2009-07-21

DIOGO MAINARDI ACERTA DE NOVO

Justiça acata denúncia contra Dantas e mais 13 por suposto financiamento do “valerioduto”. Diogo chegou quatro anos antes!

segunda-feira, 20 de julho de 2009 | 18:54

Na Folha Online. Volto depois:
A Justiça Federal acatou a denúncia do Ministério Público Federal em São Paulo contra o banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, e mais 13 pessoas por suposto financiamento do chamado “valerioduto”, esquema montado pelo empresário Marcos Valério–investigado no caso mensalão.
Segundo a Procuradoria, o financiamento teria ocorrido quando o grupo estava no comando da Brasil Telecom. Dantas foi denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e crime de quadrilha e organização criminosa.
A decisão é do juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, que na última quinta-feira (16) acolheu todas as acusações feita pelos procuradores, inclusive o pedido para a abertura de três novos inquéritos. A decisão só foi divulgada nesta segunda-feira.

Comento
Vejam que coisa! O subjornalismo de aluguel, financiado pelos inimigos de Daniel Dantas, preferem não tocar no assunto “mensalão”. Fazem de conta que ele não existe — na verdade, obedecendo às diretrizes de Franklin Martins, negam mesmo a sua existência. É o esforço para reescrever a história. Há 39 pessoas processadas no STF por algo que jamais teria existido! É espantosa a cara-de-pau dessa gente!

A canalha inventa as teorias conspiratórios as mais exóticas; acusam deus e o mundo de aliados de Daniel Dantas, mas não diz uma palavra sobre o mensalão. Por quê? Ora, porque esse assunto é, sim, ruim para Dantas, mas colhe em cheio os aliados e financiadores da rataiada de alguel. Acusar Dantas de ser mais malvado do que o Coringa e o Pingüim somados é coisa de história em quadrinhos; serve para alimentar fantasias. Procurar as suas pegadas no mensalão mexe com o núcleo duro do poder. E aí a canalha refuga.

Quem primeiro disse o que tinha de ser dito a respeito? Diogo Mainardi. Na sua coluna da primeira semana de setembro de 2005!!! Há quase quatro anos. Segue o seu texto na íntegra. E não adianta cobrar coerência da rataiada. A rataiada gosta é de grana.
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O resumo da ópera

Estou tentando encaixar os fatos. Pelo que li até agora, parece-me que houve o seguinte:

O achaque começou em 2002. Em maio daquele ano, João Paulo Cunha pediu uma CPI para investigar a privatização da Telebrás. Diante da ameaça de sofrer uma perseguição num futuro governo Lula, por causa de sua ligação com o governo FHC, Dantas encarregou seu operador Marcos Valério de buscar um canal de negociação com o PT. Em meados de 2002, Marcos Valério se aproximou de Delúbio Soares, que exigiu propina para financiar a campanha eleitoral e domesticar o partido.
Quando Lula foi eleito, o deputado Júlio Delgado recolheu 189 assinaturas para instalar uma CPI sobre a privatização da Telebrás. João Paulo Cunha afundou-a imediatamente, obedecendo à orientação de José Dirceu. De acordo com a agenda da secretária Fernanda Karina Somaggio, poucos dias depois, em julho de 2003, Marcos Valério e Delúbio Soares se reuniram com Carlos Rodenburg, sócio de Dantas no Opportunity. Delúbio Soares cobrou ainda mais dinheiro de Dantas, porque o Palácio do Planalto queria financiar a compra de parlamentares de outros partidos, com o chamado “mensalão”.
Tudo correu direitinho até julho de 2004, quando Dantas foi acusado de contratar a empresa de espionagem Kroll para investigar seus adversários. Um dos alvos de Dantas era Luiz Gushiken, que mantinha uma disputa com José Dirceu pelo controle do PT. Gushiken retaliou por meio de seus subordinados nos fundos de pensão estatais, que fizeram um acordo secreto com o Citibank para afastar Dantas do comando da Brasil Telecom. Pelo acordo, sacramentado em janeiro de 2005, os fundos de pensão comprariam a participação do Citibank na Brasil Telecom por 1 bilhão de reais, o dobro do valor de mercado. A operação foi negociada pela Angra Partners, gestora dos fundos de pensão e formada por ex-funcionários do próprio Citibank. O que se comenta no mercado é que o superfaturamento da Brasil Telecom incluiria uma cota destinada ao PT, que permitiria desviar dinheiro dos fundos de pensão e substituir Dantas como maior financiador do caixa dois do partido.
Em fevereiro de 2005, o Citibank cumpriu sua parte do acordo e destituiu Dantas da gestão do fundo CVC, com o qual ele controlava a Brasil Telecom. Exatamente no mesmo período, segundo Roberto Jefferson, começaram a minguar os recursos do “mensalão”. A explicação é simples: Dantas, passado para trás pelo governo, interrompeu o pagamento de propina aos parlamentares. O resultado foram a perda de controle do Congresso e a eleição de Severino Cavalcanti. Em defesa de Dantas, Roberto Jefferson procurou Lula e ameaçou denunciar o esquema de corrupção do governo. José Dirceu colocou a Abin em seu encalço, para intimidá-lo. Começou também a procurar outras fontes de financiamento para o PT. A mais promissora previa a reestatização da Brasil Telecom e da Telemar, com o dinheiro dos fundos de pensão, operação bilionária que renderia uma boa comissão ao PT. José Dirceu já tinha sobre a mesa um projeto de lei que permitiria a fusão das duas empresas. Quando explodiu o caso de corrupção nos Correios, Roberto Jefferson, em vez de tentar uma composição, partiu para o ataque e melou o jogo do governo, revelando o esquema de que havia sido beneficiário.

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