a sustentável”.
A entrada da senadora na disputa presidencial foi o primeiro indício de que a eleição em 2010 não deverá se resumir a uma briga “plebiscitária” entre PT e PSDB. Para a pré-candidata do PV, é preciso “acreditar que é possível fazer diferente” na política brasileira.
“Se fosse para aderir a qualquer esquema espúrio eu preferiria me ausentar”, afirmou, citando a necessidade de convergência entre petistas e tucanos. “Acho que o grande desafio é fazer um diálogo entre os partidos que hoje não conversam, que é o PT e o PSDB”.
Ciro Gomes
Marina voltou a condenar a “forma destrutiva de fazer política” ao ser questionada sobre a declaração do deputado federal e pré-candidato do PSB, Ciro Gomes, que disse que o governador de São Paulo, José Serra - que disputa a indicação no PSDB com o colega mineiro Aécio Neves -, é mais feio na alma do que no rosto.
Sem citar o nome do deputado socialista, disse que espera que este seja “um momento de discutir ideias, de discutir propostas”. “Eu prefiro que a política estabeleça o debate e não o embate”, afirmou. “Prefiro que a gente estabeleça o debate, o diálogo, do que qualquer forma destrutiva de fazer política sem respeitar o interlocutor”.
Embora cumprisse uma extensa agenda na cidade do Vale do Aço - sede da siderúrgica Usiminas e um dos principais redutos petistas do Estado -, a senadora negou que estivesse em campanha e classificou a visita como uma agenda de trabalho. Ela foi recepcionada por integrantes do PV mineiro e pelo ex-prefeito Chico Ferramenta (PT), que venceu as eleições de outubro do ano passado, mas teve o registro cassado e não tomou posse devido a irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nas suas gestões anteriores.
Do aeroporto da cidade, Marina seguiu para o Parque Ipanema, onde discursou e concedeu coletiva. Em seguida, visitaria a sede do 14º Batalhão da Polícia Militar (PM) e uma instituição de caridade. Depois, participaria de evento na igreja Assembleia de Deus e à noite daria palestra a universitários dos cursos de Engenharia Ambiental e Serviço Social de uma universidade local. A programação seria encerrada com um jantar com integrantes do PV em Minas.

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Por Reinaldo Azevedo

Marta descarta Ciro em SP e reitera preferência por Palocci

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 | 21:53
No Estadão:
A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) disse nesta segunda-feira, 5, que o deputado federal Ciro Gomes, uma das opções do PSB para concorrer ao governo do Estado, “não tem a ver com São Paulo”. Ela ressaltou que essa sempre foi sua posição, mas que a avaliação está ganhando força entre outros membros do PT.
“Eu acho que estamos chegando a uma percepção de que a candidatura Ciro não tem a ver com São Paulo. A minha posição sempre foi essa, desde o início”, afirmou ela após reunir-se com membros da legenda na sede do diretório estadual do PT na Capital.
Foi a primeira vez que Marta, ex-ministra do Turismo, fez uma manifestação tão contundente em relação ao tema e que contraria o desejo do presidente Lula de apoiar a candidatura de Ciro para o governo de São Paulo. Na semana passada, o deputado transferiu seu domicílio eleitoral para a capital paulista e deixou as portas abertas para concorrer nas eleições de 2010 para o cargo de governador no Estado.
Marta reiterou apoio à candidatura do ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) para o cargo. “Eu apoio a candidatura de Palocci e fiz um longo discurso de apoio”, afirmou. Segundo ela, a entrada de Ciro no cenário estadual não atrapalha o PT nem o obriga a seguir o PSB.
“Ao contrário, a maioria dos membros do PT nas três instâncias (municipal, estadual e federal) é a favor da candidatura própria, sem fechar as portas para uma conjuntura nacional, eventualmente. A candidatura própria é quase unanimidade. Isso ficou claríssimo nessa reunião”, explicou.
De acordo com a ex-ministra, o presidente estadual do PSB, o deputado federal Márcio França, não deu mostras de que quer discutir uma aliança estadual com o PT.
“Eu acho que o PSB nunca fez caminho de flores para nós no Estado. Acho que o Márcio França falou muito claramente que, se não for o Ciro, será o Skaf (Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, recém filiado ao PSB). Então, o que o PT está fazendo nessa conversa? Temos que ter candidato e vamos ter”, defendeu.

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