2009-09-04

MST, O BRAÇO ARMADO DE LULA

MST ameaça invadir áreas produtivas

sexta-feira, 4 de setembro de 2009 | 6:37

Por Roldão Arruda, no Estadão:

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Desencantados com a atitude do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que parece cada vez menos disposto a cumprir a promessa de atualizar os índices de produtividade rural no País, os líderes do Movimento dos Sem-Terra (MST) planejam mudanças em suas táticas. Estudam a realização de uma jornada de ocupação de propriedades produtivas.

O argumento do MST é que o governo, ao postergar a atualização dos índices com receio das reações da bancada ruralista no Congresso, desrespeita a Constituição e outras leis que tratam do assunto. “Se o governo, os empresários rurais e os seus representantes acham que o caminho ideal é o não cumprimento das leis que prevêem a atualização dos índices, isso nos dá o direito de descumprir a lei que impede a ocupação de propriedades produtivas”, disse ontem João Paulo Rodrigues, porta-voz da coordenação nacional do movimento.

“Ao impedir o debate sobre desapropriação de propriedades produtivas, a bancada ruralista está montando uma arapuca para os próprios empresários rurais. Nós podemos pôr em andamento uma jornada de ocupação das chamadas terras produtivas”, continuou o porta-voz do MST. “A reação à atualização dos índices é ideológica, pois não altera grande coisa. O governo prometeu mudar, mas diante da reação, especialmente do PMDB, ficou assustado e recuou, deixando de cumprir o que está determinado na Constituição do Brasil.”

Na opinião do líder dos sem-terra, o presidente Lula perdeu uma oportunidade histórica. “Lula, que vai sair do governo como o presidente que não fez a reforma agrária prometida, perdeu a oportunidade de sair como o presidente que teve a coragem de atualizar os índices, após mais de trinta anos de espera”, afirmou. Aqui

 

À espera de novo índice, sem-terra preparam ocupações

quinta-feira, 3 de setembro de 2009 | 20:26

José Maria Tomazela, de O Estado de S.Paulo:

A expectativa da revisão dos índices de produtividade no campo pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já causa uma corrida aos acampamentos de sem-terra no interior de São Paulo. Em Araçatuba, noroeste do Estado, moradores urbanos e cortadores de cana engrossam o Adão Preto, um mega acampamento formado por dissidentes do Movimento dos Sem-Terra (MST), considerado o maior do Brasil.

Desde a semana passada, o local passou a receber em média 20 famílias por dia. O coordenador Claudemir Silva Novaes chegou a suspender temporariamente o ingresso de novos acampados por falta de estrutura.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) utiliza os índices para avaliar a produtividade das fazendas e desapropriar áreas improdutivas para a reforma agrária. A revisão aumentará em até 100% o mínimo de produção a ser alcançado no campo.

Na região noroeste, a nova fronteira da cana-de-açúcar em São Paulo, muitas fazendas não atingirão o novo índice, segundo Novaes. “São áreas que estão no limite da produtividade atual, de 70 toneladas de cana por hectare”, disse.

Assim que os novos índices entrarem em vigor, lideranças dos sem-terra pedirão ao Incra a vistoria nas fazendas. “O presidente Lula quer que a revisão saia já. As terras improdutivas estarão na mira dos sem-terra”, afirmou Novaes. “Só não vamos ocupar áreas que estiverem dentro dos índices.”

O acampamento, criado no final de março pelo líder da dissidência, José Rainha Júnior, tinha cerca de mil famílias na última quarta-feira e novos acampados não paravam de chegar. Os 850 barracos ocupam dois quilômetros das faixas laterais de uma rodovia vicinal no distrito de Engenheiro Taveira.

Estrutura precária
Desempregado, Salvador da Rocha empregou as economias na compra de madeira e telhas tipo eternit. Ele ganhou a lona plástica de um vizinho e fretou um caminhão para levar tudo até o Adão Preto. A família de José Osvaldo Mianuti, de 67 anos, também chegou há poucos dias. “O tempo de espera não importa, tenho certeza que valerá o sacrifício”, disse.

A estrutura é precária: o acampamento não tem energia, nem água. Cada acampado paga R$ 0,50 por semana pela água de um caminhão-pipa. O governo federal mandou 600 cestas básicas para os que permanecem no local - a maioria tem casa na cidade e fica no barraco só dois dias por semana.

O Adão Preto está numa área cercada por canaviais e fazendas de gado. Ele se formou graças à migração de José Rainha, Novaes e outros líderes sem-terra que atuavam no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste, para essa região.

Muitos acampados têm automóveis e alguns circulam de caminhoneta. Novaes explica que eles têm pequenos negócios em Araçatuba e cidades vizinhas, como Birigui, Andradina e Guararapes. “É gente que foi expulsa do campo para a cidade e agora quer voltar para o campo.”

Alta Paulista
O município tem três assentamentos instalados em fazendas desapropriadas - as fazendas Aracanguá, Floresta e Araçá - com um total de 407 famílias, administrados pelo Incra. “Ainda tem muito sem-terra para ser assentado”, avaliou.

Na região da Alta Paulista, famílias sem-terra interessadas em disputar um lote foram encaminhadas a acampamentos do MST e do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) pelos sindicatos rurais. Um novo acampamento com bandeira do Mast começou a ser montado próximo de Ouro Verde, na região de Dracena.

Também houve uma retomada na procura por vagas em acampamentos do MST no Pontal e na região de Iaras, no centro-oeste do Estado. “Muitos sem-terra que já ficaram sob a lona voltaram a ter esperança”, disse Valmir Ribeiro Chaves, coordenador no Pontal.

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