2009-05-29

VENEZUELA RESISTE À CUBANIZAÇÃO, ATÉ QUANDO?

CARACAS - O escritor peruano Mario Vargas Llosa foi retido hoje pelas autoridades de um aeroporto da Venezuela, aonde chegou para participar entre amanhã e sexta-feira de um fórum sobre liberdade e propriedade privada, informa a imprensa local. 27/05/2009 - 16:51



sexta-feira, 29 de maio de 2009 5:59

Por Fabiano Maisonnave, na Folha:
A presença do escritor peruano Mario Vargas Llosa e de outros intelectuais e políticos estrangeiros críticos de Hugo Chávez num seminário oposicionista transformou uma praça de Caracas numa espécie de campo de batalha midiático. De um lado da rua, acusações de que a Venezuela está se transformando numa “segunda Cuba”. Do outro, gritos de “fascistas” e “golpistas”.
Convidados pelo Centro de Desenvolvimento Econômico para a Liberdade (Cedice), Vargas Llosa, seu filho Álvaro, e o ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda, entre outros, se revezavam entre palestras e entrevistas recheadas de críticas à “escalada autoritária” do presidente venezuelano.
“Não queremos que a Venezuela se converta numa sociedade totalitária comunista. Não é ainda porque, se assim fosse, não estaríamos aqui. A Venezuela poderia se converter na segunda Cuba da América Latina, mas não permitiremos”, disse Vargas Llosa, durante palestra no auditório do hotel Caracas Palace.
O escritor peruano fora detido por uma hora e meia, na véspera, ao chegar a Venezuela, e advertido de que, por ser estrangeiro, não deveria fazer comentários políticos durante sua estada no país. Até o fechamento desta edição, porém, o governo venezuelano não havia tomado nenhuma medida de retaliação.
Já Castañeda criticou os países do Mercosul por não analisarem minuciosamente a cláusula democrática do bloco no processo de entrada da Venezuela, já aprovada pelos Congressos da Argentina e do Uruguai e atualmente em tramitação no Senado brasileiro.
“Há razões legítimas para duvidar que a Venezuela esteja cumprindo todas as regras estipuladas na cláusula democrática do Mercosul”, disse.
O ex-chanceler de Vicente Fox disse que não concorda com o argumento de que a entrada da Venezuela melhorará a situação democrática. “Essa tese foi derrubada pela então Comunidade Econômica Europeia com a Espanha franquista (1936-1976). Eles disseram: “A Espanha não é bem-vinda até que [o ditador Francisco] Franco desapareça.”
Em protesto contra a presença de Castañeda e outros, o governo Chávez organizou um protesto com algumas centenas de pessoas na praça Altamira, um dos redutos históricos da oposição e separada do hotel por uma avenida.
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