2009-08-11

A FALACIA ABORTISTA



terça-feira, 11 de agosto de 2009 19:58


No dia 27 de agosto do ano passado, escrevi um post chamado O ABORTO E A TEOLOGIA ACHADA NA SARJETA.


O Supremo tinha acabo de realizar um audiência pública ouvindo algumas pessoas sobre o aborto de fetos anencéfalos. Escrevi, então, o que segue. Acho que o texto tem de ser revisto. Ele trata, como prometi no post abaixo, de uma questão teológica.
Vamos lá.*Já apanhei bastante, inclusive de fãs do blog, por causa da minha opinião a respeito. É do jogo. Tenho leitores altivos, donos do seu nariz. Nem sempre seguem “o mestre”, como me chamam em tom irônico os adversários do blog — para me esculhambar, claro. Fosse eu outro, iria perscrutando as opiniões da maioria para, então, liderá-la. Sou quem sou. Se tiver de ficar sozinho, lá vou eu para o deserto. Mas, claro, há muitos que concordam comigo. E, desta feita, não vou nem entrar no mérito da questão.


Fiquei, com efeito, encantado com alguns representantes ditos “religiosos” na audiência pública. Dois, em particular, ofendem a inteligência, havendo uma, de pessoas favoráveis ou contrárias ao aborto de anencéfalos. No caso, falaram a favor.


Comecemos pelas tais “Católicas pelo Direito de Decidir”. Estarem estas senhoras representadas numa audiência pública é um ofensa à lógica e à religião. Ofende a lógica porque elas são militantes pró-aborto sem qualquer locução adjetiva. As ditas católicas não são favoráveis ao aborto de anéncéfalos apenas. Não! Elas são favoráveis ao aborto, qualquer um. De fetos com cérebro também. Para elas, um miolinho a mais, um a menos, tanto faz. Que lógica explica o convite? Não falam em nome dos católicos. Falam em nome de sua entidade.
Mas ofendem também a religião. Como podem se dizer católicas se renegam um princípio básico da religião? Quem as reconhece nessa condição? A ser assim, vamos fundar o “Islamismo pelo Direito de Decidir”. Ou o “Judaísmo pelo Direito de Decidir”. Ou o “Hinduísmo pelo Direito de Decidir”. Basta que a gente se diga pertencente a tal religião, e teremos, então, o status de uma dissidência. Mas “decidir” o quê? Ah, sei lá: no caso do hinduísmo, por exemplo, poderia ser “Pelo Direito de Decidir Consumir Carne de Vaca”. E militaríamos pelo direito de comer carne de porco em todas elas…


Ora, falta a essas senhoras um mínimo, pequenino mesmo, senso de decoro. Por que não criam a sua ONG pró-aborto, tenha ela o nome que tiver, e não param de usurpar o nome do catolicismo para defender uma prática renegada por essa Igreja? Aliás, já passou da hora de a hierarquia católica brasileira declarar a excomunhão dessas senhoras — porque se auto-excomungaram. É um procedimento da religião que elas abraçaram. Ou sigam os preceitos ou caiam fora. Felizmente, existe o direito de decidir não ser católico.


Igreja Universal do Reino de Deus
Quanto a Igreja Universal do Reino de Deus, dizer o quê?
Vejam o trecho que cita o pastor para dizer que a Bíblia admite o aborto:
“Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que ele”.


Trata-se de uma referência estúpida, bucéfala, ignorante, rasteira ao Eclesiastes (6,3). É o que dá ouvir, na condição de “religião”, uma teologia mais jovem do que o uísque que eu bebo. Afirmar que há, no trecho, endosso ao aborto é pura delinqüência teológica e bíblica. O aborto é empregado apenas como um extremo da fealdade. Não há endosso. É o exato oposto. E de onde o pastor tirou essa pérola de interpretação? Das iluminações do autoproclamado “bispo” Edir Macedo, dono da seita.


Reproduzo, abaixo, trecho de um post que escrevi sobre este senhor no dia 13 de outubro de 2007:*Há uma entrevista na Folha com Edir Macedo (…).
Quem assina o texto é Daniel Castro, e quem responde pode ser uma “legião”, já que foi feita por e-mail e intermediada pela cúpula, digamos assim, religiosa da seita.
Há alguns dias, postei aqui um texto dizendo que o petismo é a Universal da política, e a Universal, o petismo da religião. Quem me dá razão é Macedo. Leiam uma pergunta e uma resposta:

FOLHA - Alguns políticos então da base da Igreja Universal, como o bispo Rodrigues, foram atingidos em cheio pelos escândalos do primeiro mandato de Lula. A corrupção não é um pecado imperdoável?

MACEDO - Jesus ensina que o único pecado imperdoável é a blasfêmia contra o Espírito Santo. Para os demais, há perdão se houver arrependimento.É a “igreja” de que o PT precisa. Se Deus censura a safadeza, os petistas podem ficar tranqüilos: o “deus” de Macedo perdoa. A sua “teologia” é bastante elástica pra isso. Tão elástica, que ele encontra uma justificativa teológica para o aborto. Se havia desconfianças sobre a filiação da tal Universal ao cristianismo, não há mais. Leiam:
“Sou favorável à descriminalização do aborto por muitas razões. Porém, aí vão algumas das mais importantes:
1) Muitas mulheres têm perdido a vida em clínicas de fundo de quintal. Se o aborto fosse legalizado, elas não correriam risco de morte;
2) O que é menos doloroso: aborto ou ter crianças vivendo como camundongos nos lixões de nossas cidades, sem infância, sem saúde, sem escola, sem alimentação e sem qualquer perspectiva de um futuro melhor? E o que dizer das comissionadas pelos traficantes de drogas?
3) A quem interessa uma multidão de crianças sem pais, sem amor e sem ninguém?
4) O que os que são contra o aborto têm feito pelas crianças abandonadas?
5) Por que a resistência ao planejamento familiar? Acredito, sim, que o aborto diminuiria em muito a violência no Brasil, haja vista não haver uma política séria voltada para a criançada."
Trata-se de uma formidável coleção de asneiras, talvez ditadas pelo diabo. Se Macedo acredita até mesmo na remissão do corrupto, por que não na das crianças que vivem nos lixões? Se opta pelo aborto como saída menos dolorosa, por que não por outras práticas igualmente homicidas que trariam mais controle social? A Igreja Católica é contra o aborto e conta com milhares de entidades espalhadas mundo afora para cuidar de crianças abandonadas. E o que Macedo tem feito? Se o aborto diminuiria em muito a violência no Brasil, há de se supor que diminuiria também em muito o número de seus fiéis, não é mesmo?, já que é evidente que boa parte da força de sua “igreja” se concentra entre os miseráveis. Existe também lixão religioso no mundo.

Santo Edir Macedo! Seu “deus” perdoa corruptos, mas não perdoa os fetos!

Se for para ouvir esse tipo de formação “teológica”, o Supremo poderia economizar tempo e dinheiro. Já sabemos qual será a decisão. O resto é só carnificina — também teórica.

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