2009-08-20

OS CANALHAS

Quando se comenta a respeito da situação revolucionária na qual a América Latina se encontra, suas turbulências sociais e a ameaça de um grande movimento totalitário capaz de destruir todas as democracias no continente, muita gente vive numa espécie completa de ceticismo, senão de descrédito.
Há várias explicações para esse fenômeno estranho, embora algumas evidências deste fenômeno sejam bastante óbvias. Uma delas, diz respeito ao total desconhecimento que a maioria da opinião pública brasileira possui dos movimentos revolucionários, tanto de tendência marxista, como de outras naturezas.
É muito raro, em língua portuguesa, qualquer material histórico sério a respeito. Decerto, é possível encontrar obras de qualidade bem traduzidas, que explicam bem a história de muitos movimentos revolucionários subversivos e violentos. Todavia, com algumas exceções, são poucas as obras que revelam esses movimentos como um todo, como uma tradição histórica contínua até hoje atuante. Pelo fato de não haver uma tentativa de ver o conjunto, as evidências históricas são fragmentárias e muita gente acha que vários desses eventos são isolados e fortuitos ou pertencem apenas ao passado.
Por outro lado, há a questão da perspectiva desses movimentos. Ainda se crê que no movimento revolucionário apenas dentro da concepção estereotipada de hordas violentas, e que na atualidade das democracias, esses grupos estariam em baixa. Há, ainda, uma inversão da compreensão histórica, quando muito da violência reinante do século XX é apenas associada ao “fascismo” e quando se espalha por aí que os movimentos fascistas eram “conservadores”.
O bolchevismo, que foi um movimento muito mais violento e terrorista, é eivado de uma visão muito mais amena. Inclusive, seus atos criminosos são tolerados. Mesmo para aqueles que conhecem, ainda que superficialmente, as atrocidades ocorridas na União Soviética, há uma espécie de condescendência, e raramente alguém associa os crimes de um com os crimes de outro. Ainda se crê no romantismo da sociedade utópica e igualitária dos socialistas, razão pela qual as pessoas não conseguem associar o comunismo ao nazifascismo.
Mais uma vez, as pessoas conseguem ver fragmentos, mas não vêem o todo.Além de ser uma vergonhosa falsificação histórica, é, também, uma distorção da compreensão dos movimentos revolucionários. São raras as obras que afirmam, com razão, que o movimento fascista é fruto do mesmo fenômeno revolucionário que engendrou o bolchevismo ou o comunismo. Há, inclusive, a falsa dicotomia entre esses dois movimentos, na idealização patética da luta do Partido Comunista contra os fascistas. Hoje há sólidas evidências de que o movimento comunista foi, sob determinados aspectos, um grande financiador do nazismo e fascismo, e gente como Hitler e Mussolini tinham sólida formação socialista antes de se tornarem os “fascistas”.
Na verdade, uma das origens do movimento fascista está na ruptura de uma parte do movimento socialista ao internacionalismo proletário, tornando-se um movimento nacional-socialista. É claro que o movimento fascista, sendo um amálgama de várias aspirações nacionalistas, teve também seus laços com a extrema-direita. Analisar o fascismo é bem mais complexo do que se possa imaginar. Os fascistas e comunistas poderiam se engalfinhar nas ruas, disputando cada bairro e cada país. Todavia, era tudo briga de primos, briga de totalitários rivais.
O espírito fascista, com seus métodos de dominação de massa, sua idolatria pelo Estado sacralizado na figura da nação e sua visão ideológica de ditadura de partido único totalitário, não difere, substancialmente, do ideal soviético de controle total. O fascismo é uma espécie de leninismo, só que com linguagem nacionalista. Não sem razão, um político italiano católico chamava o fascismo de “bolchevismo de negro”. O que muda, basicamente, é uma pequena diferença de interpretação da realidade. Os fascistas sabiam perfeitamente de suas semelhanças com os comunistas, e gente como Hitler e Mussolini jamais negaram isso.
Acusar o movimento fascista de “conservador” e mitificar o movimento socialista, em seus vários matizes, de “progressista”, é uma das mais grotescas mentiras históricas do século XX. É inegável que o movimento fascista faça parte da mesma matriz que o movimento socialista tenta renegar. Dentro de sua época, o fascismo era também "progressista”.
Mas por que prevalece a versão distorcida? Porque quem conta a história dos movimentos revolucionários são os próprios movimentos revolucionários, em particular, os comunistas, muitas vezes, vencedores nas disputas políticas do século XX, inclusive, contra as democracias.Essa omissão reflete o boicote cultural a tudo que divirja ou ponha em dúvidas o socialismo nos meios intelectuais. Há uma tentativa de esconder, camuflar ou mesmo falsificar dados ou fatos que comprometam a credibilidade do movimento esquerdista.
A carência de traduções ou obras de qualidade que denunciem as atrocidades comunistas é fruto de um completo silêncio da militância socialista nas universidades e editoriais, que de forma proposital e desonesta, quer que o público ignore sua cumplicidade, suas falácias e seus crimes. O mesmo se aplica à situação atual gravíssima da América Latina.
A imprensa brasileira, controlada por uma militância jornalística esmagadoramente de esquerda e paga pelos cofres públicos, filtra as informações, omitindo a real extensão do problema dos países vizinhos e do mundo. A versão é espantosamente unilateral e tendenciosa, além do que, muitas vezes mentirosa. Só que quase ninguém na mídia assume essa tendência e ainda se disseminam ares de “imparcialidade” nas notícias. Não é difícil detectar a fraude intrínseca do raciocínio: uma boa parte da imprensa da Colômbia, da Venezuela, da Bolívia, de Honduras e demais países tem divulgado valiosas informações sobre o caos provocado pela “revolução bolivariana” no continente.
Tais denúncias incomodaram de tal maneira o governo de Hugo Chavez, que ele simplesmente destruiu uma boa parte da imprensa livre e confiscou as emissoras privadas de televisão na Venezuela. O mesmo princípio de perseguição e censura à livre imprensa se aplica à Bolívia e demais países dominados por governos pró-chavistas. No Brasil, o governo ainda não precisou fechar a imprensa livre: simplesmente a subornou! O mito Lula só se mantém por conta desse conluio entre imprensa, intelectuais, universidades e escolas.
A ignorância popular sobre esses assuntos omitidos é mais do que justificada. O domínio cultural das esquerdas é praticamente absoluto. O brasileiro médio é o último a saber.O problema é que a originalidade do movimento revolucionário não se limita somente a atuar na esfera da ação violenta: ignora-se que este fenômeno tem várias faces e, muitas delas, são imperceptíveis ao público. Refiro-me à chamada “revolução cultural”, que é tão perniciosa quanto o movimento revolucionário violento.
Neste aspecto, a revolução muda de estratégia: como a força violenta dificilmente teria eficácia se fosse empregada nos países democráticos, a militância revolucionária tenta conquistar espaço nos meios culturais e políticos, corroendo a cultura, a moral, as leis e o saber vigente, até tudo se transformar, de forma lenta e sutil, em ideologia revolucionária.
Ou seja, o movimento revolucionário não conquista o Estado pela força; simplesmente prepara o espírito do povo para o totalitarismo, através da doutrinação massiva, até o ponto em que, naturalmente, chegará a ser um poder invisível, difícil de ser notado, através do imaginário e da cultura. A ideologia revolucionária se infiltra nas escolas, nas universidades, nos meios de comunicação e mesmo em instituições conservadoras, como as Igrejas e, lenta e gradualmente, a conquista de espaços culturais se torna hegemônica, suprimindo qualquer tipo de dissidência ideológica. É uma espécie lenta e gradual de intoxicação ideológica em doses homeopáticas.
Dos cacoetes verbais, dos simbolismos, das expressões vocabulares, formas de linguagem, preconceitos, idéias e todo o emaranhado de crenças que constituem o imaginário, tudo é instrumentalizado e corrompido para reproduzir, de maneira imperceptível, as idéias socialistas. Dentro desse esquema, os sentidos semânticos das palavras são também invertidos: os conservadores e os liberais são rotulados de fascistas “retrógrados”, “racistas”, “machistas”, “sexistas”, assassinos de gays nas ruas e inimigos do progresso humano; e a democracia “verdadeira” é a “democracia popular” comunista. Essa homogeneização do universo cultural acaba por afetar a linguagem, no sentido de controlá-la e domesticá-la em favor da ideologia.
Quando se menos percebe, a cultura mesma é toda socialista e o domínio político não estará no Estado ou em outros elementos políticos do poder: estará sim, em todas as esferas institucionais da sociedade, seja na escola, Igreja, família, em suma, em tudo. É uma verdadeira lavagem cerebral, uma “novilíngua” em escala colossal!

Se forem analisadas seriamente quais as origens de muitas mazelas sociais atualmente encontradas na civilização ocidental, como o ateísmo disseminado nas escolas, a destruição da moral familiar, a violência nas ruas, a pedofilia, as drogas, a prostituição generalizada, o terrorismo, é incrível pensar que tais manifestações tenham origens, não em atos espontâneos da sociedade, mas em cabeças pensantes no mundo universitário.
O movimento revolucionário tem tal poder sobre a formação da opinião e sobre as cabeças, seja nas universidades e escolas, que não chega a ser surpreendente que haja um hiato moral entre a sociedade comum e as elites intelectuais. Estas, com algumas exceções notáveis, querem destruir os valores da sociedade e implantar formas subversivas, violentas e transgressoras de modelos sociais.

Ou seja, os problemas difusos que atingem milhões de pessoas, atualmente, são conseqüências de meia dúzia de idéias de pseudo-intelectuais que distorceram, na cabeça dos estudantes e da opinião pública em geral, a capacidade de compreender a realidade.
E qual a intenção de tudo isso? Destruir os alicerces civis morais, institucionais e éticos da sociedade, para facilmente dominá-la e subjugá-la. É espantoso que o movimento revolucionário crie artificialmente os problemas e, ainda, se ofereça para resolvê-los, criando mais problemas. Porque, na prática, a desestruturação da sociedade civil leva ao agigantamento do poder estatal e o controle da burocracia. Um método familiar ao movimento revolucionário.
Os ataques ao modelo familiar tradicional, à religião cristã, aos valores da vida, da propriedade e da liberdade, entre outros, partem de uma estratégia bem fabricada para que tudo pareça espontâneo, através de reivindicações maciças difusas e espalhadas por toda a opinião pública. Na prática, porém, ela é muito bem organizada e trabalhada dentro de métodos sutis e esquemáticos e é através dessa difusão em massa de crenças desencontradas que está sua eficácia, sua força audaciosa.
A democracia liberal, de fato, permite esse tipo de ação, já que a sacralidade excessiva em torno dos indivíduos acaba por supor que todas as opiniões e subjetividades são válidas na mesma proporção. A produção neurótica de reivindicações insanas, (que vão desde o movimento feminista ao movimento negro, passando pelo movimento homossexual, sem contar outras coisas bem mais bizarras, como a pedofilia, a legalização do aborto e a eutanásia), visa minar todo o arquétipo ético e moral das sociedades liberais. A revolução cultural infantiliza as pessoas na idéia dos direitos. Basta exigir qualquer capricho e gritar publicamente dentro de um rebanho amestrado para que o cidadão médio já se ache pleno de benefícios.
Curiosamente, quanto mais “direitos” espúrios, mais exigências. As feministas não se contentam em se igualarem aos homens: querem subjugá-los, excluí-los, criminalizá-los por vários ressentimentos e culpas imaginários. Elas não se limitam em odiar a maternidade: querem legalizar o aborto. Os homossexuais não se contentam em viver sua sexualidade: querem modificar radicalmente as estruturas morais da sociedade e ainda ditar normas para os heteros, inclusive, exigindo normas que criminalizem a moral cristã. As leis “anti-homofobia” nada mais são do que um pretexto legal para calar a boca das Igrejas e impor a ditadura de opinião dos grupos gays.
Os negros não se contentam em viver dentro da igualdade legal com os brancos: querem criar leis racistas, discriminatórias, em universidades e mercado de trabalho, tudo em nome da “igualdade racial”. Pois o mero fato de alguém ter a pele branca já implica alguma “dívida histórica” inexistente, por mazelas do passado que a maioria já esqueceu. O MST, com o clichê vazio da reforma agrária, não planta uma beterraba para a agricultura, mas já possui 10% das terras do país e tem carta branca para invadir terras, obstruir estradas e destruir o direito de propriedade. E o governo federal dá as cartas. . .

Nada disso é ocasional: tudo isso é fabricado por uma agenda preparada por ativistas sociais esquerdistas para destruir o convívio social e desestabilizar a sociedade, insuflando ódios e divisões outrora inexistentes. A grande maioria desses movimentos é feita de grupos organizados dentro do princípio visivelmente totalitário de algum partido de massas. Na verdade, esses grupos são movimentos de massa, não muito diferentes dos grupos fascistas e comunistas dos anos 30 do século XX.
