2009-05-28

TARSO E AS TENTAÇÕES AUTORITÁRIAS


quinta-feira, 28 de maio de 2009 5:33
Reinaldo Azevedo
Sempre que Tarso Genro pensa, os meus instintos de preservação da civilização e do estado de direito entram em alerta. No caso de Tereza Cruvinel, quando isso acontece, a reação é de espanto, de surpresa mesmo. O que segue em vermelho está na agência Brasil. Tio Rei argumenta em azul.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse hoje (27), na abertura do seminário Mídia e Segurança Pública, que há uma disputa de mercado pela espetacularização e não pela qualidade da informação. “A mídia tem a capacidade de convencer a sociedade. É preciso um pacto entre ela e as autoridades, para darmos solidez ao projeto democrático no país”, disse.

É engraçado! Esquerdista não chama “imprensa” de “imprensa”, mas de “mídia”, uma herança sessentina — dos anos 60 —, quando a comunistralha acadêmica decidiu que os, lá vai outra expressão datada, “meios de comunicação de massa” reproduziam a — atenção para mais bolor — “ideologia da classe dominante”. Então, diziam, era preciso “controlar a mídia”. E os herdeiros daquele pensamento não desistiram do troço até hoje. Se a “mídia de mercado” não faz direito (como eles querem) o trabalho, quem poderia fazê-lo? Ora, a mídia estatal — que esses puros chamam de “pública”. De fato, isso nada mais é do que ojeriza à liberdade.

Jornalistas, pesquisadores, estudantes e representantes de entidades da sociedade civil debateram hoje, durante o seminário, promovido pelo Ministério da Justiça, o papel dos meios de comunicação na área de segurança pública, que contou com a participação do ministro. Segundo ele, a cobertura que a mídia faz na área de segurança é boa, mas fragmentada.Fatos violentos são reportados, mas as matérias não costumam apresentar soluções. Falta um debate mais concreto, com o posicionamento de especialistas e das comunidades que sofrem com a violência”, alertou o ministro.

Não tenho nada a contra a que a “mídia” aponte soluções, mas o governo foi eleito pra isso. Reparem que, no modelo defendido por Tarso Genro, teríamos uma espécie de correia de transmissão unindo estado, governo, imprensa e sociedade civil. Essa “proposta” já foi tentada e testada, com os resultados conhecidos: socialismo.

Esses seminários, diga-se, são perda de tempo e dinheiro. Não servem a outro propósito que não à demonização da imprensa. Nem perderei o meu tempo em saber quais grupos estavam lá representados porque eu já sei. Todos, com uma exceção ou outra, são seções d’O Partido. Trata-se de um modelo clássico de manipulação do debate desde que a comunistralha resolveu tomar o poder pela via democrática. Tarso deveria é explicar por que há áreas do Brasil que são verdadeiros territórios livres do tráfico.
Para a diretora presidente da EBC, Tereza Crunivel, que também participou da mesa de debate, a mídia pública tem um papel importante nesse contexto, no sentido de assegurar que o conteúdo não fique subordinado ao mercado ou ao Estado, e defendeu que as editorias de polícia dos meios de comunicação sejam substituídas por editorias de segurança pública.

Eh, Tereza!!! Tenho especial afeto pela Cabocla Tereza desde quando ela era jornalista e participou do Roda Viva que entrevistou Lula. Quando a situação apertou para o lado do presidente, que se viu na contingência de responder coisas sobre o desempenho empresarial de Lulinha, ela propôs imediatamente mudar de assunto. Apontei isso no site Primeira Leitura. Ela ficou brava em seu blog e disse que não gastaria bytes comigo. Decidi, então, que, sempre que houvesse a chance, gastaria bytes com ela. Quem dá bytes aos pobres empresta a Deus…

Esta senhora já trabalhou em empresa privada. Por acaso, está fazendo alguma confissão? Por acaso, ela subordinava o seu conteúdo, na hipótese de ter havido algum, “ao mercado” ou escrevia, como supunham seus leitores de então, o que achava que deveria escrever?

Faço hoje meu blog e escrevo artigos para a VEJA. Nunca “o mercado” me telefonou para dizer o que eu poderia ou não escrever. Antes, fui editor adjunto de política da Folha e depois coordenador de política da Sucursal de Brasília. O único “mercado” que conheci nas duas funções foi a saudável disputa de repórteres pelo “furo” jornalístico. Jamais — E JAMAIS É JAMAIS — uma notícia confirmada deixou de ser publicada. O “mercado” nunca encheu meu saco. Ao contrário: nas minhas orações cidadãs, eu o incluía e incluo ainda: “Obrigado, Mercado, que não me deixa sujeito aos comissários da notícia.

Editoria de “segurança pública”? O que isso quer dizer? Vai ver, a editoria de economia deva se chamar “Editoria da Fazenda”, vizinha à “Editoria do Banco Central”, perto da “Editoria da Casa Civil”. Transformaremos a imprensa numa sombra do governo… E segue a cabocla:

“Em países da Europa não se emite opinião sobre coisa não julgada, e isso ajuda no combate à banalização e à espetaculosidade do conteúdo”, disse Tereza Cruvinel. Para tanto, afirmou ela, “é necessário questionar a diferença entre interesse público e interesse do público”. Ulalá! É só o jeito que a valente tem de explicar que a televisão de que ela toma conta consuma quase R$ 700 milhões ao ano (considerando o dinheiro principal e os penduricalhos) e dê traço no Ibope. As emissoras “comerciais”, sabem?, fazem jornalismo que é do “interesso do público”, e a Cabocla faz coisa que é de “interesse público”.

O trocadilho é pura vigarice intelectual, mas revela o aparelho mental da esquerda. Quando foi que “o público”, o “povaréu”, as pessoas reais, interessou à esquerda? Nunca! Lênin mandava passar fogo na tigrada que não interessasse à causa. O sonho das esquerdas sempre foi substituir a sociedade pelo partido. “Interesse público”, gente, é tudo aquilo que interessa ao PT, ao “povo organizado”, à Cabocla Tereza e sua turma. E “interesse do público” é aquela coisa nojenta do “povo desorganizado”, que precisa de um partido e de um pai para chamar de seu. Esses caras estão sempre inteiros em cada coisa. Cada parte do que dizem e fazem espelha sua paixão autoritária. Preso com eles num elevador, temeria mais os miasmas do seu pensamento do que a ameaça dos gases naturais que a todos assombram.
PS: “Cabocla Tereza” é só referência a uma antiga música sertaneja
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