2009-05-19

CPI DA PETROBRAS, POR QUE LULA SE DESESPERA?



TROPA DE CHOQUE

Reinaldo Azevedo


A CPI da Petrobras levou tal pânico ao governo, que o Planalto decidiu deslocar a sua tropa de elite para integrá-la. Nada de amadores!

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) é o candidato a Capitão Nascimento da turma. É ele quem se oferece para “meter a oposição no saco” e, sempre que houver a ameaça de algo realmente grave vir à tona, dar a ordem: “mete o dedo nessa porra!” E pronto! Nada se investiga.


O seu auxiliar na tarefa pode ser o notório Romero Jucá (PMDB-RR). Sua mais recente contribuição à transparência foi prometer enviar um projeto ao Congresso proibindo um civil de ser ministro da Defesa. Não escondeu de ninguém que se trata de uma retaliação contra Nelson Jobim, que demitiu seu irmão da Infraero.


Como se vê, antes de tudo, é mesmo um republicano. Obedecendo ao critério da proporcionalidade das bancadas, o governismo terá oito membros na CPI, contra apenas três das oposições. E partiu do Apedeuta uma determinação: desta vez, o governo quer fazer valer a maioria e nomear relator e presidente, contra a tradição da Casa. Geralmente, cada bloco fica com um cargo. Não agora.


Mais: os membros da comissão têm de ter um teor de governismo acima de qualquer suspeita. Se a CPI é inevitável, que, ao menos, possa ser sabotada.


Uma fala de Mercadante dá conta do aspecto até cômico do governo. Ele disse que vai trabalhar para que as os partidos, inclusive as oposições, escalem a “seleção para a CPI”.


Mas que fique claro, hein!? Essa “seleção” estaria impedida de fazer gols. O senador petista diz querer um “debate profundo” sobre questões relevantes que afetam a estatal, como o marco regulatório da exploração do petróleo na área do pré-sal.


Como é que é? MARCO REGULATÓRIO DO PRÉ-SAL? De que diabos ele está falando? Na CPI? Ele quer escalar a seleção para que todos fiquem sentados no meio do campo debatendo as regras do jogo...A ordem, em suma, é não investigar e continuar a investir na desqualificação das oposições — na verdade, do PSDB, já que o DEM continua com uma convicção ainda um tanto gelatinosa sobre essa CPI.


Lula e José Múcio ficam com os petardos de natureza política, e o ministro da Propaganda, Franklin Martins, se encarrega do viés terrorista — é bom nisso — na tal “mídia”, contando com a ajuda de seus despachantes — alguns na reportagem, outros no colunismo.


No melhor dos mundos, depois de devidamente sabotada, a CPI termina constatando que a Petrobras é um exemplo de eficiência e transparência.


Pode desandar?A rigor, com essa maioria esmagadora, a CPI só vai convocar quem o governo quiser. Se a ordem de fazer presidente e relator for mantida, a comissão pode se transformar naquele debate sobre o pré-sal que Mercadante quer fazer.


Seria uma inovação e tanto do petismo: a CPI se transformaria numa peça publicitária do oficialismo. A receita pode desandar? Pode. É aí que entra a imprensa — e, por isso, o trabalho do ministro da Propaganda é tão importante.


Por mais que tentem, CPIs não conseguem “se lixar” para evidências ou provas de falcatruas. Se o jornalismo cumprir a sua tarefa e noticiar o que tem e sabe, a CPI não poderá se dispensar de fazer algumas investigações. Aliás, o governo teme menos a ação do Congresso propriamente do que o rastro de notícias que segue a instalação de uma comissão de investigação. Por isso era tão importante que ela não fosse aprovada. Uma vez aprovada, agora a prioridade é torná-la inoperante. Vamos ver.
Por Reinaldo Azevedo 05:45 comentários (0)

Terrorismo, Lobão e os Chapeuzinhos Vermelhos

Reinaldo Azevedo
A Folha percebeu, felizmente, na edição desta terça o que está em curso e traz a reportagem Para combater a CPI, governo recorre a terrorismo retórico, coisa que se vem apontando neste blog deste sexta-feira.


Já comentei aqui a fala de alguns ministros, mas havia me escapado a deste grande patriota chamado Edson Lobão, ministro das Minas e Energia que não saberia distinguir, a não ser pelo cheiro, a diferença entre uma tomada e o nariz de um porco. Segundo este valente, a CPI é “uma coisa de extrema violência", que poderá causar "grande estrépito" no Brasil, nos EUA e na Europa.


A comissão vai ainda "assustar os investidores". E considera: "Acho que haverá prejuízos para a empresa e o país."Como diz a comunidade ítalo-brasileira aqui de São Paulo, que Guido Mantega deve conhecer bem, “porca miséria!!!”


Tudo isso??? Mas, se não há nada de errado na Petrobras, como se assegura, por que aconteceria essa tragédia toda? Estou começando a achar que ninguém quer mesmo mexer na jóia da Coroa. Ontem, na TV, vi também o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), um dos maiores entusiastas de CPIs no governo FHC, espécie de consultor de plantão de comissões, a apontar os riscos para a empresa e para o país.


Quem diria, não!? Ah, sim: EU DIRIA. Não, melhor do que isso: EU DISSE. Desde 1984, afirmo que o único compromisso moral do PT é com o “presente eterno”. Dane-se o que eles fizeram e pensaram no verão passado.Mas volto a Lobão... Comentei ontem aqui as desditas do cantor Wilson Simonal, injustamente acusado de dedo-duro (não era; fez uma bobagem, mas não era dedo-duro). Lobão era jornalista e logo se tornou amigo da ala punk do regime militar. Lobão, definitivamente, marcava de perto os Chapeuzinhos Vermelhos. Hoje está com eles, defendendo os “interesses nacionais”.Pior: Lobão não sabe cantar “Meu limão, meu limoeiro”...
Por Reinaldo Azevedo 05:43 comentários (0)

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