2009-06-16

VÂNDALOS DA USP E O BARBARISMO A FAVOR DOS VÂNDALOS

BEM, ROSSI DE NOVO: AGORA JORNALISMO, BLOGS, SEXO…

terça-feira, 16 de junho de 2009 | 7:47

Eu detesto, juro, ter de dar o curso Massinha I de imprensa e opinião pública para Clovis Rossi. Depois de ter dito as batatadas que disse sobre a greve na USP — no seu tempo, escreveu, estudantes estavam sempre certos… —, volta a atacar nesta terça. Agora, o alvo são os blogs. Há um setor do jornalismo que não aprende mesmo, feito o escorpião da fábula, que ferroa o sapo. Nunca ninguém me viu aqui a adotar a posição de certos delinqüentes e mãos-peludas, que anunciam o fim do jornalismo impresso. Eu não. Em primeiro lugar, acho a tese furada. Em segundo, não acho que seria bom. Haverá convivência dessas mídias — mas o jornalismo eletrônico, em contato mais próximo com o leitor, veio pra ficar.

Ele está, claro, de forma indireta, tentando desmerecer o blog que esculhambou seu texto — o meu. Bem, vou como gosto, brincando num vermelhinho e azul.

Os “bunkers” virtuais
SÃO PAULO - Carta do leitor Jorge Henrique Singh, aparentemente um estudante, publicada no domingo, ajuda a entender não apenas o quadro na USP como, mais amplamente, a catatonia da sociedade brasileira.
Diz Singh, em sua carta, que “os estudantes pesquisam, conversam e protestam em rede antes de se deixarem levar por pregadores ideológicos profissionais”.
Então tá, os estudantes retiraram-se para um “bunker” virtual em que “protestam em rede”. Enquanto isso, o que ele chama de “pregadores ideológicos profissionais” tomam conta da vida real (e da USP) -sem que os virtuais saiam um pouco de seu mundinho.
Tomam conta da vida real coisa nenhuma! Quando muito, tomam conta de certos setores do jornalismo. Na vida real, 79 mil dos 80 mil estudantes da USP estão… estudando! Esta é a vida real. Os “pregadores ideológicos profissionais” estão apenas tomando conta dos aparelhos. Onde é que o PSOL tem, proporcionalmente, mais adeptos? Na sociedade brasileira ou na USP? Onde é que um troço como a LER-QI poderia prosperar? Na sociedade brasileira ou na USP? Como pode o PC do B, eleitoralmente irrelevante no Brasil, mandar na UNE desde que ela foi refundada — com a diretoria sendo eleita em pleito indireto? Quem vive na irrealidade? Os alunos que hoje usam a rede para estudar, para se informar, para se comunicar, para se defender de embusteiros, ou a UNE aparelhada pelo PC do B? Assim, se há alguma irrealidade nessa história, é a da militância profissional e a dos jornalistas, como Rossi, que confundem uma Polícia submetida à Justiça com soldados ou milícias de uma ditadura. Os policiais na USP não são os milicianos de Ahmadinejad na Universidade de Teerã.

E que papo mais aborrecido esse de “catatonia” da sociedade brasileira! Que chatice! Que coisa mais démodé. Catatonia por quê? Eu sou um crítico acho que bastante severo do governo Lula — o que Rossi não é: ora está aqui, ora está ali, ora nem aqui nem ali… “Independente”, vocês sabem… Mas não acuso os brasileiros de “catatônicos” nem quando aprovam esmagadoramente o governo. Posso não concordar, posso lastimar os motivos, posso achar até burrice, mas “catatonia” por quê? Ao contrário até: há uma notável sintonia entre Lula e as massas. E isso diz muito de Lula. E diz muito das massas. É que Rossi é de um tempo em que o povo estava sempre certo, sabe? Sempre lutando… Ou então era catatônico. Não, Rossi. O povo, às vezes, é ativíssimo e ERRADO mesmo. Aliás, eu diria que ele costuma estar mais errado do que certo. Não é um tipinho de confiança.

Vale para a USP, vale para o conjunto da vida em sociedade. Basta ver a quantidade de “protestos em rede” que giram em torno dos escândalos políticos sem conseguir comover os autores, que preferem a vida real (e a bufunfa real).
É verdade. Antigamente, no tempo de Rossi, a televisão é que era acusada de — ai, meu Deus, lá vou eu para o vocabulário jurássico — ALIENAR a CRAÇE TRABAIADORA. Agora é a Internet. É… Não fosse ela, as massas estariam nas ruas, prontas a enforcar o último burguês com a tripa do último padre…

Faz pouco, o colunista do “New York Times” Nicholas D. Kristof produziu um belo texto mostrando que a esmagadora maioria dos blogs ou demais instrumentos em rede trava um diálogo de “nós com nós mesmos”, ou seja, com quem pensa da mesma maneira (no caso dos Estados Unidos, democratas com democratas, neocons com neocons e por aí vai).
Ih, que demora para chegar ao ponto, não? Tá descontente com os blogs, né? Com algum em particular? Pois é, jacaré… O mundo mudou. E, como diria o bardo caolho, não mudou como “soía”. Essa história de que blogs falam apenas para convertidos é uma besteira monumental. O que eles fazem é trazer o leitor para mais perto do autor. Descobrir que o leitor existe é um choque? Pois é…

Vejam o meu caso. Dizer que sou lido apenas por quem concorda comigo é uma mentira. Antes todos os meus leitores concordassem. Eu seria mais esperançoso, hehe. Mas os que odeiam também não saem daqui. E pouca gente sabe que a maior parte, o que é revelado pelo número de acessos na comparação com o número de comentários, é de gente que lê e não comenta nada — como, aliás, acontece com os jornais. Mais: a Internet é mesmo uma rede. O texto é publicado aqui e, minutos depois, já se espalhou em centenas de outros blogs.

Gente como Rossi adoraria que só houvesse vida inteligente no jornalismo impresso, onde ele pode posar de aiatolá. Mas é falso. Lamento pelos desgostosos: mas eu reuni num livro relativamente grande parte ínfima dos textos que publiquei na Internet. Só textos sobre política, com boa acolhida de público (foi um dos mais vendidos no ano passado) e de crítica. Daria para fazer mais um dez. Acho que os textos impressos de Rossi não suportam uma coletânea. E não que lhe falte a chance de ser profundo, não é mesmo?

Não há verdadeiramente diálogo se por este se entender um debate entre ideias diferentes. Há um monólogo em que se ouvem apenas vozes com a mesma entonação, uma espécie de onanismo virtual, sem contato com o sexo oposto (no caso, as ideias opostas).
Oba! Eu adoro essas metáforas sexuais para tentar desqualificar os adversários. Vamos ver. Rossi, este gigante do jornalismo impresso — ele é mesmo alto pra chuchu — acusa blogueiros de onanistas, e isso parecerá apenas, assim, severidade. Se eu escrevesse que o sexo solitário ainda é melhor do que a refugada de Baloubet du Rouet, alguns não entenderiam. E quem entendesse poderia achar uma grosseria…

De todo modo, a metáfora é a favor dos blogueiros — ao menos daqueles que têm leitores. Um blogueiro com leitores é um verdadeiro fauno!!! O que mais se parece com masturbação? Escrever e estar em contato permanente com quem lê, ouvindo todos os sussurros, todos os gemidos (huuummm…), todos os vivas de satisfação, todas as vaias de protesto, todos os “quero-mais”, ou acomodar o traseiro na cadeira, escrever a primeira ligeireza que vem à cabeça e ainda reagir com o fígado quando contraditado porque surpreendido pendurado na brocha? Escolhida a metáfora, sou obrigado a declarar: neste blog, a gente faz sexo o dia inteiro. É um escarcéu permanente.

Com isso, desperdiçam-se as possibilidades de democratização oferecidas pela internet. Há, sim, uma imensa cacofonia de vozes, mas, na outra ponta, os ouvidos se fecham para aquelas que não são agradáveis, por desafiarem certezas cultivadas nos “bunkers” virtuais.
Tolice! O diálogo é outro, “companheiro”. O diálogo — e, às vezes, coisa nem tão nobre (mas isso acontece também em jornais e revistas) — se dá entre os blogs. Buscar uma abordagem simpática à esquerda na minha página, por exemplo, é perda de tempo mesmo. Mas eu aviso que é. Não fico posando de pluralista de um lado só. “Direitista”, “conservador”, “neocon” ou sei lá o quê, este sou eu, esta é minha leitura. Que os navegantes confrontam com outras leituras. Há quem entre aqui apenas para saber o que não pensar, entendeu? “Vou lá ler o Reinaldo só para ser contra o que ele diz”. Mas e os jornais e revistas? Não têm também eles suas respectivas linhas editoriais? E têm todo o direito de tê-las. Mais do que isso: têm a obrigação.

Pena que os problemas se resolvam é na vida real.
É verdade, Rossi. Na vida real dos 79 mil que continuam estudando e que foram tratados como alienados e reacionários. Ou essa gente não merece crédito? Quanto à Internet — no caso, os blogs —, entendo os motivos que levam algumas pessoas a supor que os meios impressos são mais íntimos da profundidade. Mas primeiro apresentem a profundidade. Ou isso não passa (ver posts abaixo) de um daqueles pisões do Airton, o zagueiro do Flamengo. Não é jogo. Sexo, então, nem pensar…

COMPARTILHE Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter Enviar por e-mail

Por Reinaldo Azevedo

DataUSP – Maioria contra a greve. Uspianos, protejam a universidade da delinqüência

terça-feira, 16 de junho de 2009 | 7:19

greve-usp-27331

Neste endereço — http://greveusp.dnsalias.com/ —, alunos, professores e funcionários da USP podem dizer se são favoráveis ou contrários à greve e se apóiam ou não a ação da PM no campus. E podem conferir o resultado aqui: http://greveuspresultado.dnsalias.com/. Acima, há o gráfico atualizado à 0h30 de hoje, com 2733 votos válidos.

