2009-06-10

VEXAME DO JORNALISMO ECONÔMICO

quarta-feira, 10 de junho de 2009 21:06
Da Agência Estado. Comento depois:

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto porcentual, de 10,25% ao ano para 9,25% ao ano, sem viés. A decisão foi tomada por 6 votos a favor de 1 ponto e dois votos, pela redução de 0,75 ponto porcentual. É a primeira vez desde que a Selic foi criada, em 1986, que ela fica em um dígito.Na reunião anterior, em 29 de abril, o corte também havia sido de 1 ponto porcentual. Em 11 de março, a redução dos juros foi mais agressiva, de 1,5 ponto, e na primeira reunião do ano, em 21 de janeiro, a taxa caíra 1 ponto. Neste ano, portanto, o juro básico acumula uma redução de 4,5 pontos porcentuais.
Em nota à imprensa divulgada após a decisão, o BC sinaliza que deve reduzir o ritmo dos cortes nas próximas reuniões. “Levando em conta que mudanças da taxa básica de juros têm efeitos sobre a atividade econômica e sobre a dinâmica inflacionária que se acumulam ao longo do tempo, o Comitê concorda que qualquer flexibilização monetária adicional deverá ser implementada de maneira mais parcimoniosa”, diz o texto.Na nota, o BC afirma que “acompanhará atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação até a sua próxima reunião, para então definir os próximos passos da estratégia de política monetária”.Surpresa
A maioria dos economistas do mercado financeiro acreditava que o BC teria uma postura menos agressiva na decisão desta quarta. Conforme levantamento feito pela Agência Estado com 60 instituições, antes das divulgações do relatório de emprego nos EUA e do PIB no Brasil, mais da metade, ou 41, trabalhava com uma expectativa de redução de 0,75 ponto porcentual, contra um grupo de 16 instituições que ainda via espaço para uma redução de um ponto porcentual na Selic e apenas três economistas com estimativa mais conservadora, de diminuição de 0,50 ponto porcentual.
Na terça-feira, após a divulgação do PIB do primeiro trimestre — com taxa negativa, mas não tão ruim quanto as previsões —, o mercado eliminou apostas mais agressivas de corte de juros (de 1 ponto porcentual) e fez as fichas convergirem para a de redução de 0,75 ponto porcentual. Mas acabou sendo surpreendido pelo BC.O Copom voltará a se reunir para decidir sobre a taxa básica de juros nos dias 21 e 22 de julho deste ano. A ata com as explicações da decisão de hoje será divulgada pelo Banco Central na quinta-feira da próxima semana (dia 18 de junho).
Comento
Sabem a coisa mais engraçada dessa história? A tentativa de emprestar racionalidade às apostas especulativas. Acaba sendo uma prática um tanto bisonha. Vejam ali. “Como? A economia encolheu só (!!!) 0,8% no primeiro trimestre? Ah, a gente esperava mais. Então uma queda de 0,75 ponto percentual está de bom tamanho… Tivesse encolhido 1%, 2%, 3%, aí a gente optaria por um ponto…” Ah, qual é!? Até parece que, dada a realidade mundial, os juros no Brasil são café pequeno.
Desde ontem, chamo a atenção para o quanto o jornalismo econômico é pautado por economistas de corretoras. É preciso repensar esse negócio. Em política, seria como ouvir opinião de assessores de imprensa. Aguardo um bom contra-argumento para essa minha tese. Não deixa de ser um pouco ridículo que o jornalismo econômico tenha centrado suas apostas em 0,75 ponto, e o Copom, que não pode exatamente ser acusado de ousadia ou alinhamento com os “irresponsáveis”, tenha optado por um ponto.
Vai-se acusar, certamente, a pressão de Lula, de Guido Mantega etc. Talvez… A questão é saber qual pode ser o efetivo prejuízo para o Brasil de o juro ter caído um ponto, e não 0,75 ponto. Resposta: ZERO! Ao contrário, o país gastará menos com juros. Só isso.

Nenhum comentário: