2009-08-19

MERCADANTE E IDELÍ, OS FASCISTÓIDES CONTRA A VERDADE, E LINA VIEIRA NÃO RECUA E PEDE PARA QUE MOSTREM AS IMAGENS QUE DILMA SABE EXISTIREM


TRADUZINDO MERCADANTE

terça-feira, 18 de agosto de 2009 | 19:48

Muitos se perguntam a que se deveu tamanha truculência do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao fazer perguntas a Lina Vieira, ex-secretária da Receita, dispensando a ela um tratamento que se costuma dispensar a criminosos. O senador chegou a dizer, é bom lembrar, que ou ela estava mentindo ou tinha prevaricado. Além das questões que, especulo, podem ser de natureza psicológica, há a resposta política.

No episódio Sarney, Mercadante se desgastou com Lula e com o PT. Como está com medo das urnas — ele concorre à reeleição para o Senado em São Paulo, e o prestígio do PT no Estado já é baixo —, ele resolveu endurecer. Não quer a fama de que ajudou a proteger Sarney e sabe que o caso ganhou as ruas. Quase 80% dos brasileiros querem que o maranhense eleito pelo Amapa deixe a presidência do Senado.

O caso envolvendo Lina e Dilma ainda não tem tradução popular. É mais difícil de entender. Está, por enquanto, circunscrito àqueles que se preocupam com questões institucionais. E Mercadante, então, decidiu espinafrar a ex-secretária para tentar refazer a ponte com Lula. Mas foi com muita sede à jugular de Lina.

Assim, resta a suspeita de que ele é severo com Sarney não por senso de justiça, mas por oportunismo: teme não ser reeleito. Com Lina, que ainda não dá nem tira votos, ele não se viu obrigado a escolher entre o oportunismo e a injustiça: preferiu os dois.

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Por Reinaldo Azevedo

Para Mercadante ler e pensar

terça-feira, 18 de agosto de 2009 | 19:27

“Eu não mudo a verdade no grito, nem preciso de agenda para dizer a verdade. A mentira não faz parte da minha biografia”.

De Lina Vieira, ex-secretária da Receita.

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Por Reinaldo Azevedo

A lambança de parte da imprensa. Ou: “Correu, perdeu”

terça-feira, 18 de agosto de 2009 | 19:25

Parte da imprensa está sendo descuidada ao reproduzir o que disse Lina Vieira, ex-secretária da Receita. Já li mais de uma vez: “Lina nega pressão de Dilma para…” Vamos devagar. Indagada se a ministra tinha sido explícita em pedir que suspendesse a investigação nas empresas da família Sarney; indagada se a ministra havia pressionado abertamente, ela afirmou o óbvio: “Não”. A petista pode até ter sido imprudente, mas louca não é. Lina reafirmou, com clareza absoluta, o que disse à Folha e ao Jornal Nacional:
1 - foi chamada ao Palácio por Dilma;

2 - quem fez o “convite”, que não era oficial, foi Erenice Guerra;

3 - Dilma pediu para agilizar o processo;

4 - ela, Lina, entendeu “agilizar” como encerrar.

Observem o seguinte: tivesse Dilma admitido o encontro, essa fala de Lina teria se perdido no vento. Bastaria à ministra dizer que a outra entendeu errado. Ocorre que Dilma resolveu negar o que, em si, não é crime — um encontro entre a chefe da Casa Civil e a secretária da Receita —, e aí se especula, então, a razão da negativa.

Sim, estivéssemos num tribunal, diria o advogado: “O ônus da prova é de quem acusa”. Mas qual é acusação de Lina? Um encontro! O resto é o que ela entendeu. AÍ É QUE ESTA O BUSÍLIS: AO NEGAR A REUNIÃO, É DILMA QUEM A TORNA INACEITÁVEL E SUGERE A ILEGALIDADE. De fato, o ônus da prova cabe a quem acusa. Mas estamos falando de política. A liberação das imagens, de todas elas, poderia eliminar as suspeitas. E o governo sairia fortalecido.

Dilma encontrou pela frente, parece, um osso meio duro de roer. Lina aceita uma acareação. Mas acho que a ministra vai refugar. Nesse caso, não tem jeito: correu, perdeu.

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Por Reinaldo Azevedo

IDELI, A IRREDIMÍVEL, E O DISCURSO FASCISTÓIDE

terça-feira, 18 de agosto de 2009 | 18:38

Em sua intervenção na Comissão de Constituição e Justiça, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) esbravejou: os senadores ficavam ali debatendo se houve ou não a reunião entre Dilma Rousseff e Lina Vieira, e ninguém dava bola para a criação de uma universidade nova.

Há pouco, com aquele sotaque muito característico — que nada tem a ver com Santa Catarina; ela é paulista —, ocupou a tribuna do Senado para repetir a ladainha. E ainda diz, como se a CCJ fosse um tribunal, que Lina é quem tem de “provar” que o encontro aconteceu.

Segundo o sofisticado pensamento de Ideli, desde que o governo realize obras, a oposição é desnecessária; desde que um governo faça obras, pouco importa o seu comportamento; desde que um governo faça obras, é irrelevante se segue ou não a lei.

Se a interferência da ministra Dilma Rousseff realmente aconteceu, isso que Ideli considera uma irrelevância constitui nada menos que um grave atentado ao estado de direito. Trata-se de mobilizar a estrutura do estado para proteger aliados do governo. E quem o faz para proteger amigos também o faz para prejudicar inimigos.

O sufixo “óide”, em português, designa, de acordo com sua origem grega, “aparência”, “aspecto”. É bastante usado na ciência, mas ganhou as ruas e o debate político. Assim é, por exemplo, com o termo “fascistóide”. Acusar algo ou alguém de “fascistóide” não significa dizer que a pessoa é “fascista”, mas que age, num determinado tema, à moda de um, com a aparência de um.

Nesse particular, a senadora Ideli foi “fascistóide”. E “fascistóide” tem sido o governo quando tenta opor algumas ilegalidades à sua suposta eficiência, como se uma coisa compensasse a outra; como se a alegada competência lhe desse o direito de transgredir as leis. Por que evoco os regimes fascistas? Porque todos eles, sem exceção, abusaram dessa mesma mentalidade, dessa mesma visão de mundo: praticavam violências contra adversários, mas evocavam a seu bem-fazer, o seu “choque de ordem”. Os petistas, evidentemente, praticam a violência possível hoje em dia.

Ainda que o governo Lula fosse o espetáculo que diz ser, isso não lhe daria o direito de jogar a Constituição no lixo. E a senadora Ideli Salvatti precisa saber que o Congresso não deve apenas homologar e aplaudir os atos do Executivo.

O discurso desta senhora sataniza a política e está adequado aos piores tempos da ditadura. O ano de maior crescimento econômico da história do Brasil foi 1969. Ideli deveria escrever hoje um texto sustentando a seguinte tese: “Criticar o AI-5 era pura perda de tempo; afinal, o Brasil crescia 13% ao ano”.

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