2009-06-17

OS REACIONÁRIOS DE SEMPRE DA USP

Imagens 2 - Candido é o aiatolá Khamenei da USP, e Chaui, seu Ahmadinejad

quarta-feira, 17 de junho de 2009 | 16:31

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Na primeira página da Folha, temos também uma velharia: Antonio Candido. E não! O que afirmo nada tem a ver com a idade do professor: 90 anos — e nem os seus 90 anos lhe conferem licença especial para dizer bobagens. Até porque as suas beiram a infantilidade perto das tolices do centenário Niemeyer. Velhas, em ambos, são as idéias. Em companhia de Marilena Chaui, a filósofa que se especializou em Spinoza para terminar defendendo Delúbio Soares, Candido participou ontem de um “ato” na USP que reuniu 450 gatos pingados. É isto: de uma comunidade de mais de 100 mil pessoas entre alunos, estudantes e funcionários, 450 querem a universidade parada. Até aí, tudo bem. O problema é que eles tentam fazer com que os outros 99.500 parem na marra.

Escrevi aqui outro dia que Candido é bom para quem gosta. “Por quê? Você não gosta?”, indignou-se um. Depende. Ele faz uma boa sociologia da literatura brasileira, o que, entendo, é coisa diferente da crítica literária. Mas trato disso outra hora, em texto específico, se houver oportunidade. De todo modo, é, sim, um estudioso, um intelectual. E eis o problema: como costuma acontecer com as esquerdas, a autoridade intelectual conquistada numa área acaba servindo como uma espécie de álibi ou de justificativa moral para defender as teses mais absurdas. Candido, por exemplo, ainda está convicto de que a saída para o Brasil é o… “socialismo democrático”. Este oximoro tem um sinônimo: ditadura virtuosa. Existe? Não há Formação da Literatura Brasileira que justifique essa tolice.

Mas vá lá. Talvez seja tarde demais para mudar. O “socialismo democrático” não deixa de ser um lugar confortável. Quem se diz partidário dessa impossibilidade rejeita, claro!, a ditadura (ainda que não possa se espelhar em nenhuma experiência histórica) e anuncia ao mundo que é uma pessoa boa, a favor da igualdade. As pessoas, não importa a idade, têm direito a seus delírios,a suas utopias, à sua Terra do Nunca — especialmente alguém como Candido, que, a despeito dos 90 anos, se nega a amadurecer, daí a paixão por idéias velhas…

O problema é quando uma autoridade como essa comparece a um ato promovido por militantes violentos, que, está posto, aceitam o seu “socialismo”, mas rejeitam a sua “democracia”, para protestar conta a PM no campus, como se, dadas a forma como ela chegou lá e sua atuação, não cumprisse o mais rigoroso ritual democrático.

Candido é o aiatolá Ali Khamenei do esquerdismo bocó que tenta assombrar a USP, e Marilena Chaui e seu Ahmadinejad. A professora lançou uma nova palavra de ordem: não se trata mais, disse ela, de propor eleições diretas para reitor — lembro que não existem eleições diretas nem para escolher o presidente da UNE, função que, está claro, não pede, assim, apuro intelectual —, mas de “pensar a maneira pela qual vamos desestruturar essa estrutura vertical e centralizada que a USP se tornou”. Reparem que não se fala em desestruturar nada nas universidades federais, controladas pelo “Partido”.

Assim, a partir da presença de Ali Khamenei e de Ahmadinejad no ato minoritário da USP, a pauta já está em seu terceiro estágio: no começo, pedia-se a readmissão de um funcionário legalmente demitido; em seguida, pediu-se a renúncia da reitora, legalmente instituída e a saída da PM do campus; agora, trata-se de “desestruturar” a universidade…

Os extremistas contam com o apoio de um ou outro jornalistas, o que lhes garante visibilidade “na mídia”, que é como eles chamam a imprensa, e agora de aiatolá Candido, chefe espiritual do Conselho da Revolução Petista (para assuntos universitários), e de Ahmadinejad. Isso dá sobrevida ao movimento. Agora prometem uma passeata na cidade — certamente farão um esforço danado para violar a Constituição e atrair a atenção da polícia. E, creio, a polícia tem de atuar se optarem pela violência.

Ah, sim: depois da aula de “socialismo democrático” de Candido e Chaui, os valentes saíram dali e tentaram parar o único restaurante que ainda funciona na USP: o da Faculdade de Química. Num gesto tipicamente socialista, mas nada democrático, expropriaram a comida e liberaram as catracas.

E isto: as utopias de Candido e Chaui servem hoje para a LER-QI invadir restaurante universitário. É o socialismo possível.

Gente ridícula!


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