2009-07-22

TÓTEN TROPICALISTA CALEDOSCÓPICO PÓS MODERNO E SUA EMPRESARIA LEONINA



quarta-feira, 22 de julho de 2009 15:38


A dupla Caetano Veloso-Paula Lavigne segue imbatível no quesito marketing. Ela profissionalizou — o que é um mérito — o talento natural do agora ex-marido para gerar notícia e, assim, ganhar dinheiro, o que não é pecado. É mérito também. Feio é roubar grana dos outros. Ganhá-la com trabalho, eventualmente contando com a complacência ou benevolência alheias, não tem nada demais. Ele está na capa da Ilustrada de hoje, da Folha, descendo o sarrafo na… Folha. Isso é tão antigo, né? Ainda é do tempo em que… Bem, já chego lá.
Às vezes, parece que a própria Folha é cliente de Paula Lavigne. Entenderam ou fui muito sutil? Ah, sim: Paula e Caetano estão lançando o filme Coração Vagabundo, dirigido por um rapaz “bonitinho” (by Caetano) chamado Fernando Gronstein Andrade, 28 anos.
E por que Caetano está bravo ou “estrila”, como diz o jornal? Bem, em primeiro lugar, porque está lançando o filme e é hora de criar marola. Em segundo, porque a Folha noticiou, em reportagens honestas, de autoria de Marcio Aith, que nada tinham de operação de marketing, que o cantor pleiteava — ou seus produtores — incentivos da Lei Rouanet para seus shows. Vocês conhecem a história. Eles foram negados pelo Ministério da Cultura, mas aquele ministro da área, como é mesmo o nome dele?, ficou bravo e demonstrou disposição de rever a decisão.
Pronto! Está criado um caso. Caetano sai atirando contra o jornal, duas jornalistas, faz frases de efeito — “fui tratado como um misto de Sarney e Dado Dolabella” —, e o filme está devidamente lançado, não? E sem gastar um tostão! Pode-se dizer que, em último caso, os assinantes da Folha e do UOL é que pagaram pela operação.
Caetano é mesmo mestre em seu ofício. Num dado momento, cheio de, como direi?, lirismo triste (a fúria já havia passado), comenta sobre velhice e juventude:“Sou um cara que tem saudades da juventude - não do tempo em que fui jovem, mas da juventude em si, do equilíbrio e da elasticidade do corpo, da força dos cabelos, o jato de urina forte, as ereções firmes, a alegria física da juventude”. Dizer o quê? Sinto saudades do compositor de Força Estranha - “E a coisa mais certa de todas as coisas não vale um caminho sob o sol”.
Essas briguinhas de Caetano com a imprensa são do tempo em que o jato de sua urina era mais forte. O que dizer diante disso, de tanta desnecessidade? Cantar a marchinha de Silvio Santos? “A pipa do vovô não sobe mais/ a pipa do vovô não sobre mais”?
Vulgaridade? Eu? É mesmo?
Leiam trecho que está na Folha Online:“O filme é dele [do diretor]!”, diz a produtora Paula Lavigne, na terça-feira, na pré-estreia do documentário “Coração Vagabundo”, de Fernando Grostein Andrade, 28, no shopping Morumbi. Caetano também afirma que não deu palpite no corte das 57 horas originais, nem na cena em que aparece nu. Mas Andrade confessa: “Achei que eles não iam deixar passar [a nudez], então pensei em dar uma de espertinho e exibi-la no final do filme, entre as imagens de bastidores”. Eles quem? “Caetano e Paulinha”, diz Fernando.“Fui a primeira a dizer que não era pra cortar a cena! Ainda mais porque Caetano é bem dotado. O que é bonito tem de ser mostrado!”, diz Lavigne ao repórter Paulo Sampaio.
Caetano diz odiar “a cultura do desprezo” no Brasil, que associa especialmente aos paulistas. É… Imaginem o principal astro da música americana (escolham um aí…) num, vá lá, debate com ingredientes como “paumolecência” (o termo é da turma do Casseta & Planeta), tamanho do pingolim e, o mais escandaloso naquelas plagas, grana oficial para artista fazer show…
Por falar em Estados Unidos, Caetano tem uma receita para salvar aquele país:“Mas eu penso que os EUA só se salvarão quando entenderem Chico Buarque e Lulu Santos”.
É? O que isso quer dizer? Nada! Deixa entrever uma suspeita de profundidade misturada ao sublime. É a hora em que devemos dizer: “Ahnnnn”, afetando um entendimento superior do que diz o pensador. Como isso é antigo, Santo Deus! Ah, sim: e que a patrulha não venha encher o meu saco. Caetano tem algumas letras excelentes — e outras são rematadas bobagens. Mas sua entrevista foi sobre música?
Como? Eu também caí no truque? É possível.

Um comentário:

Tia Cê, a Luz emana de mim disse...

Misto de Sarney e Dado dolabella?
Interessante.
Desafio a todos a escolher de que misto Caetano seria feito, ou de que gostaria de ser feito.
Ai ai ai, quero rir.