2009-09-11

TARSO GENRO INSISTE NO ASILO AO ASSASSINO

Tarso Genro Maconheiro_01

TARSO GENRO TOMA SUA COMÉDIA PESSOAL PELA HISTÓRIA UNIVERSAL

sexta-feira, 11 de setembro de 2009 | 5:39

REINALDO AZEVEDO

O ministro da Justiça, Tarso Genro, cobre, a cada dia, com uma tolice nova a perpetrada no dia anterior. E sabemos que, insaciável, jamais se dará por satisfeito e lutará consigo mesmo para que possa superar a própria marca no dia seguinte. Do Chile, onde participa de um seminário, Tarso afirmou que o voto do ministro Cezar Peluso no caso Cesare Battisti foi ideológico. O vice-presidente do Supremo teria ainda distorcido o seu parecer em favor do refúgio. E anteviu uma crise  institucional. Mais: afirmou que Battisti é um “prisioneiro político” no Brasil! Uau! Quem diria, hein? O Judiciário brasileiro agora instaurou uma ditadura! Vamos ver.

Começo pela crise institucional. A única pessoa que deveria entrar em crise com a extradição de Battisti é o próprio Tarso, porque sua atuação foi exposta a um ridículo ímpar. Ainda que Joaquim Barbosa tenha oferecido os ombros para ajudá-lo a suportar o constrangimento, a humilhação a que foi submetido, com efeito, não foi pequena.  Não há crise nenhuma! Parafraseando o Karl Marx  do 18 Brumário, quando estava na oposição, Tarso concebia “a vida histórica das nações e os grandes feitos do Estado como comédia em seu sentido mais vulgar, como uma mascarada onde as fantasias, frases e gestos servem apenas para disfarçar a mais tacanha vilania.” Agora, no poder, como ministro, “não mais toma a história universal por uma comédia e sim a sua própria comédia pela história universal.”

O parecer do ministro da Justiça é publico, poder ser lido na íntegra (link aqui). Vocês podem constatar todas as artimanhas a que recorreu este colosso do direito para transformar um homicida num homem perseguido pelo governo da Itália. Peluso leu direitinho o que ele escreveu. E esse foi o problema.

O truque de Tarso chegou a ser infantil. Battisti foi condenado por crime comum. Ocorre que,  de fato, ele integrou um grupo terrorista na Itália. O que fez o glorioso ministro da Justiça brasileiro? Usou os crimes do terrorista para amenizar os crimes do homicida comum!!! No que concerne à ética e a moral, trata-se de um parecer verdadeiramente… criminoso! Tarso evoca suposta situação de excepcionalidade institucional na Itália que combatia o terrorismo, mas não consegue demonstrar como essa suposta excepcionalidade prejudicou Battisti. Pior ainda: tentou demonstrar, mas foi desmentido. A sua determinação — ela, sim, política, ideológica — de conceder refúgio a Battisti ignorou, por exemplo, o parecer do sempre muito acolhedor Conare  (Conselho Nacional de Refugiados).

Tarso reclamou do “tom” em que Peluso teria lido trechos do seu parecer. Uau! Tivesse  vencido em 1964, o ministro da Justiça teria mandado cercar o Supremo: “Não gostei do tom!!!” Como ele queria que o ministro lesse, por exemplo, uma estrovenga como a que segue?
Não resta a menor dúvida, independentemente da avaliação de que os crimes imputados ao recorrente sejam considerados de caráter político ou não - aliás inaceitáveis, em qualquer hipótese, do ponto de vista do humanismo democrático - de que é fato irrefutável a participação política do Recorrente, o seu envolvimento político insurrecional e a pretensão, sua e de seu grupo, de instituir um poder soberano “fora do ordenamento”.

Releiam. Notaram? Para Tarso, pouco importa se os crimes cometidos pelo recorrente tiveram caráter político ou não, o inegável é que ele estava envolvido com a insurreição. E isso, então, segundo o raciossímio acima, torna político qualquer crime. No Brasil, já não basta a imunidade parlamentar proteger criminoso comum. Tarso criou, também, a “Imunidade do Terror”: se o cara pratica insurreição, essa insurreição enobrece seus homicídios. E ele ganha refúgio. Atenção para o trechinho em bold: ele acha aqueles crimes “inaceitáveis”, mas observados “do ponto de vista do humanismo democrático”. Isso faz supor que exista um outro ponto de vista — ou um Outro humanismo — que os torna “aceitáveis”.

Este é Tarso, o homem que quer rever a Lei da Anistia no Brasil — mas não para os terroristas nativos, é evidente. Afinal, ele protege até um italiano justamente por causa da sua “insurreição”.

Quanto a Battisti ser um “preso político”, dizer o quê? Só lhe resta mobilizar a Comissão de Anistia e pedir indenização. Não seria o primeiro vigarista ou homicida a conseguir meter a mão na nossa grana.

 

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