2009-08-14

O GOLPE É DO FORO DE SÃO PAULO

Encontrava-me em Brasília quando acompanhei o caso de Honduras, particularmente, quando a imprensa brasileira declarava o tal “golpe de Estado” do exército contra o presidente Zelaya
Curiosa notícia: o Congresso e Judiciário daquele país tinham dado um “golpe militar” contra o presidente, por conta do mesmo ter proposto eleições ilimitadas. O fato em si pareceu esquisito, já que é estranho que um “golpe militar” tenha sido apoiado pelo Judiciário e Ministério Público e o poder tenha passado para as mãos do Congresso.
Se não bastasse o contorcionismo verbal da imprensa, a OEA, que é uma entidade internacional representativa dos países das Américas, quase que como unanimidade, e países como os Eua, condenaram o tal “golpe”. Quando a imprensa, no limiar de sua “novilíngua”, não conseguiu evitar o nome de Hugo Chavez do meio, aí sim deu para entender, nas entrelinhas, o sentido fraudulento da mensagem posta.Algumas pessoas que vi na capital brasileira ficaram apreensivas, como que tomando partido de Zelaya, e crendo perfeitamente que em Honduras havia um golpe de Estado.
O problema mesmo é que tudo não passou de uma das mais extraordinárias mentiras da grande imprensa brasileira e da política latino-americana. Algo que faria inveja ao romance de George Orwell, 1984. Raramente a vida imitou tão perfeitamente a arte como neste episódio.Desconfiado das contradições aparentes da imprensa, tal como o personagem do livro, Winston Smith, fui buscar as fontes na internet.
A contradição não parecia mais clara: na verdade, quem estava dando um golpe de Estado em Honduras era o próprio presidente Zelaya e o Judiciário, Congresso Nacional e Ministério Público, junto com o exército, derrubaram o presidente, porque ele estava transgredindo os valores constitucionais daquele país. Tudo com o apoio vergonhoso de Hugo Chavez, que estava patrocinando a crise institucional. Neste ponto, o grosso da imprensa brasileira fez um milagre digno das épocas mais terríveis da União Soviética: invertendo o sentido da história, fez com que os democratas mais sinceros defendessem um lacaio de um ditador estrangeiro contra uma democracia.
A linguagem não poderia ser mais viciada: guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força e, agora, democracia é ditadura. É mais assustador: a OEA, controlada por grupos de esquerda disseminados em governos de vários países, não mediu esforços para isolar um pequeno país que defendia sua democracia, pelo simples fato de não admitir a imitação do modelo totalitário que hoje vigora na Venezuela. O Brasil, como não poderia deixar de ser, também participa da farsa, com o governo Lula.
O Presidente do Brasil retirou os embaixadores brasileiros de Honduras e dizia, com uma hipocrisia cínica e doentia, que aquela situação era “intolerável”. Surpreendente declaração: meses antes, o Brasil aceitava a ditadura mais antiga do continente, Cuba, como membro da OEA. Por que o escândalo contra Honduras? Porque defender o modelo democrático se tornou "intolerável"!

