2009-07-07

BARACK FIDEL CHE HUSSEIN


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Abaixo, mais algumas considerações sobre este impressionante caso de Honduras: o pequeno país está se tornando um emblema de um confronto que, incrivelmente, continua a ser ideológico. Os que depuseram o golpista Manuel Zelaya talvez não tivessem noção da importância do seu gesto. Puseram o dedo na ferida: não se pode recorrer à democracia para fraudar a democracia. E o mundo, quase unanimemente diz: “Pode, sim! Devolvam o trono ao golpista”.

Como pode a OEA, cujo secretário-geral é este incrível pateta José Miguel Insulza, esforçar-se para a volta de Cuba à comunidade - em nome da não-ingerência em assuntos internos - e, ao mesmo tempo, ser a vanguarda no isolamento de um governo que seguiu a Constituição? Como é possível que a imprensa mundial, com raras exceções no colunismo (ver abaixo), não tenha, até agora, tocado no tema, como se aquele país não tivesse leis? Quando muito, escreve-se: “Zelaya é acusado de transgredir a Constituição etc”. Acusado? Ele próprio admite o crime. Foi o primeiro enxovalhá-la. E fez o mesmo com os outros Poderes do país, dizendo que já não representavam mais o povo. E Honduras vivia quase 30 anos de regime democrático, depois de sucessivas ditaduras militares.

Mas saibam que as coisas são assim mesmo. O jogo é difícil. Não estamos mais isolados do que estavam os intelectuais das décadas de 30, 40, 50 ou 60 quando resistiam ao sovietismo. Sólidas reputações mancharam seu pensamento com a adesão ao comunismo e com a defesa daquela tirania. Porque, afinal, preferiam o consenso.

Isso nem me assusta nem me constrange. Na verdade, estou preparado. Então, mais alguns textos das minhas “férias”, hehe. Nos próximos dias, acho que a produção vai diminuir um pouco porque a agenda parece que vai ficar mais carregada. Vamos ver.


É BARACK HUSSEIN, MAS PODEM CHAMAR DE “BARACK FIDEL CHE OBAMA”

terça-feira, 7 de julho de 2009 | 4:15

Estão reclamado porque chamo o Obama genérico de Barack Hussein? Ué… Tais palavras não pertencem ao nomem dele? É, com efeito, deveria fazer como Gerald Warner, do Telegraph, e chamá-lo de “Barack Fidel Che Obama”, o “Idiota útil da revolução bolivariana”. Aqui e ali, no mundo, já se levantam algumas vozes críticas ao presidente dos EUA. No Brasil, na chamada “grande imprensa”, dominada pela esquerda (ao contrário do que diz a própria esquerda, que, assim, pode continuar a “denunciar a direita”), só se lêem elogios. Um misto de ignorância, trapaça ideológica e, como chamarei?, excesso de vigarice dialética. Lembrem-me de falar em outra oportunidade dessa vigarice dialética quando o tema é Barack Hussein, que eles chamam “Obama”.

Em seu texto, Warner chama a atenção para o fato de que Barack Hussein - ou “Barack Fidel Che Obama” - resolveu dar um cavalo-de-pau na doutrina Monroe, que estabeleceu as Américas como área de influência dos EUA. No começo do século 19, era uma proteção contra o colonialismo europeu. Depois, contra o marxismo europeu. Com Barack Fidel Che Obama, aprendemos, tudo mudou: agora, diz ele, democratas e republicanos concordam em respeitar o que ele chama de “democracia”, pouco importando se ela é simpática ou não aos EUA.

Grande avanço, não? É verdade! Não estivesse a doutrina que Barack Hussein representa tão bem servindo aos sabotadores do regime democrático. Bem, aos poucos, vai ficando claro que este escriba não está só ( mas ainda somos, é verdade, bem poucos) na censura radical e implacável àqueles que usam as faculdades do regime democrático para sabotá-lo.

Warner lembra de passagem quem são os fiadores de Manuel Zelaya, adotado agora pelo “Mundo Livre”: Chávez ele mesmo e Daniel Ortega, o “velho tirano sandinista”, que teve de recorrer, no passado, à imunidade parlamentar para se livrar de um processo por estupro. A vítimas é sua enteada. Era uma menina de 11 anos. O que isso tem a ver com o conjunto da obra? Revela a moralidade profunda dessa gente. Ortega é o mesmo que fraudou de modo escancarado as eleições municipais e que agora infiltra seus bate-paus para promover desordem em Honduras, ameaçando, inclusive, o governo provisório com acintosos exercícios militares na fronteira.

Warner conclui seu artigo lembrando que a reação de Honduras ao bolivarianismo é um sinal de esperança para, como se chamava antigamente, as forças ocidentais. O problema é que esse marxismo cafona, agora manifesto pelo bolivarianismo, tem um amigo nas Américas: Barack Fidel Che Obama.

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Por Reinaldo Azevedo

DO QUE É QUE ELES TÊM TANTO MEDO?

terça-feira, 7 de julho de 2009 | 4:13

Indaguei ontem: por que a canalha latino-americana grita tanto contra o que chama “golpe” em Honduras, quando resta evidente que Manuel Zelaya é que tentava golpear as instituições. Teme-se o óbvio: o efeito cascata. Como o próprio Lula exclamou: “Imaginem se vira moda!”

Pois é. Imaginem se as forças políticas - em associação com os militares, sim - começam a botar para correr os vagabundos que solapam a democracia para, supostamente, democratizar os países. Pela ordem: Chávez, Rafael Correa, Evo Morales e Daniel Ortega deveriam ter tido o mesmo destino que hoje tem Zelaya. Mais: o chavismo está levando sua “revolução” para o Peru. No Paraguai, Fernando Lugo, companheiro de Ortega em molestamento infantil, ensaia passos ainda tímidos, mas reais, no golpe de inspiração bolivariana.

E, aqui, meus caros, é importante considerar que esses líderes se aproveitam de um momento em que, com efeito, as forças militares do continente, antes fiadoras das chamadas “elites tradicionais”, decidiram, em regra, se profissionalizar. Contentam-se, felizmente, em ser guardiãs da Constituição - o que, na prática, são em todos os países democráticos.

Ora, não é segredo para ninguém que a América Latina foi infelicitada pelas, vá lá, elites historicamente corruptas. Mas será que o melhor método de combatê-las é o chavismo? Quer dizer que as “elites historicamente corruptas” serão substituídas por uma nova elite corrupta, que ainda pretende fazer história, é isso? De certo modo, com outros métodos, o mesmo processo está em curso no Brasil. As oligarquias tradicionais se juntaram aos novos oligarcas, que seqüestraram, pela via eleitoral, o aparelho de estado. Quando Lula chegou ao poder, encontrou instituições sólidas. O PT bem que tentou e tenta enfraquecê-las. Hoje, elas são menos saudáveis do que antes. Mas ainda não há espaço para o golpismo. Por enquanto ao menos. Mas isso fica pra outra hora. Volto ao ponto.

Barack Fidel Che Obama (ver post acima) nada tem a dizer. Seu suposto respeito à democracia, secundado pela diplomacia de Hillary Clinton, não passa, na aparência, de uma concepção cartorial; na essência, é só má consciência e, incrivelmente, rendição aos inimigos dos EUA. Na América Latina, tenta emular com o chavismo, mas adotando-lhe parte do discurso, em vez de confrontá-lo. No Oriente Médio, sua fala está sempre interessada, oh!!!, em amansar os radicais. Ontem, ganhou o noticiário do mundo ao reduzir, em parceria com a Rússia, o arsenal nuclear. A redução é inócua, mas rende dividendos para a sua biografia em favor da paz… A Rússia, diga-se, não tem nenhum problema com sua “área de influência” e deixou isso muito claro na Geórgia. A Rússia não tem Barack Hussein; tem Putin.

Retomo a origem do texto: o problema da reação de Honduras à tentativa de golpe de Zelaya é que, com efeito, há certo potencial para “virar moda”: vai que outros vagabundos queiram adotar a democracia bolivariana, e os militares os ponham para correr, não é mesmo?

Honduras incomoda porque foi o primeiro país a denunciar, com resistência ativa, o método chavista. E o fez sem pedir permissão para Barack Hussein. Até porque Barack Hussein não daria. Ele está ocupado em construir a sua biografia de progressista, inclusivo e amigo da paz. Mais uma ditadurazinha de esquerda não faria diferença. Ao contrário até. Talvez ajudasse a construir sua fama de tolerante.

O problema desse rapaz é que ele pretende ser aceito e adotado pelo inimigo. Só se consegue isso fazendo as suas (do inimigo) vontades. E Barack Hussein faz.


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