2009-06-10

MESMA FARINHA, PSDB E PT



Leonardo Bruno
Alguns esquerdistas raivosos só faltaram me chamar de louco, quando afirmei, categoricamente, que o PSDB é um antro de socialistas envergonhados. Todavia, os cacoetes políticos e mentais dos tucanos os denunciam.


As diferenças ideológicas com o PT são apenas sutis. Duas últimas ações tucanas revelam essa conduta, que do ponto de vista intelectual, são esquizofrênicas, pra dizer o mínimo.


Escutei de um grande amigo uma lógica que me parece cristalina: PSDB e PT são o mesmo que trocar seis por meia dúzia.Alguém objetará que o PSDB foi o paladino das reformas privatizantes, daí a acusação histriônica de serem “neoliberais”. Entretanto, apesar da política de venda de estatais (muitas vezes falidas e infestadas de cabides de empregos para os favoritos), os tucanos, até hoje, têm vergonha de defender as privatizações.


Geraldo Alckmin, o "católico" do IBGE, quando era candidato a Presidente da República, foi acusado pelos petistas de querer privatizar a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e a Petrobrás (ou seja, o Caixossauro, o Bancossauro e a Petrossauro). O que fez o político tucano? Admitiu a intenção? Que nada! Assinou uma carta garantindo o atraso estatizante de não privatizar e caiu na chantagem ideológica do PT. Os cristãos-novos do tal “neoliberalismo” fizeram sua confissão pública de heresia e abjuraram em favor do velhíssimo credo socialista.


Recentemente, os tucanos deram ares de continuidade em mais outro sintoma de esquizofrenia:apresentaram um projeto de emenda constitucional proibindo a venda da Petrobras. Como o PSDB propôs uma CPI contra a empresa estatal, em particular, pelo mau uso do dinheiro público pelo PT, a politicagem tucana quer parecer tão leal nos ideais estatizantes quanto os próprios áulicos petistas que estão no poder.


O tucanato quer ser mais esquerdista do que o próprio governo Lula. Curiosa contradição! A Petrobrás se tornou um verdadeiro caixa dois do PT, uma verdadeira maravilha da farra do dinheiro público usado em favor da camarilha petista, e, mesmo assim, os tucanos querem criar privilégios constitucionais a uma empresa estatal, como se ela fosse uma espécie de totem governamental, uma instituição política intocável.


As falcatruas e incompetências da Petrobrás vão se tornar cláusulas pétreas! É vergonhoso que uma Constituição, que visa tão somente preservar direitos e garantias individuais e institucionais, seja moldada aos caprichos corporativistas de uma empresa, só por ser estatal. Por que será que o PSDB tem vergonha de defender as privatizações? Deve ser a lealdade atávica e espiritual que os social-democratas têm pelo credo estatizante. Deve ter sido traumático privatizar. Foi como perder a virgindade por obra de um estupro ideológico!


Se não bastassem essas contradições, o governador José Serra encaminhou à Assembléia Legislativa uma lei que pune o racismo em até mais de cem mil reais de multa. O conceito de “discriminação racial” se tornou muito elástico, desde que os camaradas socialistas dos dois matizes tomaram o poder no país. Pode ser o ódio racial, praticamente inexistente, ou um mero palavrão, algo relativamente comum. Se uma ofensa racial torna-se crime inafiançável, agora será cara também ao bolso do cidadão.


A lei que combate o racismo no Brasil já é logicamente perversa, pela desproporção da punição e dos atos: matar uma pessoa é passível de fiança; xingar o outro de “negão” não é. A nossa Constituição, que é uma colcha de retalhos de ideologias malucas, já estipula racismo como “crime inafiançável”. Ou seja, matar no Brasil é mais fácil e menos punível do que ofender como palavras racistas. Criminalizar as palavras soa menos grave do que criminalizar os atos.


Todavia, o PT e o PSDB não vêem nada demais quando criam uma das legislações mais racistas de toda a história do país. As cotas raciais em universidades e mesmo ambientes de trabalho não entram na agenda politicamente correta de multa preconizada pelo PSDB ou de crime inafiançável pela Magna Carta.


Ademais, o governo federal até hoje sustenta um famigerado Ministério da "Igualdade Racial", cuja ex-ministra afirmava, categoricamente, que negro discriminar brancos não era crime. O Estado pode discriminar racialmente, inculcar idéias raciais na população; pode ter ministras racistas, que se dão a ao direito de discriminar porque se acham "vítimas" do racismo; inclusive, pode chamar burocracias voluntariosas para avaliar quem é negro ou não é. Agora, se o cidadão comum chamar um outro desafeto de “negão”, ele pode ser preso, inafiançável, e, ainda, pagar uma multa capaz de colocá-lo na indigência, tamanha criminalização nas palavras e tamanha licenciosidade nos atos.


É paradoxal que o PT, que aderiu alegremente a muitas das agendas econômicas pseudo-liberalizantes do PSDB, tente ser imitado na agenda cultural revolucionária por praticamente todos os grupos partidários. Isso não chega a ser um problema apenas tucano: quase todos os partidos políticos querem imitar o discurso petista, garantindo, involuntariamente, a hegemonia cultural socialista. A eficiência das esquerdas no plano da cultura é perfeita, avalassadora.


E as oposições, para combater o PT, apenas legitimam o discurso que faz do petismo ser uma ideologia dominante, imbatível. Ou seja, querem ser mais comunistas e politicamente corretos do que os petistas. E quanto mais a oposição adere à ideologia do inimigo, mais e mais o PT se fortalece. A lógica dos partidos políticos, em particular, do PSDB, é a mesma de querer combater o nazismo sendo mais anti-semita e nacional-socialista do que os nazistas.


Não dá pra superar os canalhas no mesmo crime! A conseqüência lógica da oposição tucana é de fortalecer cada vez mais o poder do petismo! A popularidade de Lula é mais que explicada: mostra a mais completa inépcia, senão o comprometimento da oposição com a situação reinante no país. O caminho para um terceiro mandato de Lula ou mesmo para uma ditadura petista, nos moldes da América Latina de Hugo Chavez ou Evo Morales, é um futuro perigoso e gravíssimo que aparece no horizonte. . .

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