Honduras entra no rol das nações democráticas “isoladas” do continente, junto com a Colômbia, ameaçada pela expansão totalitária da "revolução bolivariana” encabeçada por Fidel Castro, Hugo Chavez e o governo do PT. Revolução que hoje domina países como Paraguai, Bolívia, Equador, Nicarágua, e que também afeta a Argentina, Uruguai, Peru e Chile, tornando-se um grande perigo para as democracias no continente.Dado revelador da crise hondurenha: a OEA perdeu todo o seu sentido político como entidade legítima para ser o palco de problemas continentais.
Lenta e gradualmente ela está sendo substituída pelo poder supranacional do Foro de São Paulo, organização das esquerdas latino-americanas lideradas por Hugo Chavez, Fidel Castro e o próprio Lula, que é presidente de honra da entidade. É impressionante, senão chocante notar, que quase todos os presidentes latino-americanos atuais são membros do Foro de São Paulo. Tal como uma elite política secreta e maçônica, essa organização controla toda a política de um continente, fora da vista de uma boa parte do público. E seus membros nutrem um propósito comum: a criação de uma burocracia socialista controlando todo o continente, uma nova espécie de União de Repúblicas Socialistas Soviéticas Latino-americanas, destruindo as soberanias nacionais e seus sistemas parlamentares e representativos democráticos.
Ou como diria Fidel Castro, em um de seus discursos: restaurar as “democracias populares” que foram perdidas no Leste Europeu dentro da América Latina (grifo meu). Em linguagem mais clara, ditaduras comunistas! Lula, no Brasil, Hugo Chavez, da Venezuela, Fidel Castro, em Cuba, Rafael Correa, no Equador, Cristina Kischner, da Argentina, Daniel Ortega, da Nicarágua, Evo Morales, da Bolivia, Michele Bachelet, do Chile, Fernando Lugo, do Paraguai, e demais líderes de esquerda, como Zelaya, em Honduras, Lopes Obrador, do México e Huanta Humalla, do Peru, junto com agremiações criminosas como as Farc e o MIR chileno, sonham com um projeto mirabolante: criar um gigantesco bloco de poder comunista no continente latino-americano.Não menos espantosa, contudo, é a posição dos Estados Unidos nesta situação insólita, jamais sonhada pelas esquerdas na guerra fria.
O Presidente Barack Obama fez coro à toda esquerda latino-americana, pressionando para que Honduras aceitasse o usurpador e fantoche de Hugo Chavez, Zelaya. Aquilo foi demais. Uma parte da opinião pública norte-americana, revoltada com o episódio de total covardia e cumplicidade dos democratas com os chavistas, fez o governo Obama recuar sutilmente na proposta. Até os Estados Unidos, que foram um sinônimo de estabilidade para as democracias latino-americanas contra os comunistas, agora aderem à tramóia de seus inimigos. Colocaram um “liberal”, um comunista no poder.A questão adquire proporções surrealistas, incríveis. A grande maioria do povo brasileiro está alheia aos acontecimentos que podem ser definitivos para o futuro da democracia, da segurança do continente latino-americano e mesmo de sua soberania. Aquela idéia antiga de um grande poder mundial, invisível aos olhos da opinião pública, mas que tem um poder de controle ilimitado e imperceptível sobre toda a sociedade, é algo que desafia nossas inteligências e nos leva ao mais completo ceticismo.
A idéia mesma de que um poder burocrático internacional comunista domine a América Latina soa tão louca, tão paranóica, tão espantosa, que a sua completa omissão nos jornais e periódicos de nosso país faz com que as pessoas mais ajuizadas, e que estão por dentro do processo, sejam tratadas como dementes, nostálgicas da guerra fria. Como tais notícias não saem na TV Globo, na Folha ou no Estadão e sim em blogs independentes ou fontes estrangeiras omitidas por nossa imprensa, a dimensão da realidade adquire conotações distorcidas, falseadas, esquizofrênicas.
O discurso político brasileiro, da família que vê o Jornal Nacional ao botequim universitário é algo fora do real, fictício, forjado, fora da realidade. E há gente ainda que acredite que a direita conservadora domina a mídia brasileira! A pergunta que fica é: por que a quase totalidade da mídia mentiu? O episódio hondurenho revela que raramente uma imprensa num país democrático se sujeitou a um controle tão próximo de um regime totalitário.
Porém, não só a imprensa. . .A sólida explicação está no controle total marxista na educação e na formação de jornalistas e professores universitários, que fizera da cultura intelectual e da opinião pública um instrumento de dominação dos grupos e partidos de esquerda. A universidade brasileira não aprova outra coisa senão o agigantamento do Estado; a mídia brasileira não tem outra coisa do que o palpite de “agentes de transformação social” travestidos de jornalistas; as universidades brasileiras, no geral, não formam outra coisa senão uma mão-de-obra ociosa de funcionários públicos e militantes de ONGs e grupelhos revolucionários. Como a moda do momento é agradar aos anseios da expansão “bolivariana” na América Latina, qualquer notícia desfavorável ou que denuncie o gigantesco esquema de destruição revolucionária das democracias no continente é boicotada, filtrada, para que o povo não veja os sintomas de sua tragédia. Lenta e gradualmente, a população perde a noção da realidade ao seu redor, em doses homeopáticas. A opinião pública usa a viseira do burro!
A perda da noção da realidade é um dos aspectos da preparação espiritual para o totalitarismo. O país está no caminho. . .Em uma conversa virtual com venezuelanos, fui perguntado qual a impressão que os brasileiros têm da situação venezuelana e do apoio descarado do governo brasileiro ao regime de Chavez. A resposta que dou para aqueles heróicos homens e mulheres que lutam pela liberdade contra o totalitarismo é a de que estão isolados, desamparados, porque a opinião pública brasileira é completamente indiferente ao sofrimento deles. Na verdade, o Brasil está anestesiado em suas próprias crises políticas, já que a oposição sumiu do país.
O domínio cultural e da imprensa pelo esquerdismo é hegemônico, quase absoluto. A mídia, em geral, é de uma completa subserviência ao governo. E a popularidade de Lula, explicada pelos seus dotes pseudo-intelectuais ou pela capacidade retórica pífia, não se sustentaria por longo tempo se não houvesse essa gigantesca estrutura de colaboração pusilânime da imprensa e dos intelectuais com o governo. A colaboração do Presidente Lula com os regimes esquerdistas alimentados por Chavez é um sintoma claro de que o nosso governo é criminoso e traidor.
O PT coloca os interesses partidários e ideológicos acima dos interesses nacionais, ainda que tais alianças espúrias afetem a soberania do país e a integridade dos cidadãos. O caso da expulsão dos brasileiros na Bolívia ou mesmo o escandaloso acordo de Itaipu, obrigando o contribuinte a pagar mais caro por energia elétrica, são reflexos claros desse conluio político. Todavia, nenhuma notícia, nenhum protesto é visível na imprensa. Nem mesmo a oposição fala a respeito. E o povo, bestializado por um turbilhão de mentiras, ignora que está sendo violado em seus direitos.
A imprensa brasileira, atualmente, não difere muito do que ocorre em Cuba ou na Coréia do Norte.
Burocracia onipotente e imprensa mitomaníaca, dois pesadelos que podem moldar a vida política para a mais completa destruição da verdade, da liberdade e da consciência de um país e mesmo do mundo. Os problemas mais graves de nosso país e da América Latina permanecem ocultos para a maioria da população. Até porque os fatos retratados pela crise de Honduras revelam que tal fenômeno possui alcance mundial. O alcance de uma elite que quer ter o domínio internacional, bem aos moldes daquilo que os mais monstruosos tiranos do século XX sonharam para si. E uma tirania continental está cada vez mais próxima de nós!

Postado por Conde Loppeux de la Villanueva às 14:33

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