A diferença é que há uma diluição ideológica de suas idéias no imaginário da sociedade, ocasião em que a infiltração maciça em várias esferas da vida pública e cultural dá um aval de falsa legitimidade e unanimidade de suas exigências. Insuflam ódios de classe, de raça, de religião, de sexo, de conduta sexual e outros demais rancores, em nome de se exigir direitos. E quanto mais conseguem “direitos”, mais se acham no ranço de reivindicarem privilégios odiosos, tudo em nome de destruir uma sociedade que odeiam. Claro que esses “direitos”, por assim dizer, não são direitos. São regalias governamentais diferenciadas, cujas conseqüências implicam a expansão completa da burocracia estatal para supostamente atendê-las.
Não será espantoso que o movimento feminista tenha conseguido praticamente tudo o que quis e ainda fale do “machismo” da sociedade? Não será espantoso que a exaltação racialista dos negros crie segregacionismos raciais odiosos, dignos da Alemanha Nazista e do apartheid da África do Sul? Não será curioso que o movimento gay, infestado de pessoas visivelmente perturbadas e de sérias inclinações pedófilas, queira agora ditar o que é “família” para uma civilização cristã de mais de dois mil anos? A grande maioria da sociedade que ainda se apega aos conceitos conservadores está acuada, dispersa, e sofre uma chantagem psicológica sistemática e brutal. Não consegue entender a magnitude da revolução cultural que a desagrega.
As pessoas, em geral, compassivas, vêem o sofrimento do homossexual, da mulher e do negro em termos fragmentários, pessoais. Fazem a confusão entre esses tipos humanos e seus dramas com os movimentos que reivindicam representá-los. Os movimentos que dizem representar os gays, os negros e as mulheres não dão a mínima para o sofrimento deles. Essa trupe de pessoas carentes e desamparadas só serve mesmo como peões controlados por tais grupos de massa. São joguetes, instrumentos da busca de um poder maior para o movimento revolucionário.
A esquerda que diz aprovar qualquer exigência homossexual é a mesma que endossa as ditaduras comunistas que mandam gays para a cadeia ou os regimes islâmicos que os matam. A esquerda que diz apoiar os negros é a mesma que aprova as piores tiranias africanas contra eles. E alguém já viu a esquerda criticar a condição das mulheres no mundo islâmico e na China comunista atuais? Com algumas exceções tímidas, a resposta comum, cínica, é a do multiculturalismo: islâmico pode bater na esposa, porque é da cultura deles! Matar crianças do sexo feminino é a tradição dos chineses! Entretanto, o Estado de Israel, país democrático, que respeita os direitos das mulheres e dos gays e que é objeto de ódio do islã, é acusado de ser um país “racista”, opressivo, uma verdadeira ditadura sionista.
Com todas essas evidências óbvias, a generalidade dos gays, negros e feministas militantes é pró-comunista, pró-islâmica e anti-semita. Acrescente-se também: é anticristã, na medida em que ataca qualquer indicio de fé religiosa católica ou protestante na mídia, universidades e escolas e exige a marginalização completa do cristianismo na vida pública, senão sua proibição e extinção completa. Enormes paradoxos. A esquerda dissemina o ateísmo, o laicismo militante, a desmoralização da fé cristã e o anti-semitismo, e, contraditoriamente, incentiva e apóia o islã terrorista fundamentalista em todas as esferas culturais e políticas. Na história dos partidos comunistas e de suas ditaduras, a homossexualidade era vista como uma “degeneração” moral da burguesia. Agora, a homossexualidade é exaltada como uma forma de emancipação da opressiva cultura burguesa.Contudo, por que essa aparente contradição? A lógica do movimento revolucionário é explorar os conflitos, “dialetizá-los”.
Essa confusão aparentemente de mentalidades e projetos é a essência mesma desse movimento. Um exemplo clássico dessa esquizofrenia é o chamado Fórum Social Mundial. Lá se encontram grupos, cujas exigências são as mais difusas e confusas possíveis. Da liberação irrestrita das drogas ao aborto, passando pela Teologia da Libertação e por grupos protestantes utópicos, somam-se forças com grupos terroristas e totalitários, além do islamismo fundamentalista.
A incoerência intelectual dessa diversidade produz uma coerência comum de estratégia: sejam quais forem as propostas daqueles sujeitos, a esquerda estará lá, prometendo o “novo mundo possível”, e no final, como é a única forma de poder realmente organizado, prevalecerá sobre o resto. O “resto”, por assim dizer, são os inocentes úteis, que serão excluídos, descartados, ou mesmo mortos, quando a esquerda chegar ao poder.

O QUE NOS ESPERA?

A esquerda revolucionária tem um controle quase absoluto de muitas escolas e universidades em nosso país. Seria muita ingenuidade crer que esse domínio não gerasse conseqüências. Os problemas sociais atuais que atingem a sociedade brasileira e o mundo raramente são explicados em termos morais. A lógica, impregnada de marxismo cultural, impele a muitas pessoas a crerem que a violência nas ruas é fruto da pobreza e da indiferença das elites econômicas. Em outras palavras, lenta e gradualmente, a esquerda impregnou a “luta de classes” no imaginário cultural, ao ponto de colocar o empresariado e as classes ricas numa situação de completa pressão psicológica.
As ações politicamente corretas de empresários com relação à chamada “responsabilidade social” nada mais são do que culpas inconscientes inoculadas por uma propaganda maciça de depreciação e demonização do mundo comercial. Os empreendedores se sentem culpados por lucrarem, por serem ricos, por serem capitalistas. E daí são induzidos a liberar rios de dinheiro para ONGs esquerdistas, alimentando o fosso cultural anticapitalista e ajudando a cavar o buraco de sua sepultura. As justificativas para a condenação são ridículas, caricaturais.
A luta de classes muitas vezes se dissipou em ambientalismo xiita, aquecimento global, naturalismo primitivo e selvagem, assistencialismo compulsório, bom mocismo “cidadão” e ódio às conquistas da civlização. Lênin estava certo quando dizia que o empresário venderia a corda que iria enforcá-lo.O mesmo se aplica às famílias. Se por um lado, a esquerda apregoou contra a hipocrisia da moral familiar, dos valores cristãos, destruindo o universo familiar e deixando milhões de crianças abandonadas, por outro, ela incentiva o aumento do controle estatal sobre a família, inclusive, criminalizando e tirando de cena os valores tradicionais.
As chamadas “políticas públicas” em favor das famílias desamparadas, com seu exército de burocratas ativistas e assistentes sociais, não preconizam auxiliar o universo familiar: significam justamente substituí-lo, como forma de controle governamental sobre o indivíduo. Os pretextos são os mais duvidosos: em nome de proteger o menor da desagregação familiar ou da autoridade arbitrária dos pais, o Estado alarga seu braço, vigiando pais e filhos e transformando os filhos em delatores dos pais. Que haja abusos no universo da família, sem dúvida, isso é inegável. Porém, nada justifica essa expansão perniciosa do Estado sobre a vida privada, a tal ponto de intrometer-se na educação das crianças e no papel dos pais.

