2009-07-15

CHICO BUARQUE AMA OS DITADORES COMUNISTAS



quarta-feira, 15 de julho de 2009 4:47


Diogo Mainardi não entrou no mérito do que chamam a “poesia” de Chico Buarque. Nem eu. Dá para fazê-lo? Claro que sim! Reproduziu a opinião da escritora irlandesa Edna O’Brien sobre o “romancista” e, digamos, a “personagem cultural” Chico Buarque. Nenhum de nós associou a ruindade de sua literatura a suas posições políticas.


Mas é inegável que a ideologia do compositor e cantor contribuiu para preservá-lo de qualquer aproximação crítica mais rigorosa. Estorvo, de 1991, nem foi sua primeira incursão desastrada na literatura. Antes disso, em 1974, escreveu Fazenda Modelo, uma bobagem inspirada em Revolução dos Bichos, de George Orwell, só que com sinal trocado. Se a fábula do escritor inglês servia como censura à distopia socialista, Chico ousou imaginar a distopia capitalista. O resultado é constrangedor. À época, tinha 30 anos. E ninguém lhe disse que aquilo era muito ruim. O livro foi tratado como se fosse assim uma Tatuagem… Adiante.


Em 1987, o poeta Carlos Drummond de Andrade concedeu uma entrevista a Luiz Fernando Emediato — integra aqui. Destaco um trecho para vocês. Comento em seguida:


O senhor já foi convidado para visitar Cuba, como outros intelectuais que lá estiveram e até escreveram livros a respeito?Drummond - Nunca fui, não. Aliás, uma vez eu estava posto em sossego, cerca de meia-noite, e me telefonou o Chico Buarque de Holanda, pessoa que admiro muito, mas com quem não tenho nem contato. Gosto da música dele. Telefonou e disse: “Preciso conversar com você”. Eu disse: “A esta hora da noite? Meu Deus, aconteceu um drama, para o Chico me procurar!” Mas disse. “Pois não, venha”. Apareceu em companhia de um cidadão moreno, magro. Era já meia-noite e meia. O cidadão falou meio enrolado, era o embaixador da Nicarágua no Brasil, que tinha lido uma crônica minha no jornal e achava que eu estava mal informado sobre o país dele. Ah, tenha paciência! Eu tenho noção do que escrevo, compreendeu? Não sou partidário dos Estados Unidos, longe disso, acho a agressão à Nicarágua uma coisa estúpida. Mas não se pode negar que a Nicarágua é uma ditadura. Eles fecharam o La Prensa, onde tenho amigo, o poeta Pablo, Antonio Cuadra. E então falei para o Chico: “Tenha paciência”!
E o embaixador? Ouviu e foi embora?Drummond - Era delicado, como todo embaixador.


Comento

É isso. Todo mundo sabia, à época, que a Nicarágua havia saído da ditadura do delinqüente Anastasio Somoza para cair na ditadura dos delinqüentes sandinistas. Chico também sabia. Mas estava lá, fazendo o seu trabalho de relações públicas para uma tirania. E foi uma espécie de porta-voz dos desmandos de Cuba.


Não, não estou entre aqueles que avaliam a qualidade de uma obra a partir da posição ideológica do autor. Mas também é preciso tomar cuidado para que a ideologia não se transforme numa bolha de proteção. Wilson Simonal, que não foi dedo-duro porcaria nenhuma, mas tinha inequívoca simpatia pelo regime militar, foi esmagado, massacrado, destruído. Alguém propôs algum cuidado, algo como: “Epa! Esperem! Vamos preservar o artista”? Nada disso! Ele foi banido até da história. E, no entanto, os militares brasileiros, na comparação com os irmãos Castro ou com os sandinistas — queridinhos de Chico Buarque — estavam mais para normalistas do que para ditadores, não é mesmo? Qualquer morte é uma lástima. Mas as 427 do regime militar brasileiro não podem ser postas em pé de igualdade com as 100 mil de Cuba.


Se Simonal foi cúmplice de 427 em razão de suas posições políticas, então Chico foi cúmplice de 100 mil. Ou perdi alguma coisa no território da lógica? Aceito, sem pestanejar, que Chico é um artista de MPB mais elaborado do que Simonal. Mas isso não lhe garante uma cota de cadáveres, não é mesmo?


Suas escolhas políticas fazem dele um mau romancista? Claro que não! Suas escolhas impediram que a crítica lhe dissesse: “Você é um mau romancista”.
Entenderam o ponto? Sim, desta vez, eu desenhei.

Nenhum comentário: