2009-06-30

HONDURAS REAGE À TENTATIVA DE GOLPE DE ESTADO DO PRESIDENTE TRAIDOR



Terça-feira, Junho 30, 2009

HONDURAS: QUE 'GOLPE' É ESTE?!
Por Jorge Roberto Pereira
Presidente do Farol da Democracia Representativa



O noticiário nos traz, desde domingo, um caso didático de golpe contra a democracia: a crise em Honduras. E, pela quantidade de fatos exemplares, é irresistível (na verdade, é "inevitável") analisar o caso num paralelo com o que enfrentamos no dia-a-dia brasileiro.


O ex-presidente Manuel Zelaya, eleito pelo Partido Liberal, foi rotulado pela mídia local e internacional como "de direita”. Das duas, uma: ou o partido não sabe definir o que é direita nem sabe escolher seus candidatos; ou Zelaya era, desde o início, um traidor das idéias que pretendia derrubar assim que tivesse a primeira chance. É no tratamento da informação pela mídia que se configura a cumplicidade no crime.



Fazendo um paralelo com o Brasil: é triste constatar que nossos partidos políticos perderam a percepção de seu posicionamento ideológico – e, apesar de em sua grande maioria defenderem ideais marxistas, insistem em se autodenominar democráticos. Alguns ainda sofrem críticas dos demais partidos e da mídia por serem de “direita”. Seguramente, a sociedade sofre por ignorância na hora de definir seus representantes, e a mídia amestrada é – mais uma vez – cúmplice no processo de socialização do país por ocultação da verdade.



O caso do ex-presidente Zelaya já prenunciava o desastre, por conta de sua virada para o chavismo. Um democrata legítimo não se corrompe, atrelando-se à escória política do continente. Ao fazer isso, Zelaya deixou cair a máscara e simplesmente assumiu de público suas intenções primeiras. Tentou utilizar o instrumento mais à mão da “democracia direta”: o plebiscito. Quis fazer, enfim, o mesmo que fazem todos os presidentes socialistas da América Latina, Chávez à frente. O plebiscito, no caso, não passa de uma incitação ao desrespeito às leis e ao Congresso, na tentativa de alterar o que manda a Constituição, em troca da adoção de alguma idéia “genial” do propositor.



Paralelo com o Brasil: é desnecessário mencionar o alinhamento e a “amizade” que ligam o presidente brasileiro ao venezuelano, pois a cumplicidade em torno de ideais similares já os aproximava desde os primórdios do Foro de São Paulo, fundado pelo primeiro. Quanto ao plebiscito, volta e meia somos instados a participar de alguma “manifestação direta da sociedade civil” – gramscismo puro – para “permitir a sociedade se manifestar contra ou a favor de determinado assunto”, quando essa é a missão dos seus representantes se a matéria não está prevista na Constituição. Se a sociedade tolerar iniciativas desta natureza, pouco a pouco estará permitindo a destruição das bases de sua liberdade e de seus valores.



(Vale lembrar que, aqui, o resultado da votação pelo desarmamento surpreendeu as esquerdas – que estavam confiantes na vitória certa. Na verdade, aquilo seria um primeiro teste. Aprovado, outros se seguiriam: aborto, pedofilia, terceiro mandato e outras questões igualmente perigosas. Hoje, com medo que venham a ser batidos por votação, estes temas têm sido introduzidos na Constituição mediante artifícios obtidos por portas deixadas propositalmente abertas pela Constituição de 1988.)



Voltando a Honduras, é importante ressaltar que o processo se manteve sempre no curso legal: proposto pelo presidente, o plebiscito foi julgado ilegal pela Promotoria Pública e pela Defensoria de Direitos Humanos. O Supremo Tribunal Federal o julgou inconstitucional – como também o Ministério Público e o Tribunal Superior Eleitoral. O Parlamento, por sinal, votou uma lei impedindo sua realização. Que grande exemplo de vigilância e atitude em defesa da democracia!
Triste comparação com o Brasil: aqui, os políticos abdicaram de suas responsabilidades diante da sociedade e o mandato obtido nas urnas serve para lhes conceder imunidades em processos por crimes cometidos. Antes ou depois de serem eleitos. Ou os partidos não sabem o que significa “ser de direita” ou pretendem não saber, pois o filo-socialismo é o que lhes garante visibilidade, boas recompensas financeiras, abrigo e benesses do partido hegemônico. A defesa da democracia foi, simplesmente, mandada às favas!



Mas podemos, sim, perguntar à mídia: onde está toda a verdade? O povo brasileiro vem sendo informado de que houve um golpe e o presidente foi cassado. Mas a ordem certa dos fatos é: o presidente tentou um golpe, o Supremo Tribunal Federal determinou sua prisão e ele apresentou sua renúncia ao cargo. O Parlamento nomeou o sucessor do presidente afastado legalmente, que já convocou novas eleições para novembro deste ano.
Então... que "golpe" é este?!



O Comando das Forças Armadas, obediente à determinação legal do STF e do Parlamento, recusou-se a impor à força a realização do plebiscito, cujas cédulas e urnas tinham sido impressas e enviadas por Hugo Chávez – numa inaceitável intromissão em assuntos internos de um país independente. O próprio Zelaya, numa comitiva de táxis, foi buscar o material que chegara da Venezuela, para distribuição. Vendo frustrado seu plano de mais uma conquista fácil, Chávez ofende o General Romeo Vázquez, Chefe do Comando do Estado Maior hondurenho, e coloca suas tropas de prontidão – enquanto Zelaya procura ajuda da Polícia na intenção de causar a dissensão no país.



Mesmo assim, como é seu costume nos últimos tempos, a mídia brasileira continua a se fazer de sonsa: anuncia um golpe de Estado e recrimina os generais, querendo com isso mobilizar a opinião pública em nome de algo que não houve, e – o que é pior! – justamente contra a categoria que, neste momento, representa o exemplo de resistência ordeira e legal contra a tentativa de estupro da democracia hondurenha. Lá, o Parlamento (diferente de tudo que podemos esperar do Congresso brasileiro) denunciou o golpe, acusou o golpista, julgou-o culpado no melhor interesse da sociedade hondurenha e conseguiu a lealdade dos oficiais na defesa da nação.


Enquanto isso, a mídia vai moldando o debate de acordo com as suas meias-verdades e mentiras. Resta saber: caso Hugo Chávez providencie a invasão de Honduras para submetê-la à democracia do projeto latino-americano de Lula-Fidel-Chávez, vamos ter comemorações da liberdade imposta pelo “libertador” ou lamentações pelo “imperialismo bolivariano” implantado à força, numa ameaça à dignidade de todos nós?



JORGE ROBERTO PEREIRA
Presidente do Farol da Democracia Representativa

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