Já falamos de alguns aspectos visíveis desse movimento. Mas a pergunta que fica no ar é: o que é o movimento revolucionário? Quais os seus objetivos? A característica mais visível do movimento revolucionário é a de um grupo de pessoas possuídas por uma visão distorcida da realidade e que denota ter a presunção de modificá-la, subvertê-la e destruí-la em nome de uma ideologia utópica e irreal ou de um futuro hipotético irrealizável desse ideal. Não é por acaso que o processo revolucionário é uma verdadeira obra de engenharia social.
E que para isso, exige-se o controle total da sociedade civil e das pessoas, para adaptá-las aos postulados da ideologia revolucionária. A loucura intrínseca dessa perspectiva é destruir a sociedade real para construir uma estrutura de sociedade fictícia e idealizada, através de uma ilusão de controle de toda a realidade. O totalitarismo nasce desse projeto de controle total para moldar e criar um “novo homem” inexistente, como se a humanidade fosse uma cobaia de um gigantesco experimento laboratorial (o que abarca outra loucura psicológica).
Só que a ideologia totalitária é, naturalmente, irreal. A matança de grupos sociais inteiros pelos regimes totalitários retrata a isenção moral completa dos ideólogos do futuro hipotético, como se a rejeição intrínseca das pessoas comuns a esse regime fosse uma parte do mal que retarda a finalidade utópica. A realidade é vista como um sistema que pode ser construído pela ideologia e moldado pelo controle total do Estado e o indivíduo é encarado apenas mera engrenagem desse sistema. Logo, os indivíduos e grupos sociais que atrapalham o funcionamento desse sistema devem ser eliminados.Essa escala colossal de empreendimento, engenho e grandiosidade na loucura revolucionária é vista com olhar de completo desdém.
Lembra a teoria de conspiração. Desde que o homem comum se tornou o elemento amesquinhado e materialista das sociedades democráticas e perdeu a noção do infinito em Deus, tudo que é grandioso não parece ser possível. O homem médio só consegue ver a extensão mesma de sua existência e não pensa mais além. Se ninguém mais acredita na magnitude incomensurável de Deus, quem vai acreditar na ilimitada maldade do diabo? Outra dificuldade de entender o movimento revolucionário é sua indefinição científica no ramo das patologias psicológicas. Na prática, porém, o movimento revolucionário não é uma doença clínica, mas uma doença espiritual, que está no âmago da civilização ocidental desde que ela lenta e gradualmente se degenerou em valores, perspectivas filosóficas e culturais abjetas e distorcidas.
Nenhuma ciência poderá detectá-la, porque sua doença pertence ao universo dos valores, da filosofia, do mundo abstrato, em suma, da alma, embora sua enfermidade seja perceptível pelos seus métodos e aspirações.Impressionante, contudo, é a sua abrangência. As aspirações revolucionárias ganharam todos os campos intelectuais e sociais humanos: direito, filosofia, história, símbolos, artes, política, imaginário, moral, costumes, etc.
Daí a entender que qualquer combate apenas na esfera política contra os movimentos revolucionários não é capaz de derrotá-los. A vitória aparente das democracias liberais contra o regime soviético foi contrabalançada pela reviravolta da esquerda em outros campos do intelecto, ocasião em que o ideal comunista, longe de ser derrotado, conseguiu neutralizar todas as críticas e continua com uma força jamais esperada, desde a queda do Muro de Berlim. O aparato cultural revolucionário esquerdista permaneceu intacto. Não é surpreendente que uma ideologia supostamente derrotada na área da política tenha sucesso em todo o resto?

Quando os opositores do PT, de Hugo Chavez e de toda a esquerda presumem combatê-los pelo voto ou pela disputa de cargos públicos, na prática, não percebem o quanto já foram previamente derrotados do ponto de vista político. Porque a luta contra o movimento revolucionário compete a várias áreas do conhecimento, da sociedade e da cultura, e só haverá uma eficácia plena em destruí-lo, quando esse movimento for duramente combatido de todas as formas e denunciado tal como ele é, no seu conjunto: ou seja, um movimento político e ideológico perigoso, criminoso, psicótico e historicamente genocida.Outro erro grave da reação anti-totalitária é o economicismo vulgar dos liberais, em particular, chamados os “libertários”. Na sua visão turva de medir a humanidade e as relações sociais pelo livre mercado, acabam por pensar de forma tão estruturalista como o marxista. Na prática, o reducionismo libertário acaba por fortalecer a esquerda, já que o movimento revolucionário aceita perfeitamente a dinâmica do mercado, ainda que seja usado em favor do acréscimo de seu poder.
O mais grotesco é presumir que, em nome da liberdade, alguns liberais adiram a todos os programas culturais da esquerda revolucionária. A torpeza do liberal médio é crer que o livre mercado seja garantia de todas as demais liberdades. O exemplo chinês e mesmo de outras ditaduras comunistas mostram precisamente o contrário. Não adianta apregoar a superioridade e eficiência do capitalismo, se os comunistas controlam todo o resto.
A revolução totalitária pode perfeitamente viver com o mercado funcionando normalmente, ainda que sob rígido controle estatal. Ademais, dentro do sistema democrático, muitos movimentos revolucionários só se beneficiam porque existem justamente capitalistas, industriais e banqueiros que financiam esses grupos. Motivados por oportunismo ou por burrice, alguns desses grupos econômicos acham que podem controlar os movimentos revolucionários e usá-los em seu favor, porque são donos do dinheiro. Esses empresários pensam da mesma forma que muitos liberais: basta dar dinheiro para eles, que vão ficar mansinhos!
Há certos segmentos liberais que aderem alegremente ao programa da esquerda cultural sem perceberem nisso uma completa destruição dos valores morais, éticos e institucionais que mantém as liberdades civis e políticas no sistema capitalista. Em outras palavras, a mesquinhez do liberal cético, “progressista” e ateu é deixar que a esquerda domine a cultura e as instituições, contanto que a liberdade de consumo seja mantida. A lógica liberal não destrói o socialismo. Pelo contrário, o eleva nas alturas!É por esse mero detalhe lógico que o PT faz pose de cristão-novo do capitalismo, do ajuste fiscal e da estabilidade econômica, quando, na realidade, o partido usa o dinheiro acumulado em impostos e falcatruas para financiar vários movimentos revolucionários (assim chamados eufemisticamente de “movimentos sociais”), aparelhando o Estado e mesmo a sociedade civil. O mesmo caso se aplica aos chineses: as multinacionais sustentam uma economia de mercado teoricamente “livre”, quando na verdade, bancam uma das piores tiranias da atualidade. Os liberais, idiotizados nas suas crendices econômicas, acabam alimentando essas mentiras.

Alguém poderá objetar que o PT e demais partidos de esquerda da América Latina, embora tenham origens nos movimentos revolucionários, hoje são partidos democráticos e aceitam a legalidade vigente. Isso é um grande mito. Dentro do histórico de uma boa parte dos partidos de esquerda, e nisto, se inclui o PT, há uma duplicidade de ações e de máscaras. Um partido revolucionário pode aceitar perfeitamente a capa falaciosa de adesão aos princípios democráticos, do mesmo modo que no seu subterrâneo esteja envolvido o crime organizado, a guerrilha, o terrorismo e o projeto totalitário propriamente dito. Não será estranho?
O PT faz pose de guardiã da ética e da democracia, ao mesmo tempo em que apóia o terrorismo islâmico contra o mundo ocidental e contra o Estado de Israel; usa de sua política para favorecer o crime organizado das Farc na Colômbia; e, ainda, promove a expansão da “revolução bolivariana”, que destrói as instituições democráticas na América Latina.
Nas relações internacionais, o Brasil, por intermédio do petismo, é alia
do político da narco-guerrilha colombiana, das ditaduras comunistas de Cuba, China e Coréia do Norte, do regime iraniano dos aiatolás e da Síria do Partido Baath, de grupos islâmicos terroristas, de tiranias genocidas na África, vide o Sudão, e é o elemento propulsor que ameaça convulsionar a América Latina para o caos e para a guerra. E a que preço? Ao preço de destruir as democracias, tanto externa, como internamente. Até porque o Foro de São Paulo, entidade de esquerda desconhecida da opinião pública brasileira, que engloba partidos legais, grupos extremistas terroristas e vários presidentes latino-americanos, tem como chefe de honra, nada mais, nada menos do que o Presidente Lula. É esta organização paralela e desconhecida que hoje comanda os destinos do continente latino-americano. No auge da desinformação em massa pelo qual o país passa, quem acreditaria numa organização internacional governando os destinos de um continente, aliado de China e Coréia do Norte e, ainda, com sólidas ligações com grupos do tipo Hamas, Hezbollah e al Qaeda, estes, livres e atuantes na América Latina? Hugo Chavez, envolvido em seu intenso romance com o Islã, expulsara o embaixador de Israel e insuflou o vandalismo e a destruição de sinagogas. A Venezuela, que até então tinha uma relação pacífica com Israel, agora hostiliza o Estado judeu e não poupa de perseguições os venezuelanos de origem judaica no país.

Explicar para um leigo que o islã extremista é, atualmente, fiel aliado do comunismo totalitário, seja em sua vertente latino-americana “bolivariana”, norte-coreana e chinesa, é uma das versões mais incríveis e inverossímeis para um cidadão médio, totalmente desacostumado a esse tipo de notícia. Como tais questões não saem em nenhuma nota de jornal, a tendência é ele crer que não existe, que tudo possa ser invencionice de alguém lunático. No máximo, o descrédito é uma forma de racionaliza os medos: aceitar uma verdade como essa é assustadoramente difícil e pavorosa!

Não é de se espantar a corrupção moral ilimitada do PT, assustadora até para os padrões da política brasileira. Um movimento revolucionário, por definição, não tem moral alguma. Ou como diria Trotsky, é a moral “nossa”, dos revolucionários, contra a moral “deles”, dos reacionários. Aliar-se aos inimigos de ontem para destruí-los amanhã é a lenta e gradual estratégia de “dialetizar” os conflitos, dentro do processo revolucionário. Disseminar uma corrupção moral sem precedentes na política para prevalecer sobre ela, desmoralizando instituições e classes políticas, é uma velha artimanha raramente percebida. A máscara democrática de um partido revolucionário “legal” esconde crimes e iniqüidades típicas de um grupo subversivo e delinqüente. A face real e obscura de um partido revolucionário é sempre secreta. Foi assim em todo o histórico do Partido Comunista e não é diferente com o PT e demais grupos revolucionários na América Latina.

A cegueira política atual do Brasil e o caos reinante na América Latina revelam que as democracias não estão preparadas para o espírito de seus inimigos. Os totalitários conhecem perfeitamente as fraquezas de nosso sistema liberal. Percebem a indiferença total da opinião pública com os seus próprios destinos. Aos poucos, um sistema de poder gigantesco, assustador se consolida em escala continental, sem traumas aparentes, sem dores, até o dia em que quando menos se esperar, a sociedade civil será amarrada por uma monstruosa tirania. E aí será tarde demais. . .

Postado por Conde Loppeux de la Villanueva às 15:53 0 comentários
Terça-feira, Agosto 11, 2009

A burocracia internacional e a imprensa totalitária.

Encontrava-me em Brasília quando acompanhei o caso de Honduras, particularmente, quando a imprensa brasileira declarava o tal “golpe de Estado” do exército contra o presidente Zelaya. Curiosa notícia: o Congresso e Judiciário daquele país tinham dado um “golpe militar” contra o presidente, por conta do mesmo ter proposto eleições ilimitadas.
O fato em si pareceu esquisito, já que é estranho que um “golpe militar” tenha sido apoiado pelo Judiciário e Ministério Público e o poder tenha passado para as mãos do Congresso. Se não bastasse o contorcionismo verbal da imprensa, a OEA, que é uma entidade internacional representativa dos países das Américas, quase que como unanimidade, e países como os Eua, condenaram o tal “golpe”. Quando a imprensa, no limiar de sua “novilíngua”, não conseguiu evitar o nome de Hugo Chavez do meio, aí sim deu para entender, nas entrelinhas, o sentido fraudulento da mensagem posta.
Algumas pessoas que vi na capital brasileira ficaram apreensivas, como que tomando partido de Zelaya, e crendo perfeitamente que em Honduras havia um golpe de Estado. O problema mesmo é que tudo não passou de uma das mais extraordinárias mentiras da grande imprensa brasileira e da política latino-americana. Algo que faria inveja ao romance de George Orwell, 1984. Raramente a vida imitou tão perfeitamente a arte como neste episódio.Desconfiado das contradições aparentes da imprensa, tal como o personagem do livro, Winston Smith, fui buscar as fontes na internet. A contradição não parecia mais clara: na verdade, quem estava dando um golpe de Estado em Honduras era o próprio presidente Zelaya e o Judiciário, Congresso Nacional e Ministério Público, junto com o exército, derrubaram o presidente, porque ele estava transgredindo os valores constitucionais daquele país.
Tudo com o apoio vergonhoso de Hugo Chavez, que estava patrocinando a crise institucional. Neste ponto, o grosso da imprensa brasileira fez um milagre digno das épocas mais terríveis da União Soviética: invertendo o sentido da história, fez com que os democratas mais sinceros defendessem um lacaio de um ditador estrangeiro contra uma democracia.
A linguagem não poderia ser mais viciada: guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força e, agora, democracia é ditadura. É mais assustador: a OEA, controlada por grupos de esquerda disseminados em governos de vários países, não mediu esforços para isolar um pequeno país que defendia sua democracia, pelo simples fato de não admitir a imitação do modelo totalitário que hoje vigora na Venezuela. O Brasil, como não poderia deixar de ser, também participa da farsa, com o governo Lula. O Presidente do Brasil retirou os embaixadores brasileiros de Honduras e dizia, com uma hipocrisia cínica e doentia, que aquela situação era “intolerável”. Surpreendente declaração: meses antes, o Brasil aceitava a ditadura mais antiga do continente, Cuba, como membro da OEA. Por que o escândalo contra Honduras? Porque defender o modelo democrático se tornou "intolerável"!

Honduras entra no rol das nações democráticas “isoladas” do continente, junto com a Colômbia, ameaçada pela expansão totalitária da "revolução bolivariana” encabeçada por Fidel Castro, Hugo Chavez e o governo do PT. Revolução que hoje domina países como Paraguai, Bolívia, Equador, Nicarágua, e que também afeta a Argentina, Uruguai, Peru e Chile, tornando-se um grande perigo para as democracias no continente.Dado revelador da crise hondurenha: a OEA perdeu todo o seu sentido político como entidade legítima para ser o palco de problemas continentais. Lenta e gradualmente ela está sendo substituída pelo poder supranacional do Foro de São Paulo, organização das esquerdas latino-americanas lideradas por Hugo Chavez, Fidel Castro e o próprio Lula, que é presidente de honra da entidade.
É impressionante, senão chocante notar, que quase todos os presidentes latino-americanos atuais são membros do Foro de São Paulo. Tal como uma elite política secreta e maçônica, essa organização controla toda a política de um continente, fora da vista de uma boa parte do público. E seus membros nutrem um propósito comum: a criação de uma burocracia socialista controlando todo o continente, uma nova espécie de União de Repúblicas Socialistas Soviéticas Latino-americanas, destruindo as soberanias nacionais e seus sistemas parlamentares e representativos democráticos. Ou como diria Fidel Castro, em um de seus discursos: restaurar as “democracias populares” que foram perdidas no Leste Europeu dentro da América Latina (grifo meu).
Em linguagem mais clara, ditaduras comunistas! Lula, no Brasil, Hugo Chavez, da Venezuela, Fidel Castro, em Cuba, Rafael Correa, no Equador, Cristina Kischner, da Argentina, Daniel Ortega, da Nicarágua, Evo Morales, da Bolivia, Michele Bachelet, do Chile, Fernando Lugo, do Paraguai, e demais líderes de esquerda, como Zelaya, em Honduras, Lopes Obrador, do México e Huanta Humalla, do Peru, junto com agremiações criminosas como as Farc e o MIR chileno, sonham com um projeto mirabolante: criar um gigantesco bloco de poder comunista no continente latino-americano.Não menos espantosa, contudo, é a posição dos Estados Unidos nesta situação insólita, jamais sonhada pelas esquerdas na guerra fria. O Presidente Barack Obama fez coro à toda esquerda latino-americana, pressionando para que Honduras aceitasse o usurpador e fantoche de Hugo Chavez, Zelaya. Aquilo foi demais.
Uma parte da opinião pública norte-americana, revoltada com o episódio de total covardia e cumplicidade dos democratas com os chavistas, fez o governo Obama recuar sutilmente na proposta. Até os Estados Unidos, que foram um sinônimo de estabilidade para as democracias latino-americanas contra os comunistas, agora aderem à tramóia de seus inimigos. Colocaram um “liberal”, um comunista no poder.A questão adquire proporções surrealistas, incríveis.
A grande maioria do povo brasileiro está alheia aos acontecimentos que podem ser definitivos para o futuro da democracia, da segurança do continente latino-americano e mesmo de sua soberania. Aquela idéia antiga de um grande poder mundial, invisível aos olhos da opinião pública, mas que tem um poder de controle ilimitado e imperceptível sobre toda a sociedade, é algo que desafia nossas inteligências e nos leva ao mais completo ceticismo. A idéia mesma de que um poder burocrático internacional comunista domine a América Latina soa tão louca, tão paranóica, tão espantosa, que a sua completa omissão nos jornais e periódicos de nosso país faz com que as pessoas mais ajuizadas, e que estão por dentro do processo, sejam tratadas como dementes, nostálgicas da guerra fria.
Como tais notícias não saem na TV Globo, na Folha ou no Estadão e sim em blogs independentes ou fontes estrangeiras omitidas por nossa imprensa, a dimensão da realidade adquire conotações distorcidas, falseadas, esquizofrênicas. O discurso político brasileiro, da família que vê o Jornal Nacional ao botequim universitário é algo fora do real, fictício, forjado, fora da realidade. E há gente ainda que acredite que a direita conservadora domina a mídia brasileira! A pergunta que fica é: por que a quase totalidade da mídia mentiu? O episódio hondurenho revela que raramente uma imprensa num país democrático se sujeitou a um controle tão próximo de um regime totalitário. Porém, não só a imprensa. . .
A sólida explicação está no controle total marxista na educação e na formação de jornalistas e professores universitários, que fizera da cultura intelectual e da opinião pública um instrumento de dominação dos grupos e partidos de esquerda. A universidade brasileira não aprova outra coisa senão o agigantamento do Estado; a mídia brasileira não tem outra coisa do que o palpite de “agentes de transformação social” travestidos de jornalistas; as universidades brasileiras, no geral, não formam outra coisa senão uma mão-de-obra ociosa de funcionários públicos e militantes de ONGs e grupelhos revolucionários.
Como a moda do momento é agradar aos anseios da expansão “bolivariana” na América Latina, qualquer notícia desfavorável ou que denuncie o gigantesco esquema de destruição revolucionária das democracias no continente é boicotada, filtrada, para que o povo não veja os sintomas de sua tragédia. Lenta e gradualmente, a população perde a noção da realidade ao seu redor, em doses homeopáticas.
A opinião pública usa a viseira do burro! A perda da noção da realidade é um dos aspectos da preparação espiritual para o totalitarismo. O país está no caminho. . .Em uma conversa virtual com venezuelanos, fui perguntado qual a impressão que os brasileiros têm da situação venezuelana e do apoio descarado do governo brasileiro ao regime de Chavez.
A resposta que dou para aqueles heróicos homens e mulheres que lutam pela liberdade contra o totalitarismo é a de que estão isolados, desamparados, porque a opinião pública brasileira é completamente indiferente ao sofrimento deles. Na verdade, o Brasil está anestesiado em suas próprias crises políticas, já que a oposição sumiu do país. O domínio cultural e da imprensa pelo esquerdismo é hegemônico, quase absoluto.
A mídia, em geral, é de uma completa subserviência ao governo. E a popularidade de Lula, explicada pelos seus dotes pseudo-intelectuais ou pela capacidade retórica pífia, não se sustentaria por longo tempo se não houvesse essa gigantesca estrutura de colaboração pusilânime da imprensa e dos intelectuais com o governo. A colaboração do Presidente Lula com os regimes esquerdistas alimentados por Chavez é um sintoma claro de que o nosso governo é criminoso e traidor.
O PT coloca os interesses partidários e ideológicos acima dos interesses nacionais, ainda que tais alianças espúrias afetem a soberania do país e a integridade dos cidadãos. O caso da expulsão dos brasileiros na Bolívia ou mesmo o escandaloso acordo de Itaipu, obrigando o contribuinte a pagar mais caro por energia elétrica, são reflexos claros desse conluio político. Todavia, nenhuma notícia, nenhum protesto é visível na imprensa. Nem mesmo a oposição fala a respeito. E o povo, bestializado por um turbilhão de mentiras, ignora que está sendo violado em seus direitos.
A imprensa brasileira, atualmente, não difere muito do que ocorre em Cuba ou na Coréia do Norte.Burocracia onipotente e imprensa mitomaníaca, dois pesadelos que podem moldar a vida política para a mais completa destruição da verdade, da liberdade e da consciência de um país e mesmo do mundo. Os problemas mais graves de nosso país e da América Latina permanecem ocultos para a maioria da população.
Até porque os fatos retratados pela crise de Honduras revelam que tal fenômeno possui alcance mundial. O alcance de uma elite que quer ter o domínio internacional, bem aos moldes daquilo que os mais monstruosos tiranos do século XX sonharam para si. E uma tirania continental está cada vez mais próxima de nós!

Postado por Conde Loppeux de la Villanueva às 14:33 3 comentários

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