greve-usp-policia-2733

Fiz uma simulação de voto — meu número USP não vale mais nada desde 1985 — e obtive o seguinte retorno:

SENDO A FAVOR OU CONTRA A GREVE, DIVULGUE ESTA PESQUISA.
FORMA DE VALIDAÇÃO E AUTENTICAÇÃO DOS VOTOS:
1. Voto sem nome, número usp ou email será considerado inválido.
2. Se houver divergência entre os dados informados (nome, número usp e email) o voto será considerado inválido.
3. Se houver mais de um voto com o mesmo número usp/email, caso os votos sejam iguais, somente um será contabilizado. Se os votos divergirem, será confirmado o voto correto por email.
4. Os votos serão autenticados através do email USP (que é único para cada pessoa) a partir da próxima semana. Portanto fique atento ao seu email. Caso você não autentique seu voto, ele será desconsiderado

Parece que a coisa é séria. Mas cuidado! “Eles podem” mobilizar seus tontons-maCUTs. Assim, é preciso que os bons protejam a universidade da ação delinqüente. Afinal, aprendemos, como é mesmo?, que a verdadeira luta travada pelo sr. Claudionor Brandão é contra o “imperialismo norte-americano”. A Geografia e a História não podem ter aula enquanto Claudionor não destruir o capitalismo…

Segue a opinião dos uspianos sobre a ação da polícia no campus. São 2733 votos até agora — muito mais gente do que eles conseguem reunir em assembléias desde a década de 1980…

COMPARTILHE Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter Enviar por e-mail

Por Reinaldo Azevedo

Diretores da USP lançam manifesto em apoio à reitora

terça-feira, 16 de junho de 2009 | 7:17

Documento é assinado por 38 dirigentes de unidades da universidade e pede entendimento sobre direito de greve

Carta defende a livre expressão de ideias e refuta qualquer tipo de violência, seja por parte de grevistas ou por policiais militares

Na Folha:
Trinta e oito dirigentes de unidades da USP (de um total de 41 dedicadas ao ensino e à pesquisa) subscreveram ontem um manifesto em que reiteram “total apoio à reitora no desempenho de seu papel institucional”. No mesmo texto, conclamaram “toda a comunidade universitária ao entendimento em torno do respeito ao direito de greve e da livre expressão de ideias, refutando qualquer tipo de violência, seja por grevistas ou por policiais”. O manifesto foi divulgado seis dias depois dos violentos confrontos entre a PM -de um lado- e docentes, alunos e funcionários -de outro-, no dia 9, em pleno campus da USP no Butantã (zona oeste), e que deixaram dez feridos. No dia seguinte ao episódio, assembleia da Adusp (associação de docentes) aprovou por unanimidade a exigência de renúncia da reitora Suely Vilela, a quem responsabilizou pelo conflito. Mesma exigência das entidades de alunos e funcionários. Segundo Vilela, a presença da PM no campus objetivou “o equilíbrio entre o direito de greve e o direito de ir e vir das pessoas”. Ela pediu na Justiça a reintegração de posse de oito edifícios da USP, “cujos acessos estavam obstruídos”. O texto dos diretores percorre a mesma linha. Enfatiza que “as manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas devem preservar o acesso ao trabalho, sem causar ameaça ou dano às pessoas ou ao patrimônio público, como os que geraram (…) a necessidade das ações judiciais de reintegração de posse e a subsequente presença da polícia no campus”. Aqui

COMPARTILHE Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter Enviar por e-mail

Por Reinaldo Azevedo

A ORANGOTANGOGRAFIA

terça-feira, 16 de junho de 2009 | 7:15

A Márcia, tadinha, manda o que segue sobre a forma como abordo a “não-greve” da USP (poupo o IP da moça):

Seria melhor se voce divulgasse as coisas que realmente ocorrem na greve ao inves de uma espécie de ti-ti-ti do Brandão, não?
Não simpatizo em nada com ele, e se ele prega revolução armada, tem muitas pessoas que também fazem isso, mas esse não é o ponto da greve.
O ponto da greve é o sucateamento da universidade pública, é a crise em que ela vive, quando a discução e a humanização, características da universidade desde a academia de Platão, deixam de ser os métodos adotados. A questão é a crise em que nos encontramos quando a universidade de maior renome no país precisa que a polícia militar intervenha num problema interno à universidade. Os problemas são vários.

Comento
Eu realmente não sei se essa moça é da USP. É possível. O “desde Platão” é argumento que ela colou de Olgária Matos. Se for estudante, a crise é mais grave do que se supõe. Deixo de lado pecadilhos menores para chamar a atenção para a orangotangografia. “DISCUÇÃO”??? Isso está mais para briga de foice no escuro. “Ih, lá vai ele pegar no pé da moça só por causa de um errinho…” Bem, não é um; são cinco. E um deles é essa enormidade. O busílis não é o erro — acontece… —, mas o fato de ela querer debater “a crise na universidade” e seu sentido “desde Platão” com uma ortografia típica dos primeiros anos do ensino fundamental.

Márcia, só uma pergunta: você sabe arrumar aparelhos de ar-condicionado?

Nenhum comentário: