2009-08-26

O MEDO DAS BASES AMERICANAS NA COLOMBIA

POR QUE O MEDO DAS BASES AMERICANAS NA COLÔMBIA?

Heitor De Paola

26/08/2009

A simples renegociação de um antigo acordo sobre bases americanas no país vizinho colocou em polvorosa os países do Foro de São Paulo. Como sempre, foram eles que deram o tom e o sentido da discussão: o temor de uma tentativa de invasão da Amazônia pelo “Império”. Para que os americanos fariam isto? Ora, para dominar o maior “complexo aqüífero” do mundo, a mais nova versão da velha lenda regional do Eldorado, a grande assombração das mentes de uma direita esclerosada muito bem explorada por uma esquerda pilantra. Segundo esta assombração, o mundo está prestes a ficar sem água potável e as grandes potências, sedentas, querem nossa maior riqueza para nos matar de sede enquanto saciam a sua. Bem, quem não tem petróleo, tenta caçar com água mesmo. Assim os termos da discussão estão postos.

Mas para que esta teoria fosse verdadeira teria que responder a algumas perguntas:

1. A última guerra de conquista dos EUA foi a conquista do Oeste de lá para cá sempre que invadem um país é por objetivos estratégico definidos e limitados e saem de lá tão logo este seja atingido.

2. Como seria esta invasão de um território enorme, inóspito? E como seria a manutenção das tropas, caso conseguissem? E como levariam o tão precioso líquido para seu país? Seria através de ductos de milhares de quilômetros de extensão? Ou de milhares de aviões tanque? Não seria mais fácil comprar a água, como fazem com o petróleo?

3. Para quê precisariam de bases fixas, se suas forças de deslocamento rápido poderiam fazer o trabalho de forma mais rápida e limpa? Uma só força tarefa comandada por um porta-aviões como o USS Ronald Reagan (foto) com seus 85 aviões de combate, vários cruzadores, fragatas e submarinos de escolta, destruiria no chão as forças aéreas de todos os países envolvidos em menos de um dia. A única força aérea que possui aviões com alguma importância tática, a da Venezuela com seus F-16 e Su-35, não seria páreo para os F/A-18F Super Hornet (na foto a decolagem de um deles). Levando em consideração a capacidade das Armadas da região, no mesmo tempo todos os navios estariam afundados ou paralisados por falta de armamento ou combustível.

bases

No entanto, se escaparmos da armadilha da esquerda e invertermos o pensamento? É muito mais provável que a verdadeira causa da reação seja o fato de que as bases americanas sirvam exatamente para combater as FARC, os aliados internos do FSP e, portanto, dificultem os planos de transformar a Colômbia em mais uma satrapia de Lula & Irmãos Castro, como já o são a Venezuela, o Equador, a Bolívia e a Nicarágua e, com a ajuda dos cumpanhêro Obaminável e Zelaya, talvez Honduras venha a ser a próxima. Isto sem falar dos dez demais países associados. Outra armadilha que tem funcionado muito bem é a crença de que o centro do problema está em Caracas, enquanto Brasília e Havana ficam à sombra.

Não há, a meu ver, nenhuma preocupação defensiva, mas ofensiva. E o risco é todo da Colômbia.

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